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Índios fecham acordo com governo Cabral e desocupam Aldeia Maracanã

Ainda assim, outros manifestantes se recusam a deixar terreno do antigo Museu do Índio e são retirados à força pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar
por Maurício Thuswohl, da RBA publicado , última modificação 22/03/2013 13h14
Ainda assim, outros manifestantes se recusam a deixar terreno do antigo Museu do Índio e são retirados à força pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar

O Batalhão de Choque da PM cercou o terreno do antigo Museu do Índio desde a madrugada de hoje (foto: Vladimir Platonow/ABr)

Rio de Janeiro – O sinal de que um acordo finalmente acontecera após meses de impasse foi dado quando 15 índios pintados com tintas de guerra deixaram, por volta das 10h30 da manhã de hoje (22), o muro do terreno do antigo Museu do Índio, na zona norte do Rio de Janeiro, onde permaneciam debruçados em vigília desde a noite anterior. Eles não tiravam os olhos de um grupo de 30 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar que, apoiado por viaturas e um carro blindado, cercava desde a madrugada o terreno onde foi erguida a Aldeia Maracanã.

A trégua na vigília foi possível porque naquele momento já não existia o risco de desocupação violenta do local, onde se encontram atualmente cerca de 80 pessoas, entre índios, estudantes e militantes dos movimentos sociais. Minutos antes, o governo, a promotoria e os líderes da ocupação chegaram a um acordo e os índios aceitaram deixar pacificamente o terreno, o que acontecerá ainda hoje.

Para sair do local onde estão há sete anos, os índios aguardaram a chegada de um ofício que garantia a validade do acordo. Após a assinatura do documento, um ônibus da prefeitura os levará para um terreno no bairro de Jacarepaguá, onde, de acordo com a Secretaria Estadual de Assistência Social, poderão remontar toda a estrutura que havia no terreno do antigo museu. Segundo o acordo, neste mesmo terreno deverá ser erguido o Centro de Tradições Indígenas, contrapartida prometida pelo governador Sérgio Cabral.

A proposta foi considerada pelos índios como bem melhor do que a anterior feita pelo governo, que previa o alojamento provisório dos moradores da Aldeia Maracanã em um hotel para moradores de rua no centro do Rio.

Confronto

Apesar do acordo, por volta de meio-dia parte do aparato policial do Batalhão de Choque da PM entrou no terreno e tirou à força algumas pessoas que lá permaneciam. Mesmo após o desfecho das negociações com as lideranças indígenas, os policiais tiveram fortes enfrentamentos com outros manifestantes, estudantes em sua maioria, além de poucos índios. Durante a madrugada e a manhã, os manifestantes fizeram três tentativas de fechar a Radial Oeste, principal via de acesso no entorno do Maracanã. Ao todo, segundo a PM foram efetuadas sete prisões.

Antes do acordo, o clima entre policiais e manifestantes ficou tenso em diversos momentos. Houve empurra-empurra e um policial chegou a espirrar spray de pimenta em uma manifestante que tentava pular o muro para entrar no terreno. A maior confusão aconteceu durante a madrugada, quando policiais prenderam o advogado dos índios, Arão da Providência, e mais uma mulher, não identificada, por desacato contra um promotor. Após muita discussão entre os policiais e as lideranças indígenas, os dois acabaram liberados.