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Base de Alckmin manobra para evitar novas convocações na CPI da Merenda

Proposta da oposição de fazer uma acareação entre o lobista da Coaf e os ex-assessores de Capez foi derrubada
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 30/11/2016 14h57
Proposta da oposição de fazer uma acareação entre o lobista da Coaf e os ex-assessores de Capez foi derrubada
Agência Brasil/ARQUIVO
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Deputados Adilson Rossi, Delegado Olim e Coronel Camilo pediram vistas de todos os requerimentos em pauta

São Paulo - A base aliada do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura pagamento de propina em contratos da merenda escolar, fez uma manobra na reunião de hoje (30) para evitar a convocação de qualquer outra pessoa para prestar esclarecimentos no colegiado. Os deputados Adilson Rossi (PSB), Delegado Olim (PP) e Coronel Camilo (PSD) pediram vistas de todos os requerimentos em pauta, impedindo a votação.

Com isso, derrubou-se a proposta da oposição de fazer uma acareação entre o lobista da Cooperativa Orgânica da Agricultura Familiar (Coaf) Marcel Ferreira Júlio e os ex-assessores do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Fernando Capez (PSDB), Jeter Rodrigues e José Merivaldo. Marcel disse ter repassado cerca de R$ 650 mil ao dois, sendo R$ 450 mil para a campanha de Capez à reeleição. Todos negam. No entanto, a Justiça paulista encontrou movimentações suspeitas de R$ 122 mil nas contas de Jeter e R$ 500 mil nas de Merivaldo.

Outro nome que a oposição quer ouvir na CPI é o do secretário-geral da Assembleia, Alexandre Zakir, que teria orientado Jeter a fazer um depoimento negando a participação de Capez no esquema, conforme entrevista do ex-assessor ao jornal Folha de S.Paulo.

Além dele, a proprietária do escritório de advocacia Pacciello, Vanessa Pacciello, também está na lista de convocados da oposição. O escritório foi citado pelo presidente da Coaf, Cássio Chebabi, como uma contratação forjada para ocultar o repasse de propina a deputados. A Justiça possui dois contratos do escritório com a cooperativa, no valor de 4% e 4,5% do contrato com a Secretaria da Educação, tendo como preposto o lobista Marcel.

Para o deputado Alencar Santana (PT), único membro da oposição na Comissão, a base do governo age para liquidar a CPI. "Eu avalio que a CPI avançou na investigação. Mas esses nomes são fundamentais para elucidar detalhes importantes. A Pacciello sobre o destino do dinheiro. E o Zakir sobre uma possível influência ao depoimento de Jeter", afirmou. O deputado disse que vai apresentar requerimento de prorrogação dos trabalhos por mais 30 dias. A data atual de encerramento da CPI é 13 de dezembro.

Santana destacou que os documentos do processo da Máfia da Merenda que tramitam na vara federal de Bebedouro não foram encaminhados à CPI. Ele pediu que o presidente reitere o pedido. "São documentos fundamentais para o andamento dos trabalhos e até hoje não os recebemos", disse a respeito do requerimento aprovado em agosto.

Para o presidente da comissão, deputado Marcos Zerbini (PSDB), não há problema na convocação dessas duas pessoas. Porém ele também avaliou que não faz sentido reconvocar pessoas. "Eu vou tentar um entendimento durante a semana para que o Zakir venha à comissão e explique o ocorrido. O Jeter reconheceu que mentiu. Ele é um mentiroso contumaz. Eu acredito que ele não tem envolvimento nenhum", afirmou.

Para ele, algumas conclusões são claras. "A Coaf não era uma cooperativa, era uma organização criminosa. Marcel usou artimanhas para ganhar dinheiro público. Funcionários da casa participaram do esquema. É teve, ao menos, erros de servidores da Educação que precisam ser apurados", destacou. Apesar do detalhamento indicado pelo presidente, o relator da comissão, deputado Estevam Galvão (DEM), disse que o documento ainda não está pronto. "Mas tenho condições de apresentá-lo na próxima semana", afirmou.

Hoje a comissão ouviu o ex-secretário da Educação Herman Voorwald. No entanto, os deputados foram bastante brandos nos questionamentos, deixando que ele falasse à vontade sobre a reorganização que executou na pasta em sua gestão. Não houve nenhuma pergunta sobre a acusação de que ele teria recebido R$ 100 mil para não realizar chamadas públicas para a merenda escolar e manter a contratação de uma antiga fornecedora da pasta, feita por Marcel.

Outro ouvido foi o advogado Joaquim Geraldo Pereira da Silva, que teria fornecido notas fiscais frias à Coaf, para disfarçar o pagamento de propina, por meio da empresa Riocamp Negócios Institucionais. Ele negou a acusação, mas não soube explicar os serviços prestados pela empresa, nem como chegava aos valores pagos por elas, considerados elevados pelos deputados.

A próxima reunião da CPI é no dia 7, ainda sem pauta definida.