De igual a pior

Comparação de projetos econômicos nivela Bolsonaro ao governo Temer

Jornalista compara programas e aponta diferenças essenciais entre pretensões de Bolsonaro, que segue o padrão Temer, e de Haddad, que propõe outro modelo

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Subordinação do Brasil a interesses das corporações estrangeiras assemelha ideia dos economistas de Temer e de Bolsonaro

São Paulo – O jornalista Breno Altman, fundador do portal Opera Mundi, fez um compilado das propostas dos candidatos a presidente nas eleições 2018 para a economia. “Jair Bolsonaro (candidato da extrema-direita ao Planalto, do PSL), um falso nacionalista, quer a dependência nacional, que o Brasil fique dependente das potências capitalistas onde se produz hoje a alta tecnologia”, define o jornalista.

Altman lembra que o setor industrial é atrasado frente às maiores potências e analisa as propostas dos candidatos. “Para acompanhar os países desenvolvidos, o Brasil precisa de uma revolução tecnológica, e só o Estado pode promover isso através das universidades, centros de pesquisa e de um investimento em ciência e tecnologia. Bolsonaro é contra tudo isso. Ele prevê a importação de pacotes fechados sem o desenvolvimento da nossa própria tecnologia.”

Haddad defende que o Estado promova essa revolução tecnológica, continua, através da educação e dos organismos de pesquisa científica. “Nos anos 1990, o Brasil foi ficando para trás no desenvolvimento da indústria de ponta. Ele se manteve na dianteira no agronegócio, mas na indústria ficou para trás”, argumenta, sobre o texto do programa de governo do candidato petista, Fernando Haddad.

O jornalista lembra que o tema econômico é o eixo central da campanha eleitora e defende que o Brasil crie um movimento amplo, muito além do PT, que leve à derrota do candidato autoritário e “à vitória do candidato que representa o campo democrático e popular”.

Altman elenca 10 pontos essenciais em que os candidatos estão em lados opostos. “Haddad defende um modelo de desenvolvimento baseado na expansão do mercado interno, enquanto Bolsonaro tem como sua bíblia econômica exatamente a mesma coisa do governo de Michel Temer (MDB), que é a abertura do país ao capital internacional.”

A identidade das propostas de Bolsonaro com as de Temer é, segundo o jornalista, essencial para entender a distinção dos projetos. “Com o aumento do mercado interno (Haddad), aumenta o emprego, os salários, os investimentos públicos, a atração de investimentos privados, a ampliação de serviços públicos (…) essa força se baseia em aumentar a renda e o emprego, especialmente dos mais fortes. Quem defende o modelo de abertura ao capital internacional (Bolsonaro e Temer), deseja que o país fique barato. Que os ricos paguem menos impostos, que os salários fiquem mais baixos, que os programas sociais sejam menores, que o Estado gaste menos, menos investimento para camadas populares. Para que o capital possa ser atraído ganhando muito dinheiro às custas dos brasileiros.”

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