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Teatro

Companhia cria peça baseada em depoimentos sobre crimes homofóbicos

'Já Nascemos Mortos', do Coletivo Sankofa, parte da hipótese de que homossexuais nascem com a sentença de morte anunciada e que a homofobia é legitimada diariamente pela família, escola e pelo Estado
por Xandra Stefanel, especial para RBA publicado 31/10/2015 15h47
'Já Nascemos Mortos', do Coletivo Sankofa, parte da hipótese de que homossexuais nascem com a sentença de morte anunciada e que a homofobia é legitimada diariamente pela família, escola e pelo Estado
Orlando de Souza/Sissa de Oliveira/ Divulgação
Risco

'A proposta é por o dedo na ferida e apontar o que a mídia esconde: a população LGBT corre risco de vida, sim'

Segundo um relatório divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2014 foram assassinados 319 gays, travestis e lésbicas no Brasil e nove cometeram suicídio. Em 2004 foram registrados 149 assassinatos. Em dez anos, a violência mais do que dobrou. Isso motivou o Coletivo Sankofa de teatro a fazer um espetáculo que evidencie o absurdo destes crimes de ódio. A peça Já Nascemos Mortos, fica em cartaz até dia 28 de novembro em São Paulo. Neste sábado (31), ela será apresentada gratuitamente no Centro Cultural da Juventude às 20h.

“Crimes homofóbicos pertencem à categoria dos crimes de ódio. Um ódio que se espalha e cria raízes a partir do fato de que pessoas estão sendo mortas pelo simples fato de amarem e desejarem corpos iguais. Quando nos calamos diante de cada demonstração de violência homofóbica compactuamos para um possível assassinato”, afirma o grupo.

Morte

Com concepção e direção de Anderson Maciel, Nascemos Mortos surge da hipótese de que homossexuais já nascem com sua sentença de morte anunciada, simplesmente por amarem e desejarem pessoas do mesmo sexo. “A urgência de propor a discussão sobre as violências a determinados grupos sociais é uma prática do Coletivo, que já desenvolve ações na perspectiva dos Direitos Humanos. No espetáculo anterior, já trazíamos para a cena recortes de violência contra população LGBT. O interesse desse tema veio justamente em um momento em que se noticiou muitos crimes contra homossexuais, como o do garoto de oito anos assassinado pelo pai só porque tinha 'trejeitos. A proposta é por o dedo na ferida e apontar o que a mídia esconde: a população LGBT corre risco de vida sim, em casa, na escola, na rua, na igreja. Nós todos autorizamos essas mortes”, opina Anderson.

O diretor afirma ter se baseado em notícias de crimes homofóbicos e em 20 depoimentos de familiares de vítimas. Para estas entrevistas o coletivo teve apoio do grupo Mães pela Igualdade, que reúne mães de várias partes do Brasil que lutam contra a discriminação, violência e homofobia.

PerdaA intenção do grupo é fazer com que o público se comova, perceba que estes crimes são institucionalizados e que há muita cumplicidade com estas mortes. O texto não tem peso explicativo e o coletivo transformou as entrevistas em uma dramaturgia confessional. Para reforçar o sentimento de cumplicidade, público estará bem próximo de toda a encenação, o que faz com que os espectadores também integrem o espetáculo.

“A peça vem na perspectiva de incomodar mesmo, de a pessoa revisitar esses espaços de preconceito e conivência. Se você se cala diante de um 'piada' homofóbica, você escolhe um lado. E não é o da vítima. Você legitima a violência e os crimes. O tom confessional da peça aproxima o público da cena do crime, do velório do corpo, da despedida da família. É um convite a reflexão do que nós temos com isso”, afirma Anderson Maciel.

Já Nascemos Mortos será apresentado gratuitamente até dia 15 de novembro e em estará em temporada paga de 7 a 28 de novembro, no Teatro Studio Heleny Guariba.

Já Nascemos Mortos
Temporada gratuita
- Sábado, 31 de outubro, às 20h
Centro Cultural da Juventude
Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641, Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo
Mais informações: (11) 3984-2466

- Sexta-feira, 6 de novembro, às 20h
CEU Parque São Carlos
Rua Clarear, 141, São Miguel Paulista, CEP: 08062-590, São Paulo
Mais informações: (11) 2045-4250

- Domingo, dia 8 de novembro, às 20h
Espaço Cultural Cantinho de Todas as Artes – CITA
Rua Aroldo de Azevedo, 20, Campo Limpo, São Paulo
Mais informações: (11) 5844-4116

- Domingo, dia 15 de novembro, às 18h
Centro Cultural Teatro Refinaria
Rua João Laet, 1507, Mandaqui, São Paulo
Mais informações: (11) 3624-9301

Temporada paga
Aos sábados, de 7 a 28 de novembro, às 20h30
Teatro Studio Heleny Guariba
Praça Roosevelt, 184, Centro, São Paulo
Mais informações: (11) 3259-6940

Ficha Técnica
Concepção e direção: Anderson Maciel
Intérpretes criadores: Amanda Fusco, Betto Severo, Jonas Bueno, Igor Silva, Rodrigo Mar e Tata Ribeiro
Textos: Coletivo
Vídeos: Brunno Dmitri
Figurinos e cenografia: Marcia Novais e Sissa de Oliveira
Trilha sonora: Uelinton Seixas
Desenho de luz: Betto Severo
Operador de luz: Matheus Sousa
Operador de som: Lucas De Souza
Fotografia: Sissa Oliveira e Orlando de Souza
Assessoria de imprensa: 7 Fronteiras Comunicação