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Juca Ferreira apresenta propostas para gestão da Cultura em São Paulo

Secretário municipal de cultura de São Paulo promete diálogo permanente, gestão 'de renovação, inclusão e integração' e diz que prefeito assumiu compromisso de elevar orçamento da pasta
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 06/02/2013 00h15, última modificação 06/02/2013 15h55
Secretário municipal de cultura de São Paulo promete diálogo permanente, gestão 'de renovação, inclusão e integração' e diz que prefeito assumiu compromisso de elevar orçamento da pasta

Evento em que as políticas públicas de cultura pretendidas pelo secretário Juca Ferreira (em pé) foram apresentadas lotou CCSP (Adriana Delorenzo/CC)

São Paulo – O secretário de Cultura de São Paulo, Juca Ferreira, coordenou ontem (5) encontro aberto à participação pública, realizado no Centro Cultural São Paulo (CCSP, na região central), dando início ao programa #existediálogoemSP. O objetivo foi discutir com a população a "construção colaborativa de políticas públicas" durante sua gestão a partir do diálogo permanente e público. Cerca de mil pessoas lotaram a sala Adoniran Barbosa e um espaço anexo, onde o público que não coube na sala principal acompanhou a fala do secretário e o debate em um telão.

Participaram do evento coletivos, produtores de teatro e cinema, empresários, atores, artistas de rua, representantes de diversos segmentos da área cultural, da periferia e das regiões mais centrais de São Paulo. Juca – ex-ministro da Cultura do governo Lula entre 2008 e 2010 – disse, ao iniciar sua participação, que o propósito da reunião foi iniciar o diálogo que pretende manter pelos próximos quatros anos. "Não acredito em política pública de gabinete", disse Ferreira, explicando que o evento teve, entre outros, o objetivo de "compreender as múltiplas demandas sociais" da capital. 

De acordo com o que defendeu o programa de governo que baseou a campanha eleitoral de Fernando Haddad (PT) em 2012, o secretário declarou que a proposta da gestão é de diálogo entre o centro e a periferia e com diversos setores da cultura, seja do ponto de vista territorial da cidade ou temático, considerando as mais variadas formas de manifestação cultural.

"O diálogo vai ser o grande instrumento de trabalho", afirmou. Segundo ele, as diretrizes da Cultura estão de acordo com as que regem "um governo que significa renovação, inclusão e integração. Todos devem ser considerados parte da cidadania", disse Ferreira."

Plano diretor

Ele afirmou que, além de um Conselho Municipal de Cultura forte e "capaz de influenciar as políticas públicas” do governo municipal, pretende “construir o Plano Municipal de Cultura para se integrar ao Sistema Nacional de Cultura, do governo federal". O objetivo, disse, será estabelecer essas políticas nos próximos dez anos. O secretário revelou ainda sua proposta para que, na revisão do Plano Diretor da cidade, as novas diretrizes incorporem a cultura, "que não faz parte desses processos". 

Disse ainda que as ruas e praças “podem se transformar em espaços de manifestação cultural” para artistas locais em um calendário que pode se estender por todo o ano. "A vocação de São Paulo não é só importar shows de músicos internacionais", criticou, sob palmas. "Vamos criar uma curadoria colegiada para cuidar da cultura da cidade. São Paulo comporta eventos em todo o calendário, eventos grandes, médios e pequenos".

Fortalecer os pontos de cultura, potencializar a produção da periferia, dar mais espaço à cultura digital gratuita, "acolher" a cultura do interior do estado e nordestina também foram propostas enumeradas por Ferreira. 

Sobre orçamento e financiamento para as propostas, Juca Ferreira contou que o orçamento médio da secretaria nos últimos anos, de 1,3% , caiu para 0,9% em 2013, de acordo com o que foi aprovado em 2012. "Esta é a má notícia", ilustrou. A "boa notícia", segundo ele, é que Haddad assumiu compromisso de elevar o montante para 2%. O secretário disse que pretende também firmar parcerias com os governos estadual e federal, além da iniciativa privada. Neste último caso, ressaltou, "desde que prevaleça a natureza pública" dos investimentos.

 Vida noturna e cinema

Ferreira afirmou que sua gestão tentará otimizar outra vocação paulistana, a vida noturna. "É preciso pensar uma política cultural para a noite, mudar a visão de que em São Paulo se dorme à noite e se trabalha de dia. A cidade vai ganhar muito se disponibilizar cultura à noite." Para ele, todos ganharão: as pessoas terão opções, e "o teatro e o cinema vão ter mais público."

Sobre cinema, ele revelou que estuda fortalecer a Mostra de Cinema de São Paulo, talvez dotando-a de um caráter de festival, momento em que foi novamente aplaudido. "São Paulo não pode se satisfazer apenas com cinema de shopping, e por isso o cine Belas Artes é importante", disse também – a prefeitura negocia com o proprietário do imóvel do histórico conjunto de salas de cinema na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, o advogado Flávio Maluf (sem parentesco com o político de mesmo sobrenome), uma solução para o espaço, que pode virar um centro cultural. A ideia de Ferreira é evitar que o local, hoje abandonado, se transforme em um centro comercial, como quer Maluf.