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no país do golpe

UnB defende autonomia das universidades frente à censura

Curso da instituição sobre o golpe de 2016 foi alvo do MEC, que tentou seu cancelamento. Dezenas de instituições organizam disciplinas com a mesma temática para reafirmar a autonomia acadêmica
por Redação RBA publicado 07/03/2018 10h10, última modificação 07/03/2018 12h46
Curso da instituição sobre o golpe de 2016 foi alvo do MEC, que tentou seu cancelamento. Dezenas de instituições organizam disciplinas com a mesma temática para reafirmar a autonomia acadêmica
Reprodução/TVT
UnB Autonomia universitária

Golpe não é apenas contra um partido, mas contra todo o campo popular, assinalou o professor Luis Felipe Miguel

São Paulo – Professores e estudantes realizaram debate na Universidade de Brasília (UnB) nesta terça-feira (7) em defesa do ensino superior público, autônomo e democrático, frente às ameaças de censura pelo governo federal, que tentou evitar que o professor Luis Felipe Miguel ministrasse o curso livre O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil. 

Em reação à ameaça do ministro da Educação, Mendonça Filho, já são dezenas de universidades pelo país, e também no exterior, que decidiram organizar cursos livres tendo o golpe como tema. Miguel disse que o objetivo do golpe de 2016 não foi apenas para destituir uma presidenta eleita ou impedir que determinado partido ficasse no poder.

"O objetivo do golpe foi assinalar que o campo popular não pode se pronunciar na política brasileira. Nós temos um país com níveis de desigualdade social que são aberrantes, em que as pessoas ainda morrem de fome. E aqueles que chegaram ao poder pelo golpe querem que a gente ache que tudo isso é natural, que nada disso pode ser combatido", afirmou o professor de Ciências Sociais da UnB. Ele destacou que a universidade é "por excelência" o espaço do pensamento crítico, que serve justamente para combater tal lógica de "naturalização da realidade", contra o senso comum. 

A deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que Mendonça Filho será convocado a dar explicações à Câmara sobre a tentativa de censura. "Trata-se de ruptura explícita da autonomia universitária", disse ao repórter Uélson Kalinoviski, para o Seu Jornal, da TVT

O presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e membro do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Julio Miragaia, disse que as tentativas de interferência e censura, somado aos cortes de verbas, fazem parte de um projeto mais amplo de privatização do ensino superior no país pelo governo Temer. "Por incrível que pareça, é isso que está em questão. O que a gente tem visto, felizmente, é uma enorme reação da universidade, não só aqui da UnB, mas no Brasil inteiro", destacou.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT: