Impactos do coronavírus

UNE vai ao MPF por redução das mensalidade nas universidades particulares

Em função da pandemia, instituições adotam ensino a distância, mas continuam cobrando mesmo valor do curso presencial

Reprodução/MCTIC
EaD na rede pública de educação vai agravar as desigualdade sociais e não deve ser proposta de salvação do ano letivo

São Paulo – A União Nacional dos Estudantes (UNE) entrou com representação no Ministério Público Federal (MPF) reivindicando a equiparação das mensalidades dos cursos presenciais, nas universidades particulares, com as da modalidade de ensino a distância (EAD). Seguindo orientações do Ministério da Educação (MEC), as aulas presenciais foram suspensas em função da pandemia de coronavírus, e o EAD vem sendo adotado como alternativa.

Com menores custos para as instituições de ensino, os cursos a distância tem mensalidades mais baratas. Agora, que a estratégia foi disseminada para cursos antes presenciais, os alunos reivindicam a redução do valor cobrado, além de outras medidas.

Segundo a diretora de universidades privadas da UNE, Liz Filardi, a entidade já reuniu mais de 40 mil assinaturas em abaixo-assinado pela redução das mensalidades. “Por que pagar um valor de um serviço que você não está recebendo? Sabemos que o ensino presencial é mais caro, tem mais custos, do que o ensino a distância”, cobrou a dirigente.

Inadimplência

Além da redução, a UNE quer que os alunos não tenham as matrículas cortadas por falta de pagamento, enquanto durar a pandemia. “Tem muita gente perdendo o emprego. Outros são autônomos e não está conseguindo manter sua renda. Tem muito estudante que vende bolo e brigadeiro nas universidades para conseguir pagar os estudos, e agora não está conseguindo.”

Os estudantes reivindicam, ainda, a garantia de trancamento do semestre sem taxação, a impossibilidade de reprovação por falta e que não se altere o Coeficiente de Rendimento (CR) com base nas notas do primeiro semestre de 2020. “Muitas bolsas e vagas de estágio dependem de um coeficiente elevado”, frisa Liz.

Desigualdades

Ela afirma que são muitos os estudantes das universidades particulares que não têm acesso à internet em casa, o que inviabiliza a continuidade do curso remotamente. Outros não estão adaptados ao EAD, e temem que a qualidade dos cursos não seja mantida. Por tudo isso, a UNE pede que o MPF delibere sobre as regras a serem cumpridas por todas as entidades privadas. “A gente sabe que nem todas prezam pela educação. Muitos prezam, antes, pelo lucro.”