Gestão tucana

Crianças sem vaga de 1º ano ainda aguardam solução do prefeito Covas

Prefeitura adiou previsão de que as crianças sem vaga no 1º anos poderiam começar a ter aula em nova unidade no mês de março

Arquivo EBC
Crianças que deveriam iniciar o ensino fundamental esse ano ainda aguardam vagas na zona sul de SP

São Paulo – Passado um mês desde o início das aulas, a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) ainda não resolveu a situação de cerca de 300 crianças de 6 anos que devem ingressar na primeira série do ensino fundamental este ano e estão sem vaga em escola na região de Pedreira, zona sul da capital paulista. A previsão era de que uma nova escola fosse aberta emergencialmente até o início de março, mas agora o executivo municipal informa que a unidade deve ficar pronta no início de abril. Os familiares reclamam de não ter qualquer confirmação dessa medida, nem qualquer outra informação sobre prazos para a solução do problema.

Desde janeiro as famílias dos estudantes se viram como podem, deixando os filhos com parentes, pagando escola particular ou pessoas para tomar conta das crianças e levando elas para o trabalho. “Desde o fim do ano, quando ocorre a última reunião, já sabíamos que ela estava sem vaga em escola definida. Deram o prazo até 17 de dezembro para resolver, porém não foi apontada nenhuma escola. Depois deram prazo até 6 de janeiro, também nada”, diz a professora Elaine de Oliveira Costa, mãe de uma menina de 6 anos.

“Em 20 de janeiro a diretora me falou que haveria uma reunião dia 28 e nos traria uma resposta”, acrescenta Elaine. “Liguei e nada. No dia 3 de fevereiro eu soube qual seria o encaminhamento dela. Uma nova escola, sendo reformada, matrículas a serem feitas dia 17 de fevereiro no CEU Alvarenga”, completou. A unidade seria instalada em um prédio privado, no Jardim Sete Praias, com cinco salas e funcionamento de manhã e à tarde. Mas a tal escola, até hoje, não tem endereço, muito menos data para ser aberta. Nenhuma outra informação foi passada para as famílias.

O marido de Elaine, Jair Rodrigues da Rocha, conseguiu fazer a matrícula, no dia 18 de fevereiro, mas ficou indignado. “Isso aqui foi só para ajudar o governo a dizer que está resolvendo. Faz matrícula, mas não sabe quando vai estudar. Matrícula falsa, estava esperando vaga em escola e continua assim”, lamentou. Uma situação semelhante ocorreu em 2018, quando Doria matriculou 200 crianças em uma creche inacabada, na zona oeste. Agora as famílias estudam buscar a Defensoria Pública e o Ministério Público para exigir o cumprimento dos direitos das crianças à educação.

Josely Agra da Silva, profissional da área de estética, está preocupada tanto com o prejuízo educacional da filha quanto com a situação financeira da família. Ela só ficou sabendo da falta de vagas em janeiro. “No fim do ano, na última reunião disseram que era para ir na escola mais próxima para saber em qual escola ela caiu. Na primeira semana de janeiro liguei na Emei para saber como deveria proceder. Foi quando soube que ela e muitas outras crianças e estavam sem vaga. Eu sou autônoma e estou com dificuldades para organizar minha agenda, pois tenho que levá-la comigo para o trabalho. São duas conduções, e ela já paga condução”, explicou.

Um professor que pediu para não ser identificado disse que o governo Covas tinha conhecimento da situação desde o ano passado. Em dezembro, quando as Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis) deviam informar as unidades onde as crianças iriam iniciar o ensino fundamental, pouco foi informado aos pais. Muitos só descobriram que não havia vaga em escola para o filho na metade de janeiro.

“A prefeitura construiu o conjunto habitacional aqui onde seria o Parque dos Búfalos, trazendo muitas pessoas para morar na região. Mas não fez nenhum investimento em infraestrutura para acompanhar a demanda por serviços públicos. Escola, posto de saúde, hospital, creche, nada. Agora estamos sofrendo as consequências. Já se sabia que isso ia acontecer, porque no ano passado já tinha sido difícil garantir vaga em escola para todas as crianças”, afirmou o professor.

O conjunto habitacional citado é o Residencial Espanha, cuja primeira parte foi inaugurada na gestão do ex-prefeito a atual governador João Doria (PSDB). No final de novembro, o atual prefeito, Bruno Covas, inaugurou a segunda parte. Já foram morar na região 1.320 famílias. No entanto, o local devia contar com um Centro Municipal de Ensino Infantil (Cemei), uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) e um Centro de Referência em Assistência Social (Cras), mas não há previsão de quando esses equipamentos serão instalados.

A Secretaria Municipal de Educação informou, por meio de nota, que “até a primeira semana de abril todos os alunos matriculados serão realocados o mais breve possível na EMEF Sete Praias (novo nome), que atenderá inicialmente cerca de 300 estudantes. A secretaria garantiu que os estudantes terão os 200 dias letivos de aula. “Apesar da unidade ainda passar por reformas, a partir da próxima segunda-feira os pais poderão efetivar as matrículas e tirar as dúvidas na própria EMEF, localizada na Estrada do Alvarenga, número 5.095”.