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Rogério Caboclo é afastado da presidência da CBF por decisão do Comitê de Ética

Acusado de assédio sexual, Rogério Caboclo sai do cargo por 30 dias. Pressionado e sem apoio político, dirigente deixa entidade em meio a crise com Seleção em razão da Copa América

Lucas Figueiredo/CBF
Pressionada por patrocinadores após denúncia grave de assédio sexual, CBF afasta Rogério Caboclo do cargo de presidente

São Paulo – Rogério Caboclo foi afastado por 30 dias, neste domingo (6), do cargo de presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A decisão foi tomada pela Comissão de Ética da entidade, em razão do envolvimento do dirigente em uma acusação de assédio sexual por parte de uma funcionária. Em seu lugar, de acordo com o regimento interno da confederação, o vice presidente mais velho assume o posto enquanto durar o afastamento.

A funcionária da CBF, que não teve o nome revelado, protocolou uma denúncia de assédio sexual e moral contra Caboclo na sexta-feira (4). Entre os abusos, alguns na presença de outras pessoas, que ela teria sofrido, Caboclo quis saber se ela se masturba. Em outra ocasião, o dirigente a teria tentado forçá-la a comer ração de cachorro, chamando-a de “cadela”. A mulher ainda relatou que o presidente da CBF, a outros diretores, teria exposto sua vida sexual, criando narrativas falsas sobre supostos relacionamentos que teria tido com pessoas da entidade. Ela afirma que tem provas de todas as denúncias que fez.

Copa América

Pressionado por patrocinadores e outros dirigentes, Rogério Caboclo agora cuidará de sua defesa. O episódio agrava o momento de atrito entre dirigentes da CBF de um lado e comissão técnica e de jogadores da Seleção de outro, em razão do anúncio da realização da Copa América no Brasil.

O técnico Tite e o elenco prometem se manifestar sobre o assunto na terça-feira (8), após partida contra o Paraguai pelas Eliminatórias da Copa 2022, em Assunção. A expectativa é que jogadores e comissão técnica se posicionem contrários ao torneio, em função da pandemia do coronavírus.

Casemiro, capitão da Seleção, afirmou que há consenso entre jogadores e comissão técnica de não jogar a competição no Brasil . As declarações foram dadas também na sexta-feira, após vitória do time sobre o Equador (2 x 0), em Porto Alegre.

Renato Gaúcho

Os desdobramentos da crise na CBF prometem agitar ainda mais os bastidores do futebol. De acordo com o jornalista André Rizek, do Sportv, Caboclo já teria avisado o presidente Jair Bolsonaro que pretendia demitir o técnico Tite do comando da Seleção, por se recusar a jogar a Copa América. Em seu lugar seria contratado o também bolsonarista Renato Gaúcho, ex-Grêmio.


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