Em disputa

Paulo Teixeira não dá como favas contadas apoio do PSB a Aécio

Deputado diz que há setores do partido à esquerda que rejeitam associação com projeto visto como neoliberal e considera que parte do voto em Marina é próximo das bandeiras petistas

Zeca Ribeiro/Câmara
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Teixeira entende que exposição de avanços e pacto por mudanças podem selar vitória de Dilma

São Paulo – O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), reeleito ontem para novo mandato, não considera ponto pacífico que o PSB dará apoio a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno contra Dilma Rousseff (PT). Ele avalia que a sinalização da candidata derrotada pelo partido, Marina Silva, de que estará ao lado do tucano não pode ser encarada como uma posição oficial da legenda.

“Marina não é o PSB. O PSB não é um partido que tenha identidade com os tucanos. E tem uma esquerda no PSB”, disse, em entrevista hoje (6) à Rádio Brasil Atual. À parte as negociações institucionais, ele entende que uma parcela dos votos em Marina tem mais possibilidade de migrar ao PT que ao PSDB. A ex-ministra do Meio Ambiente encerrou a disputa com pouco avanço em relação a 2010, 21,32% dos votos válidos, ou 22,1 milhões de eleitores. Dilma contabilizou 41,59%, 43,2 milhões de pessoas, contra 33,55% de Aécio, o que representa 34,8 milhões de eleitores.

O analista político Paulo Vannuchi concorda que não é possível dar como certa a adesão do PSB a Aécio. Ele se recorda de que mesmo a candidatura de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco morto em acidente aéreo em 13 de agosto, enfrentou resistências de integrantes da cúpula do partido, que durante 11 anos se manteve na base de apoio ao PT. “O PSB tem como seu presidente Roberto Amaral, que nem queria a candidatura do Eduardo Campos, é um homem de esquerda, que escreve regularmente as posições de um cara absolutamente contra o neoliberalismo”, diz. “Essa subida meteórica do Aécio nos últimos dias repete algo desses foguetes que sobem muito rápido. Se a eleição é na hora que ele está subindo, ele ganha. Se a eleição é depois, ele perde.”

O Nordeste é a principal dificuldade de Aécio para superar Dilma. Ele ficou quase sempre entre 10% e 20% dos votos válidos na região, marcando apenas 5,92% em Pernambuco. “Tenho impressão que o voto da Marina no Nordeste tem grande proximidade conosco, e é voto de uma pessoa que recebe até cinco salários mínimos, por isso acho que tem uma vizinhança desse voto conosco”, avalia Teixeira.

De outro lado, o tucano teve seu desempenho mais relevante em São Paulo, onde obteve 4,2 milhões de votos a mais que Dilma. Para o parlamentar petista, o segundo turno será marcado por uma disputa dura, mas com um terreno vantajoso a seu partido na comparação dos dados econômicos e sociais dos governos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma. Ele entende que houve um erro do PT de não se opor, no território paulista, à difusão de um sentimento de ódio contra a sigla.

“Agora, tendo polarização, nitidez e debates, podemos mostrar o que estamos fazendo nesses projetos de mudanças, quantas nós fizemos e as nossas credenciais para mudar mais”, diz Teixeira. Ele entende que a exposição do projeto de Aécio será benéfica ao PT à medida que poderá ser associada à perda de direitos, ao arrocho salarial e ao desemprego.

À “desconstrução” de Aécio ele soma como fatores fundamentais para a vitória de Dilma no segundo turno a exposição dos avanços do atual governo, a garantia da ideia de que o PT é o mais indicado para as mudanças de que o país precisa e o combate à corrupção como uma marca que diferencia a atual gestão do que ocorria no passado. “O Brasil conseguiu o que conseguiu por conta de uma ação antineoliberal. Temos que mostrar para a população esses riscos, e esses são os pilares para conseguirmos a vitória que possa vir no dia 26.”