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São Paulo

Histórias de moradores da Favela do Boqueirão viram peça de teatro

'Epístola.40: Carta (Des)Armada aos Atiradores', do Núcleo Macabéa, é baseada em trajetórias de pessoas que foram despejadas de comunidades. Obra fica em cartaz até 12 de dezembro no bairro da Luz
por Redação RBA publicado 13/11/2016 13h32, última modificação 13/11/2016 13h43
'Epístola.40: Carta (Des)Armada aos Atiradores', do Núcleo Macabéa, é baseada em trajetórias de pessoas que foram despejadas de comunidades. Obra fica em cartaz até 12 de dezembro no bairro da Luz
Cacá Bernardes/Divulgação
Macabéa

Peça instiga um novo olhar sobre remoções e as mudanças drásticas ocorrem na vida das pessoas depois do despejo

Desde 2011, quando foi criado, o Núcleo Macabéa guarda uma estreita relação com os moradores da Favela do Boqueirão, no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo. Neste mesmo ano, a comunidade sofria com ações de despejo e são estas trajetórias mofidificadas por remoções forçadas que o núcleo resgata na peça Epístola.40: Carta (Des)Armada aos Atiradores, que fica em cartaz até 12 de dezembro na sede da Cia. Pessoal do Faroeste, no bairro da Luz, às segundas, sextas, sábados e domingos.

O núcleo usa como base as memórias que coletaram na comunidade para narrar poeticamente os despejos que ocorrem nas periferias das grandes metrópoles brasileiras. Com texto de Rudinei Borges e encenação de Edgar Castro, a peça narra os andamentos excludentes do despejo de uma família de retirantes nordestinos (Nazara, Judas, Macabéa, Misael e Auarã) que arranjou morada em uma favela na cidade de São Paulo.

“Esta montagem teatral nasce do encontro com as memórias de despejo de moradoras da Favela do Boqueirão. Essas mulheres, vindas de outros estados, encontraram nesta comunidade uma moradia, mesmo em condições precárias. Mas parte significativa da favela foi duramente despejada, pois os barracos foram construídos às margens de um córrego, um esgoto poluído.

Depois do despejo, a situação piorou, uma vez que não tinham mais onde morar. O auxílio-aluguel é um valor insuficiente para que a dignidade de moradia seja garantida. Muitos moradores foram viver na rua. Dessas situações de extrema exclusão e de nenhum diálogo do Estado com a população, nasce a miséria mais profunda do Brasil”, comenta o dramaturgo Rudinei Borges, recentemente indicado ao Prêmio Shell pela autoria de Dezuó, Breviário das Águas, outro espetáculo do Núcleo Macabéa.

Além das histórias orais que os atores do grupo coletaram junto à moradores do Boqueirão, Epístola.40: Carta (Des)Armada aos Atiradores também se baseia no clássico de Clarice Lispector, A Hora da Estrela (1977) e no Primeiro Livro de Macabeus. A obra faz parte das ações do projeto “Tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas – Teatro e História Oral de Vida, uma residência artística do Núcleo Macabéa na favela Boqueirão”, contemplado pela 27ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

A intenção do grupo é instigar um novo olhar sobre as remoções e sobre as mudanças drásticas que podem ocorrer na vida das pessoas depois de uma ação de despejo. “Epístola.40: Carta (Des)Armada aos Atiradores é a metáfora mais adequada de um país que se vê repetidamente despejado da vida. É a fábula de uma família de retirantes que vaga em constante processo de expulsão e, que mal conseguindo fixar moradia numa favela, enfrenta mais uma vez o murro da exclusão”, afirma o encenador Edgar Castro.

A narrativa presente em todos os trabalhos do Núcleo Macabéa passa pelos temas da migração, do exílio, do refúgio, do nomadismo e das andanças dos povos como uma metáforas das travessias.

Epístola.40: Carta (Des)Armada aos Atiradores
Quando: até 12 de dezembro
Sextas, sábados e segundas, às 20h, e aos domingos, às 19h
Onde: Cia. Pessoal do Faroeste
Rua do Triunfo, 305, Metrô Luz
Quanto: pague quanto puder. Distribuição de ingressos uma hora antes do espetáculo
Duração: 90 minutos
Classificação: Livre
Lotação: 50 pessoas
Mais informações: (11) 3151-4664 ou www.epistola.wordpress.com

Ficha técnica
Dramaturgia e coordenação: Rudinei Borges
Encenação: Edgar Castro
Atuação: Alexandre Ganico, Andrea Aparecida Cavinato, Daniela Evelise, Dionízio Cosme do Apodi e Heitor Vallim
Cenografia e figurino: Telumi Hellen
Iluminação: Felipe Boquimpani
Sonoplastia: Dani Nega
Produção: Fernando Gimenes
Programação visual: Renan Marcondes
Fotografia e vídeo: Cacá Bernardes e Bruna Lessa (Bruta Flor Filmes)
Assistência de direção e preparação corporal: Raoni Garcia
Assistência de figurino: Claudia Melo
Oficina de história oral: Marcela Boni
Oficina de jogos grupais: Rani Guerra
Oficina de cultura popular: Cleydson Catarina
Oficina de teatro e imaginário: Andrea Cavinato
Assessoria de imprensa: Luciana Gandelini
Palestra Clarice Lispector: Gilberto Martins
Revisão de texto: Airton Uchoa Neto
Parceria: Cia. Pessoal do Faroeste
Realização: Núcleo Macabéa, Prefeitura de São Paulo, Programa de Fomento ao Teatro, Cooperativa Paulista de Teatro

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