São Paulo

Passe livre para alunos de cursinhos populares aguarda sanção de Covas

Prefeito cancelou reunião com representantes da cursinhos. Eles pretendiam explicar a importância da medida para jovens de baixa renda

Marco Santos/ USP Imagens
Estudantes consideram o passe livre fundamental para manter frequência em cursinhos populares

São Paulo – Representantes de estudantes de cursinhos populares da capital paulista esperam que o prefeito Bruno Covas (PSDB) sancione o Projeto de Lei (PL) 508/2016, que institui passe livre no transporte coletivo para esses alunos durante o período letivo. De autoria do vereador Reis (PT), o projeto foi aprovado na Câmara Municipal na última quarta-feira (16). A implementação da medida pode beneficiar cerca de 15 mil estudantes que frequentam cursinhos populares na cidade e acabar com o principal motivo de abandono das aulas: o valor da tarifa. Covas, no entanto, cancelou uma reunião que teria nesta segunda-feira (21) com os estudantes, que pretendiam explicar a importância da medida para jovens de baixa renda.

Segundo a Frente de Cursinhos Populares, o passe livre representaria 0,33% do orçamento da Secretaria Municipal de Transportes e 0,02% da receita total da cidade. O levantamento foi realizado pela Frente junto a 101 unidades de cursinhos populares e comunitários. Levando em consideração os dias letivos, o número de viagens de ônibus necessárias, além de fatores utilizados pela São Paulo Transporte (SPTrans) para estimar os custos, a pesquisa apontou que a implementação do benefício precisaria entre R$ 11 milhões e R$ 14 milhões por ano.

“O prefeito já disse em inúmeras oportunidades que tem compromisso com a educação. Na medida em que os cursinhos populares representam, muitas vezes, a única referência para milhares de jovens de baixa renda para acessar o ensino superior, é mais do que esperado que o prefeito sancione o passe livre, pelo qual tanto lutamos, e assim mantenha-se coerente com suas palavras”, afirma Juliana Aragão, educadora do cursinho popular Heleny Guariba e membro da Frente de Cursinhos Populares.

Emanuel Dias é um jovem que precisou abandonar os estudos no cursinho popular que frequentava por conta da falta de dinheiro para pagar a tarifa de ônibus. Morador de São Mateus, na zona leste da capital paulista, ele era aluno do Cursinho Popular Laudelina de Campos, no Ipiranga, na região sudeste. “Minha meta é cursar Gastronomia e o cursinho popular vinha me ajudando na preparação. Infelizmente, precisei interromper meus estudos momentaneamente por conta da falta de dinheiro para a passagem do ônibus, que acabou sendo um grande obstáculo para que eu pudesse continuar estudando”, conta.

Cursinhos populares e comunitários são voltados para estudantes de baixa renda que desejam se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros vestibulares, mas que não têm condições de pagar cursinhos particulares. Em sua imensa maioria, são inteiramente gratuitos e funcionam mediante o trabalho voluntário de professores.