Sem conexão

Tablets prometidos pela prefeitura de São Paulo para 2020 não chegaram aos alunos

Pelo menos 60 mil alunos não tiveram nenhum contato com a plataforma online da secretaria de Educação em 11 meses de ensino a distância. Aulas presenciais são retomadas nesta segunda (15) e secretário promete entrega de todos os equipamentos para abril

TCESP/Reprodução
Professores denunciam que a montagem das salas digitais também não foi concluída pela secretaria municipal de Educação

São Paulo – Com a retomada das aulas presenciais limitadas a 35% dos estudantes nesta segunda-feira (15), a prefeitura de São Paulo quer reforçar o ensino a distância com a distribuição de 465 mil tablets com chip que ainda não foram entregues aos alunos da rede municipal. Seis meses após o anúncio de compra, em agosto, nenhum equipamento foi distribuído pela gestão de Bruno Covas (PSDB). 

Enquanto isso, dados da própria secretaria de Educação mostram que 60 mil alunos, o equivalente a 10% de toda a rede municipal, não tiveram contato com a plataforma de estudo online durante os 11 meses de ensino a distância.

Em entrevista ao canal O Planeta Azul, o chefe da pasta, Fernando Padula, adiou para até o fim de abril o prazo de entrega dos tablets. De acordo com o secretário, a distribuição dos equipamentos pela prefeitura de São Paulo deve priorizar os 10% que não tiveram acesso à internet. Assim como outros 20% dos alunos que tiveram baixa conectividade com a plataforma de ensino online. Também devem ser priorizados na entrega os estudantes que tiveram pior desempenho na Avaliação Diagnóstica realizada no final de 2020.

Segundo Padula, a compra dos tablets com o chip da internet já é suficiente para garantir o acesso dos estudantes.

As críticas dos professores

O secretário explica que a “ideia é justamente focar em 2021 na aula regular, presencial, os conteúdos deste ano”. Para, no contraturno, “via tablet, os estudantes acessarem o conteúdo do ano passado que ficou defasado”.

No entanto, das quatro mil escolas da capital paulista, pelo menos 530 delas não abriram por conta da falta de funcionários de limpeza. Além disso, desde a semana passada, trabalhadores da educação protestam contra a insegurança na volta às aulas presenciais em meio ao agravamento da pandemia de covid-19. Os professores e demais servidores denunciam que as escolas não estão totalmente adaptadas para o funcionamento dentro das condições que a crise sanitária exige.

O próprio Padula também diz reconhecer a insegurança dos profissionais e alegou que o prefeito batalha pela antecipação da vacina ao grupo. “Por outro lado, a gente ouve infectologistas, especialistas da área de saúde, que dizem que, seguindo os protocolos, máscara e distanciamento e bastante higienização das mãos, é possível voltar com segurança”, argumenta o secretário. 

Os professores, contudo, ressaltam que esta não é a realidade das instituições municipais. Há, segundo eles, “salas mal ventiladas, poucos banheiros e oferta de equipamentos de proteção individual é insuficiente”. Outro desafio é que a montagem das salas digitais também não foi concluída. A respeito deste e outros obstáculos para a garantia da educação em meio à pandemia, como a evasão escolar, o secretário também fez uma análise ao canal O Planeta Azul

À frente da pasta de Educação há pouco mais de um mês, Fernando Padula já foi chefe de gabinete da secretaria estadual de Educação, em 2014, durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), e foi denunciado no processo conhecido como “máfia da merenda”.

Confira a entrevista do canal O Planeta Azul


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