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Ato em São Paulo levanta a voz popular em defesa da democracia

Avenida Paulista recebe movimentos sociais e cidadãos sem vínculos com nenhum partido, contra a extrema-direita e em apoio à candidatura Haddad. 'É democracia ou ditadura', diz Boulos

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Manifestantes denunciaram esquema de Bolsonaro de caixa 2 para divulgar ataques a adversários

São Paulo – Em dia de manifestações em diversas cidades para expressar o anseio popular pela democracia, a Avenida Paulista, em São Paulo, concentrou um dos maiores atos do país, neste sábado (20), a oito dias das votações do segundo turno das eleições para presidente.

Após concentração no vão livre do Masp, os manifestantes – não houve estimativa oficial de público –, saíram em marcha, num movimento espontâneo, sem discursos de lideranças e sem carro de som, até chegar à Praça da Sé, por volta das 19h. Todas e todos contra as ameaças contra a democracia, representada pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), que foi muito lembrado por seus discursos em defesa da ditadura e da tortura, do machismo, homofobia, racismo e de preconceitos contra a mulher.

Deu força ao ato o escândalo de compra de divulgação em massa de fake news contra o PT e Fernando Haddad por meio do aplicativo Whatsapp, num esquema que envolve doação ilegal por empresas com dinheiro não declarado. o que configura o chamado Caixa 2.

Até o fechamento desta matéria, a hashtag #Caixa2doBolsonaro seguia entre as mais comentadas do mundo desde a sexta-feira (19), liderando por grande parte desse período.

O caso motivou também que pessoas sem vínculo partidário, comparecessem às manifestações e saíssem às ruas para gritar, por exemplo “#EleNão, Haddad sim“, uma das muitas palavras de ordem cantadas onde os protestos foram realizados.

A candidatura de Jair Bolsonaro apoia a ditadura militar, defende explicitamente a violação dos direitos humanos, questiona os direitos das minorias, e a prática comprovada de torturas. Além disso, ameaça constantemente com a quebra da normalidade democrática.  Suas mal apresentadas propostas indicam um projeto político de continuidade e aprofundamento dos ataques aos direitos políticos e sociais do povo brasileiro”, afirmou, em nota, a Frente Brasil Popular, que ajudou a chamar os atos por todo o país.

Os presentes também homenagearam as vítimas de recentes episódios de violência comprovadamente cometidos por apoiadores de Bolsonaro – em que se destaca a morte do mestre capoeirista Moa do Katende, em Salvador. Agressões a jornalistas, estupros e outros crimes relatados tendo motivação partidária também foram relatados.

Professor Fernando Haddad e Manuela D’Àvila não são mais candidaturas do PT, são candidaturas da Frente Democrática, da Frente Ampla Brasileira”, disse o deputado estadual Carlos Bordalo (PT), da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará, que compareceu ao ato em São Paulo.

O líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) Guilherme Boulos, que concorreu no primeiro turno das eleições pelo Psol, chegou ao ato por volta das 18h, já que esteve em comício de apoio a Haddad no Nordeste, pela manhã. “O que está em jogo é a democracia contra a ditadura. […] não são apenas duas candidaturas. Vamos virar o voto. Estive em Fortaleza hoje de manhã e foi lindo, mais de 30 mil, 40 mil pessoas”, disse.

Assista aos vídeos da repórter Cláudia Motta que esteve no ato de São Paulo:

Também sobraram críticas ao candidato do governo do estado, João Doria (PSDB), que foi prefeito da capital e a abandonou para tentar escalar na política, apesar de se dizer não político. Doria cria desafetos até mesmo em seu partido e tenta se colar à figura de Bolsonaro. Amplamente rejeitado na cidade, o tucano não ficou de fora das manifestações de repúdio.

 No Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre e outras capitais, grandes atos também foram reportados. Na capital gaúcha, a candidata à vice-presidência na chapa da Haddad, Manuela d’Ávila (PCdoB) discursou. “Que nos próximos oito dias, cada um de nós, em condição de absoluta igualdade, porque somos iguais, precisamos conversar com todas as pessoas que cruzarem nosso caminho. Quantas forem, amigos, vizinhos, patrão, motorista do uber, do ônibus, vamos falar exaustivamente sobre quem somos. Somos aqueles que acreditamos em um país desenvolvido, que transformamos as mulheres em protagonistas ao dar a chave da casa própria do Minha Casa Minha Vida”, disse.

reprodução/facebookmanu em poa
‘Somos aqueles que acreditamos em um país desenvolvido’

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Manifestantes encerram passeata em defesa da democracia e contra Bolsonaro na Praça da Sé, centro de São Paulo