Você está aqui: Página Inicial / Mundo / 2009 / 10 / Golpistas de Honduras denunciam Brasil em Haia

Golpistas de Honduras denunciam Brasil em Haia

Micheletti acusa governo Lula de ingerência em assuntos internos e diálogo interno, aparentemente esgotado, tenta última saída com chegada de negociadores dos Estados Unidos
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 28/10/2009 19h33
Micheletti acusa governo Lula de ingerência em assuntos internos e diálogo interno, aparentemente esgotado, tenta última saída com chegada de negociadores dos Estados Unidos

O Ministério das Relações Exteriores de Honduras informou nesta quarta-feira (28) ter entrado com uma denúncia contra o Brasil na Corte Internacional de Justiça de Haia. O governo brasileiro é acusado de ingerência em assuntos internos por ter recebido em sua embaixada em Tegucigalpa o presidente legítimo do país, Manuel Zelaya, deposto em um golpe que completou quatro meses.

Procurado, o Itamaraty informou por sua assessoria de imprensa que não foi comunicado sobre a decisão e que não há qualquer posicionamento a respeito. De qualquer maneira, o Brasil e a comunidade internacional não reconhecem o regime golpista, e não devem aceitar as eleições presidenciais marcadas para novembro.

Por outro lado, a aposta dos golpistas, liderados por Roberto Micheletti, é ganhar tempo e conseguir que as eleições deem fim à crise que os próprios criaram. "A restituição do ex-presidente Manuel Zelaya está claro que não será contemplada em um possível acordo entre as duas comissões por ser inconstitucional", insistiu Micheletti em comunicado nesta quarta-feira.

Zelaya, no entanto, afirmou que é ele a única solução para legitimar as eleições. O deposto manifestou mais de uma vez que aceita voltar ao cargo com poderes reduzidos e que se submete às decisões da Justiça, desde que seja garantido um julgamento isento.

Última saída

A chegada nesta quarta de negociadores dos Estados Unidos é vista como uma última possibilidade de conseguir um acordo. A delegação é comandada pelo secretário-adjunto para assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, que depende de aprovação do Senado para ser o embaixador do país no Brasil.

Na terça-feira, o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, manifestou que a situação em Honduras é bastante urgente. "Queremos ver uma eleição, que acontecerá exatamente em um mês, que tenha o tipo de legitimidade internacional que a população de Honduras merece para seu governo", afirmou.

Dentro do governo de Barack Obama há uma discussão sobre o reconhecimento das eleições do próximo mês. Sob pressão do Congresso, o governo pode acabar aceitando o pleito de novembro.