escolha 'ortodoxa'

Indicado para ministro da Educação possui linha militar e pró-EUA

Indicado pelo filósofo conservador Olavo de Carvalho, Ricardo Vélez Rodríguez defende lei da mordaça e acredita que ditadura civil-militar foi essencial para a 'abertura democrática'

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Ricardo Velez Rodriguez

Ricardo Velez Rodriguez disse que 31 de março de 1964, quando foi dado o golpe civil militar, ‘é uma data para comemorar’

São Paulo – Ricardo Vélez Rodríguez foi anunciado, nessa quinta-feira (22), como o ministro da Educação para compor o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

Indicado pelo filósofo conservador Olavo de Carvalho, Vélez se diz crítico da “ideologia marxista” e tem livros publicados contra o PT. O educador Daniel Cara explica que o futuro ministro tem apoio de militares e também é defensor do projeto Escola sem PartidoVélez Rodríguez é professor da elite do Exército e da Universidade Federal de Juiz de Fora.

“Ele considera que a instituição (do Escola sem Partido) por meio de um projeto de lei é ruim e defende que o projeto seja uma mobilização da sociedade para combater o que eles chamam de marxismo cultural, assim como a ideologia de gênero, que são temas inventados por eles mesmos para recrutar militantes, e gerar pânico moral e ideológico nos pais de alunos e estudantes”, explica Daniel à RBA.

De acordo com seu blog, Rodríguez disse ter sido recomendado para o cargo de ministro da Educação no dia 7 de novembro.  Ele publicou um texto intitulado Um roteiro para o MEC, no qual diz que a proliferação de leis e regulamentos tornou os brasileiros “reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista”. Isso levaria, segundo ele, a “invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero, a dialética do ‘nós contra eles’, tudo destinado a desmontar os valores da sociedade”.

No mesmo blog pessoal, o responsável pela pasta de Educação disse que 31 de março de 1964, quando foi dado o golpe civil-militar, “é uma data para lembrar e comemorar”. Segundo ele, a tomada do poder pelos militares, que perdurou por 20 anos, foi essencial para a “abertura democrática” e “livrou o Brasil do comunismo”.

O anti-comunismo tem sido uma das ferramentas de ação de estrategistas norte-americanos para se contrapor ao avanço do campo democrático do mundo. Desde a Guerra Fria. Documentos comprovam interesse e envolvimento do governo dos Estados Unidos naquele golpe de 1964 – dentro de um projeto de hegemonia econômica no continente. 

Nascido em Bogotá e naturalizado brasileiro, Vélez Rodríguez é autor do livro A Grande Mentira – Lula e o Patrimonialismo Petista. Na contracapa da obra, ele afirma que o partido conseguiu “potencializar as raízes da violência” no Brasil mediante a disseminação da ‘revolução cultural gramsciana'”.

Em entrevista ao El PaísClaudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (CEIPE-FGV), fez sua leitura a partir do currículo do indicado. Ela avalia que falta experiência em gestão de políticas educacionais ao novo integrante da equipe do presidente eleito. “Bolsonaro prometeu um perfil técnico para o cargo, mas Vélez não entende de administração de políticas de educação”, disse.

Bolsonaro havia acenado para a escolha do educador Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, para o cargo. Entretanto, a possível indicação de Ramos foi mal recebida pela bancada evangélica do Congresso Nacional e por páginas bolsonaristas na internet. Depois da repercussão, o próprio Bolsonaro anunciou que havia descartado o nome de Ramos e passou a afirmar que estava considerando a escolha do procurador Guilherme Schelb para a vaga – um conservador apoiado pelo pastor Silas Malafaia –, mas também foi descartado.