Missão internacional

OEA destaca uso ‘sem paralelos’ das fake news nas eleições brasileiras

'É a primeira vez numa democracia que estamos observando o uso do WhatsApp para disseminar maciçamente notícias falsas'. Chefe da missão de observadores apontou 'dimensões ainda não consideradas' dos impactos

Reprodução
fake news contra Haddad

Fake news contra Haddad. De pesquisas falsas a mamadeiras erótica, as notícias falsas distorcem informações, com graves prejuízos para a democracia do país

São Paulo – A presidente da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que acompanha as eleições no Brasil, Laura Chinchilla, afirmou nesta quinta-feira (25) que o uso massivo de notícias falsas – fake news – para influenciar o debate político, como ocorrido por aqui, não tem paralelos em nenhuma disputa eleitoral democrática. 

“É a primeira vez numa democracia que estamos observando o uso do WhatsApp para disseminar maciçamente notícias falsas, como no caso do Brasil”, disse Chinchilla, ex-presidenta da Costa Rica e que comanda os observadores da OEA. 

Ela se reuniu com o candidato a presidente Fernando Haddad (PT), que além das denúncias envolvendo a utilização de caixa 2 para financiar o espalhamento em massa de notícias falsas, também relatou casos de violência ocorridos durante a campanha por parte de apoiadores do candidato adversário Jair Bolsonaro (PSL) que resultaram inclusive em mortes. 

Chinchilla afirmou que a OEA encaminhou as informações às autoridades eleitorais brasileiras que, segundo ela, se viram “esmagadas” diante do fenômeno das fake news. “A questão das notícias falsas está pegando de surpresa quase todas as democracias do mundo. Já vimos que muitas vezes as autoridades estão sobrecarregadas pelo fenômeno das fake news porque ele é recente e de dimensões ainda não consideradas”, afirmou. 

Ricardo StuckertLaura Chinchilla e Haddad
Chefe da delegação da OEA se reuniu com Haddad e disse esperar encontro com Bolsonaro ainda antes do 2º turno

Ela também afirmou que o caso brasileiro apresenta maiores complexidades porque as notícias falsas foram disseminadas principalmente pelo Whatsapp, e não pelas redes sociais, como ocorreu, por exemplo, durante as eleições norte-americanas em 2016. 

A chefe da OEA também destacou que não teve a oportunidade de tratar do tema das fake news com o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), e disse que espera encontrá-lo ainda antes da votação do segundo turno, no próximo domingo (27). Chinchilla acrescentou que a comitiva da OEA também acompanha testes realizados com as urnas eletrônicas e que até o momento não foram encontrados sinais de vulnerabilidade. 

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