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Golpistas e depostos esperam acordo para esta sexta em Honduras

Presidente legítimo Manuel Zelaya amplia prazo de ultimato para que negociações cheguem a uma saída consentida
por ANSA publicado , última modificação 16/10/2009 10h54
Presidente legítimo Manuel Zelaya amplia prazo de ultimato para que negociações cheguem a uma saída consentida

Após 12 horas de debate, encerradas na noite de quinta-feira (16), as comissões de representantes do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e do regime golpista do país retomarão nesta sexta-feira (17) as negociações para buscar pôr fim à crise ocasionada pelo golpe de Estado ocorrido em 28 de junho. 

Em declarações concedidas à imprensa, Víctor Meza, ministro do presidente eleito e integrante do grupo que o defende na mesa de diálogo bilateral, afirmou que as tratativas já avançaram 95%. 

"Estamos otimistas de que amanhã (sexta) teremos um acordo, possivelmente ao meio-dia", disse. Ele também explicou que o anúncio feito na quarta-feira não dizia respeito a um acordo final, mas a concordâncias sobre "um texto único", que era "um preâmbulo imediato de um acordo". 

Com a possibilidade de acordo, Zelaya decidiu adiar por 12 horas o ultimato que havia dado para que houvesse consenso quanto a sua restituição, anteriormente fixado para a meia-noite de quinta. 

Segundo Meza, o texto alinhado na quarta-feira foi avaliado por Zelaya e pelo presidente golpista, Roberto Micheletti, que fizeram suas respectivas observações. 

Com isso, a tendência é que se chegue a uma versão final do tratado, que está baseado no Acordo de San José, proposta de pacto elaborada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias. 

"O diálogo não terminou. A mesa segue estabelecida, segue funcionando", garantiu o ministro. O presidente deposto, que voltou a Honduras de surpresa no dia 21 de setembro, aguarda um desfecho para o impasse na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está hospedado. 

Em La Paz, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, revelou que os países-membros da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), que se reúnem em Cochabamba, estudam adotar novas sanções contra Honduras, que faz parte do bloco, caso não haja um acordo que promova a restituição de Zelaya nas próximas horas. 

A hipótese mais forte é de que a Alba submeta o país a um bloqueio econômico e comercial até que o regime de facto deixe o poder. 

Durante a cúpula, a chanceler do presidente destituído, Patricia Rodas, apresentará um relatório sobre a atual situação vivida por seu país. 

"Vocês sabem que há um ultimato em Honduras para que Zelaya possa ser restituído", recordou Choquehuanca. "Fala-se de um bloqueio comercial, de um bloqueio econômico. Há várias propostas que poderão ser discutidas", acrescentou.