Horário eleitoral

Aécio propõe na TV, para o país, programa de educação que não funciona em Minas

Ex-governador mineiro quer implementar Poupança Jovem, criado em 2007, que só atende a nove dos 853 municípios do estado e é objeto de críticas de profissionais de educação e alunos

José Paulo Lacerda/Confederação Nacional da Indústria
Aécio-CNI

Ex-governador criou programa em 2007, em seu segundo mandato em Minas Gerais

São Paulo – O senador, ex-governador de Minas Gerais e candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, dedicou a maior parte de seu programa da TV, no horário eleitoral de hoje (28), a propor a implementação no país do Poupança Jovem, programa instituído em Minas em 2007, em seu segundo mandato.  “A Poupança Jovem é a minha proposta”, disse. Segundo ele, a meta é estender o programa a todo o Brasil até 2017.

O problema é que o Poupança Jovem de Aécio é não apenas superficial, já que não enfrenta a questão educacional de maneira estrutural, como é alvo de críticas, reclamações dos beneficiados e abrangência mínima em seu estado.

A imprensa de Minas tem divulgado que apenas nove dos 853 municípios do estado oferecem o benefício, pelo qual os alunos do ensino médio recebem R$ 1 mil por ano, que só podem “sacar” após o terceiro ano, e se não interromperem os estudos.

Dos R$ 57,6 milhões previstos no orçamento do ano de 2014, o programa teve apenas R$ 6 milhões (10,4%) executados. Segundo o site Pautando Minas, a coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE/MG), Beatriz Cerqueira, diz que o Poupança Jovem é apenas uma vitrine. “Ele não tem nenhuma repercussão no estado e não atende ao seu objetivo. Não chega à maioria da juventude e, portanto, se torna ineficaz”, afirma. Os alunos com direito a receber o benefício reclamam de frequentes atrasos no pagamento da bolsa.

Ao prometer o Poupança Jovem, Aécio não esclarece de onde sairia o dinheiro. Considerando que o país tem hoje 8,4 milhões de jovens matriculados no ensino médio, para manter a bolsa para esses estudantes ao custo de R$ 1 mil por aluno, o governo federal teria de dispor de R$ 8,4 bilhões por ano.