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outra 'reforma'

Setor privado será beneficiado com ensino médio público a distância

Após renunciar à presidência da comissão que estuda mudanças no ensino médio, Callegari afirma que quem ganha são as "grandes empresas que já operam na educação superior do Brasil"
por Redação RBA publicado 05/07/2018 13h03, última modificação 05/07/2018 14h00
Após renunciar à presidência da comissão que estuda mudanças no ensino médio, Callegari afirma que quem ganha são as "grandes empresas que já operam na educação superior do Brasil"
Arquivo EBC/Reprodução
Reforma ensino médio

Segundo Callegari, empresas que já atuam no ensino superior brasileiro, venderão 'pacotes de educação' à distância

São Paulo – As divergências contra o projeto de "reforma" do ensino médio pesaram na decisão de saída do agora ex-membro da Comissão Bicameral do Conselho Nacional de Educação sobre a Base Nacional Curricular Comum Cesar Callegari. Com duras críticas à lei, o sociólogo e especialista em gestão de políticas públicas apresentou sua renúncia na última segunda-feira (2). Ao Seu Jornal, da TVT, Callegari explicou que a proposta encaminhada pelo governo é "incompleta, reducionista" e acaba com a educação no país.

O anúncio foi feito em meio ao andamento do processo de consulta popular iniciado em maio, com término previsto para agosto. Nessas audiências públicas, os integrantes da comissão acolhem subsídios que possam contribuir para a elaboração da base curricular do ensino público.

Em sua avaliação, o sociólogo destaca que a fragmentação da educação pública prevista na Lei 13.415/2017 tem como um dos pontos mais críticos a abertura da oferta do ensino médio à educação a distância (EAD). Callegari defende que essa possibilidade impedirá o desenvolvimento e a construção de valores democráticos do aluno.

O especialista ressalta ainda a consolidação dos "pacotes de educação a distância. "Quem fará esses pacotes são grandes empresas que já operam na educação superior do Brasil vendendo a educação a distância e que agora perceberam os favores – inclusive do atual governo brasileiro – e podem entrar pesado vendendo os seus pacotes e utilizando verbas da educação pública, principalmente".

Para Callegari, a oferta dessa modalidade de ensino promoverá o sucateamento das estruturas escolares e será um risco para os contratos de trabalho de docentes. "Com isso, acaba a escola", finaliza. 

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