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Marín assume para ser mais do mesmo do que foi Ricardo Teixeira durante 23 anos

Substituto é famoso por ter sido vice-governador biônico de São Paulo na época da ditadura e por ter embolsado uma medalha do campeão da Taça São Paulo de Futebol Júnior
por Redação da RBA publicado 12/03/2012 13h10, última modificação 12/03/2012 16h31
Substituto é famoso por ter sido vice-governador biônico de São Paulo na época da ditadura e por ter embolsado uma medalha do campeão da Taça São Paulo de Futebol Júnior

Personagem de investigações, Ricardo Teixeira alega problemas de saúde para tirar o time de campo (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil)

São Paulo – Depois de 23 anos presidindo a Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira anunciou hoje (12) que deixa a CBF por motivos de saúde. José Maria Marín, um dos cinco vice-presidentes da entidade, assume o posto e diz que trabalhará pela "continuidade de uma gestão respeitada em todo o mundo".

Com a saída definitiva, Teixeira, que antes havia apenas pedido licença médica, renuncia também ao comando  do presidente do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014. Marín também assume o COL, ao lado dos ex-jogadores Ronaldo e Bebeto.

"Presidir paixões não é uma tarefa fácil. Futebol em nossos pais é associado a duas imagens: Talento e desorganização. Quando ganhamos, exaltam o talento. Quando perdemos, a desorganização. Fiz o que estava ao meu alcance. Renunciei à saúde. Fui criticado nas derrotas e subvalorizado nas vitórias", afirmou Teixeira, em carta lida hoje pelo novo presidente em entrevista coletiva.

A imagem de Ricardo Teixeira é há muito tempo associada a denúncias de corrupção. Teixeira já foi personagem de destaque em duas CPI, na Câmara dos Deputados. Sua situação começou a ficar insustentável nos últimos meses, depois da publicação de reportagens do jornalista inglês Andrew Jennings – com farto material investigativo comprometendo não apenas Teixeira como também o chefão da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter.

José Maria Marín, nascido em 6 de maio de 1932, terá quase 83 anos quando encerrar seu mandato-tampão, no início de 2015. Quando tinha 20 anos, chegou a jogar no time do São Paulo, mas a carreira de jogador não vingou. Estudou Direito na Universidade de São Paulo (USP) e na década de 1960 ingressou na vida política, chegando a ser presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Nos anos 1970, foi deputado estadual pela antiga Arena, o partido de sustentação da ditadura, pelo qual tornou-se vice-governador do estado na chapa de Paulo Maluf. Assumiu a titularidade do governo em 1982, quando Maluf afastou-se para se candidatar a deputado federal. Deixou o cargo em março de 1983, substituído por André Franco Montoro, já eleito com o voto direto.

Após saída do governo, José Maria Marín deixou os holofotes da vida pública e passou a frequentar os bastidores da cartolagem do futebol. Chegou a presidir interinamente a Federação Paulista de Futebol ainda nos anos 1980.  

Marín voltou ao noticiário "esportivo" no início do ano, no dia 25 de janeiro. Ao participar da cerimônia de premiação do time do Corinthians, campeão da Taça São Paulo de Futebol Júnior, foi flagrado colocando no bolso uma medalha de um dos campeões. O cartola minimizou o episódio: "A medalha foi uma cortesia da Federação Paulista e não era para ter essa repercussão toda. Isso foi uma verdadeira piada”.