Saudosismo

Brasil que Bolsonaro quer remete a fome, analfabetismo, violência e ditadura

Como era o Brasil de 40 ou 50 anos atrás que o candidato do PSL diz querer reviver se ganhar as eleições presidenciais deste ano

Eduardo Anizelli/Folhapress
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Candidato do PSL exalta tempo em que altas taxas mortalidade infantil, analfabetismo e falta de acesso à saúde eram regras

São Paulo – Em visita ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o candidato do PSL a Presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que seu governo pretende tornar “o Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Embora tenha alegado que fazia referência a questões de segurança pública e costumes, a fala de Bolsonaro trouxe à tona informações comparativas difundidas nas redes sociais que mostram que, apesar do saudosismo, não há motivos para desejar um retrocesso desse tipo.

Em primeiro lugar, há 50 anos, em 1968, foi promulgado o Ato Institucional Nº 5 (AI-5), que determinou o fechamento do Congresso Nacional e acabou com liberdades civis e políticas. Nesse mesmo tempo, a população não podia votar para presidente da República, governadores, prefeitos de capitais e nem nos prefeitos de 162 cidades consideradas estratégicas pela ditadura. Os presos políticos eram torturados e mortos. Criminosos comuns eram executados por grupos de extermínio pelas ruas das cidades, sobretudo nas periferias.

Também havia severa censura à imprensa, teatro, músicas e programas de televisão e rádio. O jornal O Estado de São Paulo sofreu censura de 1.136 textos entre 2 de agosto de 1973 e 3 de janeiro de 1975.

No nordeste brasileiro, a fome assolava a população. Sem qualquer ação efetiva para enfrentar o problema, a estimativa é que tenham 3,5 milhões de pessoas há cerca de 40 anos, a maioria crianças desnutridas. A Unesco estimou que 62% das crianças nordestinas, de zero a 5 anos, na zona rural nordestina, sofriam desnutrição aguda. A taxa de mortalidade infantil no país era de 69 para 1 mil nascimentos e a expetativa de vida era de 48 anos.

Em 1976, 23% da população brasileira vivia na extrema pobreza. O dado mais recente, apesar do cenário de crise atual, é de que 4,8% da população viva nessa situação hoje – o último dado é de 2017. Na mesma época, a taxa de analfabetismo entre pessoas com mais de 15 anos, no país, era de 33,7% da população. Hoje estima-se que 7% das pessoas ainda estejam nessa condição.

O salário mínimo também era bastante inferior, comparativamente, ao que é hoje. Quando criado, em 1940, equivalia, em valores corrigidos, a R$ 1.202. Esse valor oscilou ao longo dos anos, mas entrou em franca decadência quando teve início a ditadura militar. Em 1964, seu valor real era de R$ 728. Em 1976, caiu para R$ 593,83. Hoje, o salário mínimo é de R$ 954. Nos anos 1970, 56% dos brasileiros recebiam um salário mínimo ou menos.

Ainda não existia o Sistema Único de Saúde (SUS) e só quem podia acessar o atendimento médico público era quem tinha carteira assinada e pagava mensalmente o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps), uma espécie de previdência para atendimento à saúde, que pagava unidades privadas com dinheiro público para atender à população.

Com esse modelo, em 1978, a iniciativa privada ficou com 86,48% dos recursos do governo federal voltados para a saúde, que atendiam apenas uma parte da população, enquanto a atenção básica levou só 0,87% dos recursos.

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