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Alckmin corta direito a meia tarifa de ônibus para professores

'Os professores já estão com salários congelados há três anos e agora estão sendo obrigados a arcar com mais gastos no transporte', afirma coordenador de sindicato dos docentes

A2 Fotografia/ José Luís da Conceição
Professora

Alckmin publicou resolução que obriga professores a cumprir a carga escolhida mesmo que em outras escolas

São Paulo – Em nova investida contra o ensino público, professores da rede estadual denunciam que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) cortou a meia tarifa dos docentes nos ônibus da Empresa Metropolitana de Transporte Urbano (EMTU), que era utilizada nos últimos anos. A medida foi tomada pouco depois de o governador ter publicado uma resolução (72/2016) que obriga os professores a cumprir a carga horária escolhida, de no máximo 32 horas semanais, mesmo que para isso tenha que se dividir em mais de uma escola. Coordenadores do Sindicado dos Professores do Ensino oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) estão reunindo as denúncias dos docentes.

“Os professores já estão com salários congelados há três anos e agora estão sendo obrigados a arcar com mais gastos no transporte. Muitos dos docentes acabam pegando aula em mais de uma escola. Como bancar sozinho esse custo?”, critica Paulo Neves, coordenador da subsede de São Bernardo do Campo da Apeoesp. “O governo institui que se o professor optar por, por exemplo 32 horas de carga horária e a escola não tenha isso disponível, ele vai ter que completar em outras escolas. Tivemos que ‘comprar briga’ porque estavam querendo mandar professores para 10 escolas diferentes aqui.”

Questionada, a EMTU afirmou que o Decreto federal 95.247, de 1987, proíbe os trabalhadores de acumularem vale transporte e meia tarifa e que no cruzamento de dados do sistema da empresa, os que possuíam os dois benefícios estão tendo a meia tarifa cortada. “É vedada a acumulação do benefício com outras vantagens relativas ao transporte do beneficiário”, diz o decreto.

Os professores, no entanto, defendem que o valor pago em vale transporte pelo governo estadual não cobre os custos diários de deslocamento. O valor do auxílio varia dependendo da carga horária do docente, porém o máximo pago gira em torno de R$ 80 reais mensais, segundo a Apeoesp. “Uma professora da nossa rede pegou aula em três escolas neste ano e recebe R$ 18 de auxílio-transporte. Ela vai pagar R$ 3,90 na ida e na volta para três escolas todos os dias. Ela vai pagar para trabalhar”, acusa Neves.

Na última semana, a professora Flavia Ferreira Quirino, que mora em Aracati, na zona sul de São Paulo, e trabalha em Itapecerica da Serra, na região metropolitana da capital gastou R$ 28 para ir de casa à escola, sem a meia tarifa. Ela recebe R$ 84 reais mensais de vale transporte. “Terei uma perda salarial, porque vou ter que arcar com um custo maior no transporte”, afirma. Ela está cumprindo os trâmites burocráticos com a EMTU para solicitar a meia tarifa, mas informa que ainda não sabe o que ocorrerá com o benefício.

“Novamente tentei revalidar meu cartão Bom Escolar Intermunicipal e novamente fui impedida de fazê-lo. A EMTU alega que recebemos na folha de pagamento o auxílio transporte. É verdade, recebo sim, no máximo R$ 84 e agora em fevereiro recebi R$ 34. A dúvida que não quer calar: consigo trabalhar o mês todo com esse valor?”, questionou a professora Thayara Vaz da Silva em sua conta no Facebook, informando que em 10 dias ela terá um custo de R$ 78 com transporte.

 

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