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Doria muda postura, não ataca França e reapresenta propostas batidas

Com tom ameno, candidatos ao governo paulista retomaram propostas, evitaram discussões e não falaram sobre vídeo de conteúdo sexual divulgado como sendo do tucano

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Debate SBT UOL segundo turno em SP

Candidatos evitaram a todo custo discutir como no primeiro debate, que acabou sendo fraco, com repetição de propostas

São Paulo – O segundo debate dos candidatos ao governo de São Paulo, nesta terça-feira (23), teve tom ameno e deixou de lado o “fantasma do comunismo” exaltado pelo candidato do PSDB, João Doria, no encontro anterior. Ele e o candidato do PSB, Marcio França, reapresentaram propostas e buscaram mostrar concordância em vários pontos. O debate foi promovido pelo portal UOL, pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo SBT.

Os postulantes ao governo paulista também evitaram falar sobre um vídeo de conteúdo sexual que está circulando nas redes sociais em que Doria supostamente aparece em cena de orgia com várias garotas. Doria disse que é fake news e que já acionou a polícia para identificar os autores do vídeo que ele diz ser montagem.

Ambos os candidatos defenderam a redução das tarifas de pedágio em rodovias na renovação dos contratos que estão vencendo. “As duas concessões que foram renovadas esse ano tiveram redução de até 25% do valor do pedágio, porque não tem mais investimento grande a fazer. Também vamos incluir nas novas concessões que as empresas se responsabilizem pela manutenção de vias vicinais, que o governo do estado não tem condições de cuidar”, afirmou França.

Doria falou em mudanças na forma de cobrança pelo uso das rodovias. “Vamos diminuir os pedágios às medidas que as novas concessões forem sendo realizadas. Implantaremos a tarifa ponto a ponto. Se o usuário utilizar 20 quilômetros de uma estrada de 100 quilômetros, paga apenas por 20 e não por 100”, disse. E mais uma vez afirmou que vai despoluir os rios Tietê e Pinheiros em oito anos. O governo paulista já gastou R$ 8 bilhões em 25 anos nessa meta, sem sucesso.

França defendeu a valorização dos servidores públicos e garantiu que eles terão melhorias salariais significativas em seu governo. O mesmo vale para os policiais. “Queremos ter os servidores mais bem pagos do país. O orçamento de São Paulo é o maior do país e temos condições de valorizar os servidores. Quero que os policiais de São Paulo sejam os mais bem remunerados do país. Vamos recuperar os salários em quatro anos.”

Ambos também defenderam a ampliação dos restaurantes Bom Prato, com refeições a R$ 1. “Quero levar bom prato para dentro das universidades públicas, dos hospitais e abrir os de rua aos finais de semana. As pessoas vão poder levar as famílias. Já abrimos 16 unidades à noite para a sopa. E vamos ampliar isso”, propôs França. Doria falou em expansão geral. “Bom prato vai ser expandido. Hoje são 56 unidades. Estive lá me alimentando e fui muito bem alimentado. Não vamos aumentar o valor e vamos ampliar a qualidade da alimentação, com mais verduras mais frutas”, afirmou.

França retomou a proposta de abrir mil novas creches para zerar a fila da creche. “É o compromisso número um do meu governo”, afirmou. Também prometeu construir cem novas unidades de Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e abri-los aos finais de semana, para zerar as filas de consultas e exames. “Em seis meses vamos resolver isso. Vamos fazer seis novos hospitais, fechando uma rede de 107 hospitais”, completou. Ele também defendeu cobrar do governo federal um melhor repasse à saúde em São Paulo, por atender pessoas de outros estados.

Doria retomou promessas baseadas em dados distorcidos sobre a criação de vagas em creches e no programa Corujão da Saúde. Ele diz ter feito 42 mil vagas em 15 meses, quando na verdade foram 25,6 mil. As demais foram autorizadas, mas não abertas. O tucano prometeu abrir 1.200 creches em quatro anos.

O ex-prefeito repetiu que zerou a fila de exames médicos na capital paulista. No entanto, dados da Secretaria Municipal da Saúde revelam que Doria incluiu no Corujão apenas seis dos 118 tipos exames que a prefeitura realiza. Na semana em que ele anunciou que havia zerado a fila de exames, em abril de 2017, havia cerca de 200 mil pessoas aguardando por outros procedimentos.