sem condições

Doria adia volta às aulas em São Paulo por agravamento da pandemia de covid-19

Volta às aulas em São Paulo ficou para 8 de fevereiro. Governador anunciou também que não haverá qualquer atividade presencial nas fases vermelha e laranja

arquivo/ebc
As atividades presenciais estão suspensas desde março do ano passado por conta da pandemia de covid-19

São Paulo – O governador paulista, João Doria (PSDB), anunciou hoje (22) o adiamento da volta às aulas em São Paulo prevista para o próximo dia 1° de fevereiro. O agravamento da pandemia de covid-19 nas últimas semanas foi determinante para a decisão. Segundo o governador, nas fases laranja e vermelha não haverá obrigação de comparecimento dos estudantes às aulas presenciais. O estado está passando por uma nova atualização do Plano São Paulo hoje, com todo o estado passando para as fases vermelha e laranja.

Hoje, o estado de São Paulo está com 71,1% das unidades de terapia intensiva (UTI) para pacientes de covid-19 ocupadas. Na Grande São Paulo são 71,5%. Até ontem, havia 13.817 pessoas internadas, sendo 7.764 em enfermaria e 6.053 em UTI, com média diária de 1.727 novas internações. A média de novos casos está 11.645 por dia, a mais alta desde o início da pandemia. A média de mortes diárias está em 236, a mais alta desde 20 de agosto.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares, está suspensa a obrigação dos estudantes da rede pública de cumprirem a volta às aulas presenciais em São Paulo, mesmo nas fases laranja e vermelha – em que todo estado vai estar a partir de segunda-feira (25). Mas se as famílias desejarem, poderão enviar as crianças para as aulas presenciais. Na rede privada, as aulas presenciais poderão ser retomadas a partir de 1 de fevereiro.

As escolas serão abertas em 8 de fevereiro, para atendimento de estudantes que precisem de ajuda para acessar as atividades on-line. As atividades remotas seguirão normalmente. Segundo Soares, a primeira semana de fevereiro será de formação dos professores e de comunicação com as famílias.

Ontem, trabalhadores em educação da rede municipal da capital paulista apresentaram uma contraproposta à prefeitura, sugerindo que só se discuta retomada de atividades presenciais em março, se houver melhora da situação em fevereiro. Já o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) realizou uma manifestação na manhã de hoje (22), em frente à Secretaria da Educação, contra a proposta de retomada das aulas presenciais. Ambos os grupos não descartam entrar em greve.

“Nosso posicionamento é contrário que, nesse momento de aguda crise sanitária, com crescimento da contaminação pelo covid-19, haja retomada das aulas presenciais. Esse calendário apresentado pela Secretaria Municipal de Educação, de retomada com as atividades de planejamento a partir do dia 1º de fevereiro e já das aulas presenciais a partir do dia 15 é muito precipitado e requer extremo cuidado. Nós não podemos aceitar”, disse o presidente do Sindicato dos Profissionais de Educação no Ensino Municipal (Sinpeem), Claudio Fonseca.

Para a presidenta da Apeoesp e deputada estadual, Professora Bebel (PT), a volta às aulas em São Paulo é precipitada e pode ter consequências gravíssimas. “Não faz o menor sentido confinar professores e estudantes em ambientes fechados e mal ventilados, em locais sem a estrutura adequada para a efetivação dos protocolos sanitários, como são as escolas”, afirmou.

Bebel cobrou ainda que os professores sejam incluídos nos grupos prioritários da vacinação. “O governo age de forma totalmente contraditória. Considera o trabalho dos professores como uma atividade essencial, mas não nos considera essenciais no plano de vacinação. Antes de se pensar em reabrir as escolas, a primeira providência deve ser a vacinação de todos os profissionais da educação na primeira fase, juntamente com os profissionais da saúde, idosos e indígenas”.


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