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Líderes latino-americanos apoiam presidente deposto de Honduras

Tensão no país aconteceu porque o presidente Manoel Zelaya queria plebiscito para discutir reeleição; antes mesmo da votação nesse domingo, ele foi levado pelo Exército para a Costa Rica
por Mica Rosenberg publicado , última modificação 29/06/2009 11h10 © 2009 Thomson Reuters. All rights reserved.
Tensão no país aconteceu porque o presidente Manoel Zelaya queria plebiscito para discutir reeleição; antes mesmo da votação nesse domingo, ele foi levado pelo Exército para a Costa Rica

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na Nicarágua (Foto: Reuters. Divulgação)

Tegucigalpa - Líderes da esquerda latino-americana apoiaram o presidente destituído de Honduras Manuel Zelaya nesta segunda-feira (29) e tentaram elaborar uma resposta ao golpe militar que gerou protestos no país e condenação internacional.

Manifestantes favoráveis a Zelaya desafiaram um toque de recolher imposto na madrugada e realizaram uma vigília em Tegucigalpa, enquanto o presidente venezuelano, Hugo Chávez, liderava conversas com Zelaya e outros aliados na vizinha Nicarágua.

O golpe, a primeira crise política na América Central em anos, também será um teste para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, num momento em que ele tenta melhorar sua imagem na América Latina.

O governo Obama pediu a volta de Zelaya ao poder como presidente legítimo de Honduras, o que o coloca lado-a-lado com governos de esquerda que geralmente têm divergências ideológicas com Washington.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu a volta imediata de Zelaya e disse que nenhum outro governo será reconhecido.

As tensões cresceram nesta semana quando Zelaya irritou o Congresso hondurenho, a Suprema Corte e o Exército do país ao pressionar por um plebiscito para obter apoio a uma mudança na constituição que permitiria ao presidente se reeleger além do mandato único de quatro anos.

Antes que ele pudesse realizar a votação no domingo, o Exército de Honduras prendeu Zelaya quando ele ainda estava de pijama e o levou para a Costa Rica, no primeiro golpe militar bem-sucedido na América Central desde o final da Guerra Fria.

"Não podemos permitir um retorno do passado. Não permitiremos", declarou Chávez, que sobreviveu a uma tentativa de golpe em 2002 e que colocou suas tropas em alerta no caso de Honduras investir contra a embaixada do país.

Ao lado de Zelaya, do presidente equatoriano Rafael Correa, e do nicaraguense, Daniel Ortega, Chávez negou que esteja planejando uma invasão. "Estamos aqui para apoiar, respeitando a soberania de Honduras", disse.

O presidente boliviano, Evo Morales, e o secretário-geral da OEA, Miguel Insulza, disseram que se juntarão ao grupo em Manágua ainda na segunda-feira e Washington disse estar acompanhando a crise de perto.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil classificou o golpe contra Zelaya de "atentado à democracia" e pediu que Zelaya seja imediata e incondicionalmente reposto em suas funções.

Honduras era aliada próxima aos Estados Unidos na década de 1980, quando Washington ajudou o país centro-americanos a combater rebeldes marxistas, e os EUA mantêm 600 militares numa base do país usada para missões humanitárias e na ajuda pós-desastres.

Levada à esquerda desde a posse de Zelaya em 2006, Honduras ficou isolada, pois os Estados Unidos, a União Europeia e uma série de outros países apoiam Zelaya.

Fonte: Reuters

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