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Marina fala em 'nacionalizar' segurança e acusa Dilma por 'aumento' da desigualdade

No Espírito Santo, candidata do PSB responsabiliza presidenta por resultados sociais divulgados pelo IBGE e volta criticar gestão da economia: 'Está voltando a reconcentração da renda'
por Redação RBA publicado 18/09/2014 18h50, última modificação 18/09/2014 19h45
No Espírito Santo, candidata do PSB responsabiliza presidenta por resultados sociais divulgados pelo IBGE e volta criticar gestão da economia: 'Está voltando a reconcentração da renda'
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Marina: “Vamos fazer uma política de segurança pública com base na defesa dos direitos humanos”

São Paulo – A candidata do PSB à presidência da República, Marina Silva, disse hoje (18) em Vitória que a presidenta Dilma Rousseff (PT), sua principal adversária na corrida ao Planalto, está entregando um país pior do recebeu de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. “É a primeira vez que isso acontece”, comentou. “Para além do problema da inflação, que volta, do crescimento baixo e juros altos, temos essa triste realidade de que no Brasil, que vinha em processo de distribuição de renda, está voltando a reconcentração da renda.”

As críticas de Marina vieram na esteira de uma pergunta sobre os resultados do Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados hoje (18) pelo IBGE, que aponta ligeiro aumento na concentração de renda do país. De acordo com o índice Gini, que vai de 0 a 1, o desempenho brasileiro passou de 0,496, em 2012, para 0,498, considerando apenas o rendimento médio mensal de todos os trabalhadores. Quanto maior o número, mais desigual um país. Apesar da alta, o Gini de 2013 fica abaixo do resultado de 2011: 0,499.

Entre 2001 e 2012, o IBGE informa que houve melhoria contínua nos números da desigualdade: o índice Gini da distribuição do rendimento do trabalho caiu de 0,563 para 0,496 no período. Já o índice de distribuição do rendimento de todas as fontes também melhorou entre 2001 e 2012: ficou estável (0,569) em 2001 e 2002 até chegar a 0,504 em 2012. No ano passado, voltou a 0,505, nível de 2011. O índice Gini domiciliar variou de 0,499 para 0,500.

Ainda assim, Marina considerou que houve “estagnação” na diminuição da concentração de renda. “Não se está mais no processo virtuoso de redução das desigualdades”, pontuou. “Temos um problema grave de concentração. Os 10% mais ricos ficam mais ricos, e os 10% mais pobres, mais pobres.” De acordo com a ex-ministra do Meio Ambiente, Dilma tem que explicar por que está entregando um país “pior” do que encontrou. “Vamos investir em políticas sociais, mas também fazer com que o país volte a crescer para gerar renda e qualidade de vida.”

Segurança

Ao comentar as dificuldades do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), candidato à reeleição, em enfrentar a criminalidade no estado, Marina também prometeu que irá “nacionalizar” a segurança pública. “Sem ajuda federal não será possível”, prometeu. “Nosso compromisso é desenvolver uma ação integrada entre os governos federal e estadual.”

Mais tarde, no palanque, a ex-ministra lembrou que 56 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil. “Na maioria pobres, filhos de pais e mães pobres da periferia, pessoas que por falta de oportunidades são tragadas pela violência”, pontuou. “Vamos combater o tráfico de armas e o tráfico de drogas, mas vamos fazer uma política de segurança pública com base na defesa dos direitos humanos.”

Para explicar sua proposta, a candidata citou frases do poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare. “Toda justiça que não se faz por amor não é justiça, é vingança”, anotou. “Isso é um dos princípios mais elevados do Direito e das tradições religiosas, inclusive o cristianismo, do qual faço parte, graças a Deus.”

Marina se comprometeu ainda a “honrar contratos e compromissos” em relação à partilha dos rendimentos obtidos pelo pré-sal, que há alguns anos colocou estados produtores, que brigavam por maiores fatias dos royalties, contra a União, que pretende federalizar os benefícios. “Os contratos serão mantidos. O que foi aprovado no Congresso, está agora no Supremo Tribunal Federal (STF). Estamos aguardando que a justiça tome decisão que favoreça estados produtores sem prejuízo de que essa riqueza possa beneficiar todo o país, com recursos para saúde e educação.”