currículo maquiado

Decotelli pede demissão e deixa o MEC antes de ser empossado

Indicação não resistiu à desmoralização causada pelos sucessivos desmentidos sobre a série de artifícios usados pelo ex-ministro para inflar seu currículo acadêmico

Marcello Casal Jr. ABR

São Paulo – Um dia após afirmar que se manteria no cargo de ministro da Educação, Carlos Decotelli apresentou hoje (30) pedido de demissão do MEC. O desgaste no governo e a pressão dos militares, constrangidos com a série de desmentidos sobre a titulação acadêmica de seu indicado, pesaram na decisão do presidente Jair Bolsonaro para pôr fim na crise.

Decotelli foi apresentado na última quinta-feira (25) por Bolsonaro, por meio de seu Twitter. No post, o presidente destacou o currículo do escolhido, que incluía pós-doutorado pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha, doutorado pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, e mestrado pela Fundação Getúlio Vargas. O doutorado foi desmentido no dia seguinte, os sinais de plágio no mestrado foram expostos no sábado por um professor universitário, e ontem foi a vez de a instituição alemã negar que o nomeado tivesse completado o curso alegado.

:: Ministro da Educação pode ter mestrado cassado

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Anderson Correia, é o mais cotado para assumir a pasta. Mas há outros nomes, como o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, o integrante do Conselho Nacional de Educação Antonio Freitas, que é professor da FGV – que aparecia como orientador de Decotelli em Rosário e o ex-assessor do MEC Sérgio Sant’Ana.

Salles e Damares

Candidata a vice-presidente de Fernando Haddad (PT) na eleição de 2018, Manuela d’Ávila (PCdoB) usou seu Twitter para lembrar outros ministros de Bolsonaro que mentiram em seus currículos. E que igualmente deveriam perder seus cargos.

Ricardo Salles, do Meio Ambiente, afirmava deter título de mestre em políticas públicas pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Foi desmentido quase dois meses depois de empossado, pelo The Intercept Brasil. Por sua vez, Damares Alves (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) afirmou ter mestrado, quando na verdade não tinha. Acabou revelando que era mestre nas atividades de sua igreja.

Com informações da Folha de S.Paulo – Edição: Fábio M. Michel