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'coragem que leva a resistir'

Com ‘vergonha’, Bresser-Pereira pede união contra violência

'Vamos deixá-lo governar, mas precisamos estar juntos para impedir que ele leve adiante sua mensagem de violência', afirmou economista, em rede social
Publicado por Redação RBA
14:44
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democracia

‘Se eu fosse mulher, negro ou gay, estaria com medo. Eu não sou, mas estou com medo. Com medo, mas com coragem’

São Paulo – O economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira divulgou nota ainda ontem (28) em que manifesta “vergonha” e preocupação com o resultado eleitoral, mas defendeu também união e vigilância em relação ao próximo governo. “Agora não importa que essa vitória tenha se baseado na fraude eleitoral praticada com a remessa de whats’ups em massa com mensagens deliberadamente mentirosas. Em relação a este problema, temos que esperar o pronunciamento da Justiça. Agora o que é importante é que nos mantenhamos juntos, atentos e fortes. Vamos deixá-lo governar, mas precisamos estar juntos para impedir que ele leve adiante sua mensagem de violência”, afirmou, em rede social.

“Se eu fosse mulher, negro ou gay, eu estaria com medo. Eu não sou nem mulher, nem negro, nem gay, mas estou com medo. Com medo, mas com coragem – com a coragem que afasta o medo e nos leva a resistir”, escreveu Bresser-Pereira. “Eu estou com vergonha da classe média e das elites brasileiras, às quais eu pertenço. Elas foram responsáveis pelo golpe parlamentar que foi o impeachment, e agora apoiaram um candidato neofascista que age abertamente contra os direitos humanos e a democracia. Estou com vergonha das elites paulistas que elegeram um governador tão mau quanto é o presidente”, acrescentou, referindo-se a João Doria (PSDB), também eleito ontem para o governo estadual. O economista foi um dos fundadores do PSDB, mas desfiliou-se do partido.

Segundo ele, a principal preocupação é o chamado “cidadão comum”. “Seu tempo é sempre difícil. Ele está sendo sempre desrespeitado; seu valor não é reconhecido pelas elites. Mas agora as perspectivas que enfrenta são piores, porque é o próprio presidente eleito que se junta às elites no desprezo por homens e mulheres que são iguais em direitos”, analisou.

“Em 1985 foi afinal assegurado o sufrágio universal aos brasileiros. A partir dessa data eles contaram com um certo apoio dos políticos, porque estes sabiam que sua reeleição dependia de agirem como intermediários entre as elites e o povo. Agora, com uma vitória de 11 pontos porcentuais sobre o candidato democrático, os políticos se veem liberados para agir apenas em favor dos poderosos”, disse ainda Bresser-Pereira.