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Segundo consultoria, preço médio de ingresso de futebol subiu 300% em dez anos

Estádios vazios
por Redação da RBA publicado 28/05/2013 17h39
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Pedro Ladeira/Folhapress
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A partida entre Santos e Flamengo, no último fim de semana em Brasília, teve ingressos de R$ 160 a R$ 400

São Paulo – Com a organização das Copas das Confederações, este ano, e do Mundo, em 2014, identifica-se um processo de “elitização” do futebol, por meio, principalmente, do aumento do preço dos ingressos. Mas um estudo recente divulgado pela consultoria Pluri mostra que o fenômeno não é tão recente. De acordo com o levantamento, o preço médio de ingressos dos principais clubes do país aumentou 300% em dez anos, de R$ 9,50 em 2003 para R$ 38 em março deste ano. No mesmo período, o salário mínimo aumentou 183%, a inflação (IPCA) subiu 73% e a cesta básica, 84%. A variação sobe para 506% na conversão para euros e 594% em dólares.

“Apesar de entendermos que o preço dos ingressos não é o único responsável pelo esvaziamento dos estádios brasileiros, certamente é um dos mais relevantes”, diz o relatório, assinado pelo economista Fernando Ferreira, especialista em Gestão e Marketing do Esporte. “Não cabe aqui a discussão sobre a futura política de preços a ser praticada nos novos estádios brasileiros ou uma suposta tentativa de elitização em andamento, mas apenas uma constatação de que essa alta ocorreu em um ambiente de jogos de baixa qualidade, em estádios em situação precária. Ou seja, oferece-se um produto de qualidade cada vez pior, a preços crescentes, em um cenário em que as opções de entretenimento para o torcedor são cada vez menores.”

Para o analista, com o aumento dos preços, o torcedor adota “uma decisão racional de consumo, escolhendo ir apenas aos jogos mais importantes”. Times como Atlético Mineiro e Corinthians, que conseguem atrair público mesmo com ingressos mais caros, seriam exceções à regra. Ferreira sugere uma política de preços “agressivamente flexível”, com variações conforme os jogos. “O futebol brasileiro revogou a lei da oferta e da procura”, diz o economista. “Por aqui, quanto mais vazio os estádios ficam, mais o preço dos ingressos sobe.”

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