Pandemia

Defensoria alega insegurança e pede adiamento do Enem

Entidades apontam crescimento do número de casos de covid-19. Exame está marcado para os próximos dias 17 e 24

Mariana Leal/MEC
Quase 6 milhões de estudantes devem participar das provas

São Paulo – A Defensoria Pública da União (DPU) recorreu à Justiça pelo adiamento das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), na versão impressa, marcadas para os dias 17 e 24. O Enem já teve um cancelamento. Seria realizado em novembro, mas a data mudou em razão da pandemia. Já a versão digital está prevista para o dia 31 deste mês e 7 de fevereiro. Estão inscritos aproximadamente 5,8 milhões de candidatos.

“Temos uma prova agendada exatamente no pico da segunda onda de infecções, sem que haja clareza sobre as providências adotadas para evitar-se a contaminação dos participantes da prova, estudantes e funcionários que a aplicarão”, diz o documento encaminhado à Justiça Federal. A DPU acrescenta que neste momento de novo aumento de casos de covid-19 “não há maneira segura para a realização de um exame com quase seis milhões de estudantes”.

Falta de diálogo

Na última quinta-feira (7), entidades estudantis também criticaram o governo por sua postura. “Diante da situação atual, mais uma vez, o MEC não dialoga com entidades e com a sociedade sobre a situação do ENEM, e como ela poderá ser realizada em segurança, mesmo sendo cobrado diversas vezes pela UNE e pela UBES. Vale ressaltar ainda que diante da consulta pública feita pelo próprio MEC a escolha dos estudantes para realização da prova foi o mês de Maio, resultado que foi desconsiderado”, afirmam, em nota, a União Nacional dos Estudantes, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e a Associação Nacional de Pós-Graduandos.

Ontem (8), foi a vez de entidades científicas se manifestarem, encaminhando carta ao ministro da Educação, Milton Ribeiro. No documento, seus representantes afirmam que as medidas propostas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) “não são suficientes para garantir a segurança da população brasileira, num momento de visível agravamento da pandemia no país”. A carta é assinada por entidades como Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre outras.