#AdiaEnem

Prefeito de Itapevi (SP) vai à Justiça Federal pelo adiamento do Enem

Prefeito argumenta que estudantes carentes serão prejudicados pela falta de condições e que 14 de 19 países com exames similares ao Enem decidiram suspender

Reprodução
Estudantes carentes, como são na maioria os de Itapevi, não têm ambientes de estudo apropriados, como os da propaganda do Ministério da Educação

São Paulo – A suspensão do cronograma Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é alvo de uma Ação Civil Pública ajuizada na 5ª Vara Cível da subseção judiciária de São Paulo nesta quarta-feira (13) pelo prefeito de Itapevi, Igor Soares (Pode). O pedido para suspender o Enem ocorre em meio uma movimentação estudantil – #AdiaEnem –, marcada por protestos virtuais nesta-sexta-feira (15)

O gestor do município da Região Metropolitana de São Paulo quer suspender as inscrições, que devem ser feitas até o próximo dia 22, e as provas presenciais, marcadas para os dias 1 e 8 de novembro.

“Escolas públicas, privadas e militares de todo o Brasil estão com as aulas presenciais suspensas. Há casos de suspensão desde meados de março, comprometendo toda a dinâmica de aprendizado”, justificou o prefeito.

Ao contrário da propaganda do Ministério da Educação, que expõe uma imagem distorcida da realidade da ampla maioria dos estudantes brasileiros, há muita dificuldade para os estudos a distância.

Em cidades com populações mais carentes, como é o caso de Itapevi, muitos jovens não têm estrutura adequada para estudar em casa. Faltam computadores e também espaço, onde podem ter silêncio e sossego para se concentrar nos estudos – daí o prefeito ter ido à Justiça.

“Outra problemática é a falta de acesso à internet. Infelizmente, a internet ainda não é para todos, ou seja, o estudo à distância não seria possível para pelo menos 30% dos alunos da cidade de Itapevi”, destacou Igor. “A realização do Enem nesse momento será uma medida de exclusão dos menos favorecidos”, acrescentou o prefeito.

Outros países

De acordo com a prefeitura, a ação civil pública inclui levantamento sobre as medidas de outros países em relação a provas nacionais. Entre os 19 que têm exames de ingresso no ensino superior similares ao Enem, 14 alteraram o cronograma em decorrência da pandemia que assola o mundo.

“Manter o cronograma do Enem 2020 é ampliar as desigualdades de acesso ao ensino superior por todo um ciclo educacional, violando a cidadania, o direito à educação, à dignidade da pessoa humana, o desenvolvimento nacional – já que um país rico é um país que garante educação de qualidade – e a promoção do bem de todos, especialmente dos mais carentes, entre outros preceitos constitucionais”, defendeu o prefeito.