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Deputados tentarão negociar liberdade de corintianos após amistoso com a Bolívia

Carlos Zarattini (PT-SP) e Nélson Pellegrino (PT-BA) se encontrarão com parlamentares e ministros bolivianos após a partida; ministro Patriota diz que solução do caso é prioridade
por Maurício Thuswohl, da RBA publicado , última modificação 03/04/2013 19h59
Carlos Zarattini (PT-SP) e Nélson Pellegrino (PT-BA) se encontrarão com parlamentares e ministros bolivianos após a partida; ministro Patriota diz que solução do caso é prioridade

Corintianos realizaram em 2 de março ato em frente ao Consulado da Bolívia, em SP, em defesa dos torcedores presos (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)

Rio de Janeiro – Os 12 integrantes da torcida organizada Gaviões da Fiel que desde 12 de fevereiro estão presos em Oruro, na Bolívia, aguardam com ansiedade a realização no sábado (6) do amistoso entre as seleções do Brasil e da Bolívia, em homenagem ao menino boliviano Kevin Espada, assassinado com um disparo de sinalizador durante a partida entre San José e Corinthians pela Copa Libertadores. A ocasião servirá para que sejam feitas pelas autoridades brasileiras novas gestões pela libertação dos torcedores junto ao governo boliviano. Além disso, os corintianos receberão a visita de integrantes do Ministério das Relações Exteriores e de dois deputados integrantes da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Os deputados Carlos Zarattini (PT-SP) e Nélson Pellegrino (PT-BA) visitarão os 12 torcedores brasileiros presos na Penitenciária San Pedro. Antes, em La Paz, travarão contato com parlamentares bolivianos e com dois ministros (Casa Civil e Justiça) do governo de Evo Morales. “Nessas conversas, vamos tentar mostrar um pouco a necessidade de liberdade dos doze brasileiros, pois eles não têm evidentemente nenhuma culpa”, diz Zarattini.

Pellegrino acompanha o raciocínio. “Pela análise feita em cima das imagens por perito respeitado aqui no Brasil, aparentemente nenhum dos doze foi autor do disparo do sinalizador. Então, não há sentido em que permaneçam presos, sem prejuízo que eles continuem colaborando com o inquérito, seja lá na Bolívia ou aqui no Brasil. Vamos também levar solidariedade aos presos, afinal são 12 brasileiros que estão lá”, diz.

O deputado baiano afirma que o Brasil pretende dar algumas garantias em troca da liberdade dos corintianos: “Outro objetivo da visita é transmitir às autoridades da Bolívia a certeza de que o Brasil não vai deixar de julgar o autor do crime e que não haverá impunidade”, afirma Pellegrino.

Os deputados, que estarão acompanhados por um representante do Itamaraty ainda não definido, também pretendem constatar in loco as condições de detenção enfrentadas pelos brasileiros em Oruro. Há relatos de privação de comida e água e também de prisão em solitárias que teria se seguido à descoberta de aparelhos de rádio com os presos. “Eles estão em uma prisão que, pelas informações que colhemos, não é nenhuma maravilha, mas eles também não estão tendo problemas maiores. Vamos lá ver de perto”, comenta Zarattini.

Itamaraty atento

Por intermédio de sua assessoria, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirma que tem acompanhado “com sentido de prioridade e urgência” os desdobramentos do processo. “No exercício das obrigações inerentes à assistência consular devida a qualquer cidadão brasileiro em dificuldades no exterior, a Embaixada do Brasil em La Paz tem organizado visitas frequentes aos detidos, com prestação de toda a assistência consular possível e empenho em assegurar o rigoroso respeito aos direitos dos brasileiros detidos, inclusive no que se refere a condições dignas de detenção e ao adequado seguimento dos trâmites legais pertinentes”, diz o ministro.

O Itamaraty informa ainda que gestões políticas de alto nível vêm sendo realizadas junto ao governo boliviano” desde o dia em que os brasileiros foram presos: “Em 2 de março, o ministro Patriota enfatizou ao presidente Evo Morales e ao chanceler David Choquehuanca , em visita a Cochabamba, primeira ocasião que surgiu em seguida ao encontro da senhora presidenta com o presidente da Bolívia, a mais elevada relevância que o Brasil atribui ao tratamento dispensado aos brasileiros detidos em Oruro, à plena observância das garantias do direito de defesa do devido processo legal e de condições dignas de detenção”.

Adicionalmente, informa o ministério, contatos referentes ao caso têm sido mantidos pelo subsecretário-geral do Itamaraty para a América do Sul, Central e Caribe, embaixador Antonio Simões, com o vice-chanceler boliviano, Juan Carlos Aluralde, e com a ministra da Transparência Institucional da Bolívia, Nardi Suxo Iturri. Além disso, em 26 de março o subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, embaixador Sergio Danese, viajou até Oruro, onde visitou, com o senador Ricardo Ferraço (PSB-ES), os brasileiros preventivamente detidos: “Desde então, a embaixada em La Paz mantém estreita coordenação com o advogado de defesa dos brasileiros. Também em Brasília diplomatas mantêm contato continuado com autoridades bolivianas sobre o assunto”.

Patriota no Senado

Em entrevista coletiva concedida hoje (3) em Brasília, Patriota afirmou que “o Brasil lamenta imensamente a perda de uma vida, de um jovem boliviano durante um jogo de futebol, mas está muito empenhado em garantir que os direitos dos torcedores presos na Bolívia sejam respeitados e que o tratamento mais sério possível possa ser dado para o equacionamento adequado dessa situação”.

O ministro conversou também com jornalistas estrangeiros. “Com a imprensa boliviana, tive a chance de ressaltar a importância que damos a um tratamento digno para os torcedores presos em Oruro e asseguramos a cooperação judiciária para esclarecer as circunstâncias em que ocorreu essa tragédia, dentro do pleno respeito à soberania boliviana.” Amanhã (4), Patriota comparecerá à sessão da Comissão de Relações Exteriores do Senado, onde falará sobre o caso dos corintianos presos.