Novo chefe do MEC

Vídeos do ministro: criança deve ser educada na dor; e ‘paixão louca’ justifica feminicídio

Canal de vídeos do pastor Milton Ribeiro, novo ministro da Educação, traz aberrações como não haver “cura” com métodos justos e suaves

Reprodução
Pastor Milton Ribeiro levará moralismo religioso, autoritarismo e misoginia para o MEC?

São Paulo – “Não dá para argumentar de igual para igual com criança, senão ela deixa de ser criança. Deve haver rigor, severidade. Vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: deve sentir dor”, defende o pastor e professor Milton Ribeiro, indicado ontem como novo ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro. O “ensinamento” está em trecho de uma pregação que pode ser encontrada em canal de vídeos de Milton Ribeiro. Vídeos começar a circular ontem nas redes, depois da indicação do pastor presbiteriano pata o MEC, causando indignação generalizada. Segundo Ribeiro, a “cura” para uma criança não vai ser obtida por métodos “justos e suaves”. “Talvez uma porcentagem muito pequena de criança precoce, superdotada, é que vai entender seu argumento. Deve haver rigor, severidade.”

Paixão louca

Em outro vídeo, também em circulação nas redes, conforme a Revista Fórum, o pastor Milton Ribeiro afirma que um homem de 33 anos que matou uma adolescente de 17 “confundiu paixão com amor”. Ao tentar justificar o feminicídio, Ribeiro disse que paixão “é louca mesmo”. “Acho que esse homem foi acometido de uma loucura mesmo e confundiu paixão com amor. São coisas totalmente diferentes. Ele, naturalmente movido por paixão, paixão é louca mesmo, ele então entrou, cometeu esse ato louco, marcando a vida dele, marcando a vida de toda família. Triste”, disse.

Ribeiro afirmou ainda que a adolescente “pode ter dados sinais a ele que estava apaixonada ou coisa do tipo”, o que pode ter “chamado” o homem para um relacionamento. Ele diz ainda que tais comportamentos sexuais são aprendidos por crianças vendo televisão.

“Ela pode ter dados sinais a ele que estava apaixonada ou coisa do tipo e que ela aprendeu, está acostumada a passar, e o cara entendeu assim, só que não era nada daquilo. E a criança pode fazer isso. E o cara, o pedófilo está pensando que a criança está querendo alguma coisa com ele, mas o que ela está fazendo é uma replicação daquilo que ela vê de maneira indevida na tevê aberta”, afirmou.

Milton Ribeiro, tem uma coletânea de vídeos na internet no canal Meditando na Sã Doutrina. Em um desses vídeos, intitulado “uma sociedade deteriorada”, ele relaciona “sexo sem limites” com o que é “ensinado nas universidades”.