Criminalização

Produtores de soja querem armas e liberação de licenciamento ambiental

Associação do setor entregou documento a candidato a vice na chapa de Bolsonaro. Dirigente fala em tranquilidade para trabalhar, preservação da família e contra regimes de esquerda

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Representantes do setor da soja entregam pauta a Mourão, ao lado do presidente do PRTB, Levy Fidelix: apoio total

São Paulo – Em nome da família, da propriedade e de “tranquilidade” para trabalhar, o setor de soja manifestou apoio a Jair Bolsonaro e entregou à chapa do candidato do PSL uma pauta que inclui, entre os primeiros itens, garantia de posse de armas nas propriedades. O ponto seguinte do documento é a liberação de licenciamento ambiental. Além disso, os produtores querem que “a invasão de propriedade rural com intuito de promover a expropriação” seja considerado um ato criminoso.

A pauta da Aprosoja, a associação dos produtores, foi entregue no início do mês ao vice da chapa, general Hamilton Mourão (PRTB), na presença do presidente da legenda, Levy Fidelix. Em entrevista ao site Notícias Agrícolas no dia 5, antevéspera do primeiro turno, o presidente da entidade, Bartolomeu Braz Pereira, afirmou que o projeto de governo do candidato “já tem muita sintonia com o que a gente necessita” e está aberto para a construção de uma política “de acordo com as necessidades do agro”.

Na entrevista, o empresário foi além da questão econômica, ao afirmar que o país sofreria uma “desvalorização da família” e que não pode “caminhar por uma esquerda”, levando a regimes como o comunista, o que seria, segundo ele, “fatal ao potencial brasileiro”. Pereira, que comandava a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás, foi eleito em março para a entidade nacional, com mandato até 2020.

No documento, o terceiro item fala em “garantir a posse de armas nas propriedades em defesa da integridade física e do patrimônio”. Em relação à questão ambiental, a associação pede parar “liberar do licenciamento de atividade as propriedades rurais”, acrescentando que as demais licenças “devem ser concedidas de forma digital automática e online, bastando declaração do proprietário rural”. 

Os representantes do setor queixam-se ainda da presença de organizações não governamentais (ONGs), que segundo eles impõem “moratórias e exigências para a nossa produção”. Na questão fundiária, reivindicam que não haja ampliação de terras indígenas.

“Nós temos um compromisso muito claro com o agronegócio”, disse Mourão ao receber os produtores.