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Para especialista, faltou transparência do governo para explicar reorganização

Coordenadora geral do Movimento Todos Pela Educação, Alejandra Velasco, também chama a atenção para a falta de diálogo com as prefeituras para a aplicação das mudanças

Paulo Pinto/Agência PT
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Para o deputado Raul Marcelo (Psol), governo Alckmin quer cortar a verba da educação, não melhorar a qualidade

São Paulo – A falta de diálogo e transparência do governo Alckmin com a sociedade, escolas e alunos é um dos principais motivos para o fracasso da reorganização do ensino público estadual imposta pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), segundo a coordenadora geral do Movimento Todos Pela Educação, Alejandra Velasco, em entrevista à repórter da Rádio Brasil Atual Camila Salmazio.

A coordenadora chama a atenção também para a falta de diálogo do governo do estado com a prefeitura de São Paulo para a aplicação dessas mudanças. Segundo ela, o fechamento de escolas estaduais pode sobrecarregar a rede municipal de ensino. “Muitos municípios dividem o ensino fundamental com o estado. Então, é preciso verificar as condições de atendimento (da demanda por vagas) também no município, porque esse fechamento pode trazer uma sobrecarga no sistema municipal. Mesmo que as escolas passem às prefeituras, houve prefeitos que reclamaram à imprensa que não tinham discutido a questão com o estado.”

A reorganização do governo Alckmin fará com que 754 escolas passem a ter apenas uma das etapas do ensino fundamental; 93 unidades serão fechadas e 311 mil alunos serão transferidos.

Para Alejandra, a falta de transparência do governo é o principal problema da reorganização. “Os principais problemas que observamos na reestruturação são a falta de comunicação, de informação e debate com os afetados. Não temos informação de qual será o resultado da reestruturação ou como será a realocação dos professores que lecionam nas escolas. Não há um mapa claro da reorganização ou diálogo com as escolas e alunos.”

Os deputados da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) enviaram um convite ao secretário de Educação, Herman Voorwald, para uma nova audiência pública, com o objetivo de esclarecer o projeto de reorganização.

Segundo o deputado Raul Marcelo (Psol-SP), os parlamentares não receberam resposta do governo. “Está difícil de o governo defender a proposta. O estado não tem nenhum argumento científico ou estudo. A única questão que ele diz é a diminuição no número de alunos. Mas, de fato, aconteceu mesmo a evasão de alunos como Alckmin diz? Então, se aconteceu, é o momento de melhorarmos a educação de São Paulo, reduzindo o número de alunos por sala, já que a média do ensino médio é de 40 alunos por sala, e 35 no fundamental, enquanto nos países desenvolvidos se trabalha com uma média de 20 alunos por sala. O que fica claro é que querem cortar a verba da educação, em vez de melhorar a qualidade.”

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