educação incomoda

Alunos do Colégio Pedro II, alvo de Bolsonaro, são destaque no Enem e têm prêmios internacionais

No último exame nacional, instituição federal teve médias superiores às de outras escolas públicas e privadas. Professor faz desabafo contestando agressão do presidente da República ao Pedro II

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Alunos do Pedro II comemoram prêmios recebidos na China. Para professor, pensamento crítico incomoda governo

São Paulo – Em mais um ataque à educação do país, o presidente da República, Jair Bolsonaro, declarou que o Colégio Pedro II, instituição federal centenária no Rio de Janeiro, havia “acabado”. Na esteira da declaração de que os livros didáticos “hoje em dia, como regra, são um amontoado de muita coisa escrita”, o presidente atacou ainda a instituição federal para criticar governos de esquerda. “Chegou ao cúmulo de acabar com uma escola como o Colégio Pedro II, no Rio. Acabaram com o Pedro II. Menino de saia, MST lá dentro. E outras coisas mais que não quero falar aqui”, alegou Bolsonaro.

Em resposta, um docente do tradicional colégio divulgou nas redes sociais um desabafo, apontando os resultados dos alunos no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O objetivo foi mostrar a importância do colégio, reconhecido pelas médias superiores às de escolas públicas e privadas do Brasil em redação, ciências da natureza, humanas e matemática em seus oito campi.

Professor de sociologia, Vinicius Fernandes da Silva explicou à repórter Viviane Nascimento, do Seu Jornal, da TVT, que ficou indignado com as perseguições ideológicas do mandatário. “Me despertou uma perplexidade e uma certa indignação (…) Eu fui buscar algumas informações para justamente contrapor essa fala de que o colégio havia acabado, usando o mesmo verbo”, conta Silva.

Destaque internacional

No texto em resposta, o professor elencou o desempenho do colégio no último Enem, além de outros concursos e competições internacionais, como a recente olimpíada internacional de matemática, a 10ª World Mathematics Team Championship (WMTC), ocorrida em novembro, na China.

Na competição, 18 estudantes da instituição foram premiados, inclusive com a medalha de ouro conquistada pela aluna Adrieny Monteiro dos Santos Teixeira. Ela foi a única mulher a alcançar a premiação máxima na categoria Avançada, concorrendo com a China, Austrália, Filipinas, Malásia e Bulgária.

“Mas é muito mais do que isso”, destaca Silva. “A gente tem uma missão constitucional, baseada em certos valores humanos, éticos, de inclusão e diversidade. É nisso que a gente se baseia, e no pensamento crítico, que é fundamental. Então é muito mais do que só fazer alunos passarem no vestibular”, ressalta o professor Vinicius.

Essa não é a primeira vez que o colégio, fundando no período imperial, é alvo de ataques de políticos conservadores. O próprio Bolsonaro já havia criticado a diversidade da escola em 2016.  E no ano passado, dois deputados do PSL invadiram uma das unidades e foram expulsos pelos alunos. Para o professor, o incômodo desses representantes é o fato de a escola formar cidadãos.

Confira a reportagem da TVT