Manchetômetro

Em uma semana, JN teve 16 reportagens negativas para Dilma, e uma para Aécio

Ao longo do ano, denúncias contra PT tiveram três vezes mais espaço que as contra o PSDB. Segundo levantamento de pesquisadores da Uerj, mensalão tucano e corrupção no Metrô sumiram da cobertura

Marcos Fernandes/Coligação Muda Brasil/Fotos Públicas
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O Metrô de Alckmin e o aeroporto de Aécio não inspiram tantos cuidados quanto a Petrobras de Dilma

São Paulo – Levantamento divulgado esta semana pelo Manchetômetro mostra que supostas denúncias contra o PT despertam três vezes mais atenção da mídia tradicional que os casos envolvendo políticos do PSDB. Ao longo de 2014, 567 reportagens trataram de “escândalos” com participação de petistas, contra 187 em que apareciam quadros tucanos.

Neste ano foram tratadas no noticiário seis denúncias de cada um dos partidos, segundo os dados reunidos pelos integrantes do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública, sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A contabilidade envolve apenas a mídia impressa, com Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo.

Envolvem o PSDB o aeroporto de Cláudio, em Minas Gerais, construído com dinheiro público do governo estadual para beneficiar um tio do ex-governador Aécio Neves, com apenas 13 reportagens no escopo analisado; a corrupção no Metrô de São Paulo, com 28 matérias, e o desdobramento específico do caso Alstom, com 22; o mensalão tucano, com 18 textos; e, por fim, a seca do sistema Cantareira, em São Paulo, com 106 reportagens.

Já os petistas são citados pela denúncia de uso da estrutura dos Correios para a campanha de Dilma, com 3 textos; o mensalão, com 128; a alteração de informações do perfil da Wikipedia da analista econômica Miriam Leitão, da Globo, com nove reportagens; e o caso mais volumoso em termos numéricos, todos envolvendo Petrobras e empresas públicas, como a denúncia contra o doleiro Alberto Yousseff, acusado de pagar propinas a políticos, com 106 matérias, situações envolvendo a presidenta da estatal, Graça Foster, com 32, e a petrolífera em si, com 289.

A retomada dos dados de 2010 oferece outra base de comparação interessante. Naquele ano eleitoral, houve apenas uma temática de denúncia contra o PSDB, que rendeu 82 reportagens, contra seis assuntos e 1.501 textos contra o PT.

Os responsáveis pelo Manchetômetro fizeram também um recorte temporal para as denúncias. Os gráficos mostram que a diferença de interesse entre as denúncias contra petistas e tucanos aumenta à medida que se aproxima a disputa eleitoral. Em setembro foram 99 reportagens desfavoráveis ao governo de Dilma Rousseff, contra 13 negativas a Aécio Neves e políticos do PSDB – no mês anterior, o placar foi de 96 a 34, e ficou em 35 a 27 em julho. A Petrobras, sozinha, contabilizou 62 reportagens negativas no mês que antecede a disputa eleitoral.

No caso do PSDB, a última citação ao aeroporto construído por Aécio na fazenda do tio se deu na primeira quinzena de agosto. No final de julho surgiu a última reportagem sobre o mensalão tucano, e data da semana entre 17 e 23 de agosto a última citação às denúncias de corrupção no Metrô paulista. O caso mais frequente no noticiário envolvendo os tucanos é o do colapso do sistema de abastecimento de água do estado comandado por Geraldo Alckmin: são 13 reportagens em setembro.

No tratamento geral, consideradas todas as reportagens, o Manchetômetro mostra que Dilma Rousseff continua a receber tratamento diferente do dedicado aos demais adversários nesta reta final de primeiro turno. No Jornal Nacional, a presidenta sofreu 16 reportagens contrárias entre 25 de setembro e 2 de outubro, contra uma de Aécio e nenhuma da candidata do PSB, Marina Silva. Nos meios impressos, a Folha de S. Paulo publicou sete textos negativos para a petista e um para a ex-ministra, ao passo que O Globo teve placar de 27 a um, com uma reportagem desfavorável a Aécio e uma a Marina. Já O Estado de S. Paulo dedicou 33 textos a críticas à candidata à reeleição, dois ao tucano e um a Marina.