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contra reorganização

Coletivo convoca artistas para ‘Virada Ocupação’, em apoio a estudantes de SP

Evento, entre domingo e segunda-feira (6 e 7), contará com shows musicais, peças de teatro, apresentações de dança e saraus em diversas escolas ocupadas da cidade de São Paulo
por Redação RBA publicado 01/12/2015 18h53, última modificação 02/12/2015 15h31
Evento, entre domingo e segunda-feira (6 e 7), contará com shows musicais, peças de teatro, apresentações de dança e saraus em diversas escolas ocupadas da cidade de São Paulo
Reprodução
Virada Ocupação

Até as 18h desta terça-feira (1º), 184 artistas e 151 voluntários já haviam se inscrito para participar

São Paulo – A Rede Minha Sampa, que congrega ativistas interessados em apoiar causas que transformem a realidade da cidade de São Paulo, está convocando artistas e voluntários para realizar a Virada Ocupação, um evento artístico em apoio à resistência dos estudantes contra a “reorganização” escolar elaborada pelo governador Geraldo Alckmin. O evento ocorrerá domingo e segunda-feira (6 e 7) em diversas escolas ocupadas da cidade e contará com shows musicais, peças de teatro, saraus e apresentações de dança e circo.

Até as 18h de hoje (1º), 184 artistas já haviam se inscrito para se apresentar no evento, além de 151 produtores voluntários e 57 interessados em fazer a cobertura jornalística colaborativa do evento, produzindo fotos, vídeos e materiais gráficos para divulgar a virada. Todos os que tiverem interesse podem participar. É necessário apenas se inscrever pelo site http://www.viradaocupacao.minhasampa.org.br/ e informar o que e onde o interessado pode fazer. Vale desde apresentações artísticas a empréstimos de equipamento.

“Sabemos que em momentos históricos, os artistas surgem como figuras poderosas para representar uma causa de milhares de vozes ignoradas. Se você é cantor, músico, produtor, ou tem algum equipamento de som na sua casa e está disposto a ajudar, inscreva-se e ajude a transformar as ocupações em uma grande oportunidade para os alunos, e toda a população paulista, aprenderem que todos nós podemos mudar as decisões políticas do nosso estado se nos mobilizarmos para isso”, diz o texto de apresentação do evento.

Pelo projeto de reorganização, pelo menos 93 escolas públicas estaduais serão fechadas e 311 mil alunos serão transferidos, compulsoriamente. O decreto que regulamenta a medida, com uma redação considerada duvidosa, foi publicado hoje pelo governador Geraldo Alckmin no Diário Oficial do Estado de São Paulo.

Desde ontem, estudantes denunciam que investidas truculentas contra as ocupações têm ganhado força, por parte da Polícia Militar e dos chamados “provocadores”, supostos pais e diretores que criam confusão nos prédios, para justificar a entrada da PM nas escolas. Um grupo de cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu, em reunião no último dia 23, que fossem realizadas reintegrações de posse em escolas da capital paulista.

Hoje, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) denunciou que um policial disparou tiros de madrugada contra a escola estadual Joaquim Adolfo, em Interlagos, enquanto o prédio era ocupado. Em Osasco, a escola Coronel Sampaio foi invadida, saqueada e incendiada. A PM, que estava nas imediações, nada fez e ainda lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os estudantes, deixando dois feridos.

De manhã, estudantes fizeram manifestação na zona sul de São Paulo, próximo da Ponte João Dias, e duas pessoas foram detidas. Há relatos também de abusos policiais nas escolas Maria José, na Bela Vista, Octávio Mendes, em Santana, República do Suriname, na zona leste. Ontem, PMs entraram uma escola no extremo sul da capital e um aluno foi levado para a delegacia. Em Pinheiros, na zona oeste da capital, policiais agiram com truculência contra estudantes que realizaram um ato. Na zona norte, estudantes têm sofrido intimidações.

“Este é o momento de mostrar aos secundaristas que estamos do lado deles e que não vamos aceitar nem o fechamento das escolas nem ameaças contra os estudantes! O movimento contra a reorganização do ensino público estadual já dura mais de um mês e, até agora, o governo não se mostrou verdadeiramente disposto a dialogar e escutar as demandas da comunidade escolar”, diz o coletivo, no texto de apresentação do evento.

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