Você está aqui: Página Inicial / Mundo / 2009 / 10 / Missão da OEA chega a Honduras para promover diálogo

Missão da OEA chega a Honduras para promover diálogo

Zelaya mantém-se cético em relação às reais intenções do governo golpista de Micheletti
por anselmomassad publicado , última modificação 07/10/2009 11h40
Zelaya mantém-se cético em relação às reais intenções do governo golpista de Micheletti

Simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, rezam em frente a soldados perto da embaixada brasileira em Tegucigalpa (Foto: Henry Romero/Reuters)

Para tentar re-estabelecer o diálogo entre o governo golpista e o presidente eleito Manuel Zelaya, uma delegação de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) chega nesta quarta-feira (7) a Honduras. O presidente interino, Roberto Micheletti, conclamou à instauração do diálogo na noite de terça-feira (6).

Zelaya exibiu ceticismo em relação às verdadeiras intenções de seu rival, e insistiu que não abrirá mão de voltar ao poder. "Eu sou um homem de fé e acho que ainda há uma saída, mas não a vejo próxima", disse Zelaya à rádio HRN. A OEA condena a deposição de Zelaya, em 28 de junho.

Liderados pelo secretário-geral da organização, José Miguel Insulza, a missão planeja reunir-se ainda nesta quarta-feira com Micheletti, depois de ser instaurada a mesa de diálogo. Nesta quinta-feira (8), será a vez de uma visita a Zelaya dentro da embaixada brasileira.

"Enquanto a ditadura que está estabelecida em Honduras não depositar a presidência da República nas mãos de quem o povo escolheu para governar, todo o resto é um show simplesmente para perpetuar suas ambições de poder", disse Zelaya ao canal 11 da TV.

Apesar do tom do discurso, Zelaya nomeou oito delegados para uma eventual negociação com o governo. O primeiro contato pessoal com esses representantes – ex-ministros e dirigentes sindicais que organizaram a resistência contra Micheletti – desde o início da crie no país está previsto para a manhã desta quarta.

Antes, o presidente eleito condicionou sua participação na negociação ao uso da embaixada brasileira como local da reunião. "Primeiro devem vir à embaixada para falar com o presidente porque ele nem sequer os viu, e depois fariam o diálogo", explicou Rasel Tomé, assessor de Zelaya que o acompanha na sede diplomática desde que se abrigou no local há duas semanas.

Em discurso em rede nacional de rádio e TV, Micheletti disse, sem citar o nome de Zelaya: "Meu governo convoca uma mesa de diálogo para abordar com novo espírito os temas que de alguma maneira já foram objeto de consideração em documentos de trabalho no diálogo de San José (uma tentativa anterior de mediação feita pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias)."

A fim de alcançar o chamado "Acordo de Guaymuras", Micheletti propôs que a mesa de diálogo – na qual participarão três representantes de cada lado em conflito – revisem alguns temas incluídos no acordo proposto por Arias.

"Em particular dois temas cruciais, que se referem ao respeito aos poderes do Estado e à anistia", disse o presidente golpista.

Micheletti não falou sobre a possibilidade de Zelaya voltar ao poder, algo que Arias previa no seu plano e que a comunidade internacional também tem defendido. A proposta de Arias incluía também a criação de um governo de unidade nacional e uma anistia geral a ser decretada pelo Congresso.

Zelaya voltou clandestinamente do exílio há mais de duas semanas, e desde então está refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Ele diz que a convocação do governo de facto ao diálogo é uma manobra dos golpistas para ganhar tempo.

Censura continua

Apesar de o estado de sítio ter sido revogado em Honduras na terça-feira (6), a rádio Globo e o canal de TV Cholusat Sur, fechados na semana passada com ação de soldados encapuzados, não foram autorizados a retomar as transmissões. Favoráveis a Zelaya, as emissoras correm risco de permanecerem censuradas por mais tempo.

O decreto que restringia a liberdade de expressão, associação e circulação, que havia sido usado para dissolver manifestações favoráveis ao presidente deposto, só será oficializada ao ser publicada no diário oficial. Não há previsão para a publicação.

"Queremos ir para o ar com ou sem a publicação do decreto", disse à Reuters por telefone o diretor da rádio Globo, David Romero. "Se o decreto não for publicado rapidamente, me parece que é uma armadilha", acrescentou.

Com informações da Reuters