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Professores do Paraná mantêm greve e resistência a desmonte de previdência

Depois de nova investidas truculentas da PM contra os trabalhadores, ontem, deputados chegam a falar em possibilidade de "massacre", a mando de Beto Richa
por Ricardo Gozzi, para a Rede Brasil Atual publicado 29/04/2015 11h34, última modificação 29/04/2015 12h39
Depois de nova investidas truculentas da PM contra os trabalhadores, ontem, deputados chegam a falar em possibilidade de "massacre", a mando de Beto Richa
APP Sindicato
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Professores chegam ao Centro Cívico, em Curitiba, para mais um dia de protesto e resistência contra medidas do governo estadual

Curitiba – A greve dos professores da rede estadual de ensino do Paraná entrou hoje (29) em seu terceiro dia com adesão praticamente total da categoria, apesar de logo depois de sua deflagração a Justiça do Estado ter, a pedido do governador tucano Beto Richa, declarado a greve "ilegal". Pela decisão, os educadores terão os dias parados descontados e a APP Sindicato, entidade que representa os professores estaduais, será multada em R$ 40 mil por dia de paralisação. A APP, por sua vez, já recorre da decisão.

A segunda greve dos professores paranaenses em menos de dois meses foi decidida em assembleia, realizada no último sábado em Londrina, em protesto contra as alterações propostas pelo governo Richa, que afetarão os servidores estaduais aposentados e pensionistas com mais de 73 anos de idade. Cálculos indicam que as mudanças reduzirão praticamente pela metade - de 57 para 29 anos - o tempo de solvência dos fundos de previdência do funcionalismo público. Na mesma assembleia, os professores lançaram a campanha salarial de 2015.

Esta é a segunda vez este ano que o governo tucano tenta impor mudanças à previdência dos servidores estaduais. A primeira tentativa ocorreu em fevereiro, semanas depois de ter declarado que o Paraná encontrava-se à beira do colapso financeiro.

Na ocasião, os professores e outras categorias do funcionalismo mobilizaram-se e conseguiram não só forçar o governo a retirar a proposta de votação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) como obrigaram os deputados estaduais a extinguirem a "comissão geral", um artifício regimental por meio do qual o governo impunha medidas impopulares restringindo o tempo de debate.

Agora em abril, ao reapresentar as mudanças na previdência, o governo tucano alegou ter discutido amplamente as mudanças propostas. Já o Fórum dos Servidores e a oposição ao governo têm outra interpretação. Das mais de dez emendas apresentadas pelos servidores à proposta do governo, apenas duas foram acatadas. O deputado estadual Professor Lemos (PT) qualifica como "monólogo" o que o governo tucano chama de "diálogo".

Reencaminhado à Alep em regime de urgência, o projeto deve terminar de tramitar hoje. Ao longo desta quarta-feira, o texto deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça, ser votado em segundo turno em sessão ordinária, passar por terceiro turno em sessão extraordinária e ser encaminhado ainda hoje para redação final.

A aprovação é dada como certa tanto por deputados governistas quanto de oposição, mas os servidores prometem fazer barulho. Ainda não se sabe se o cordão de isolamento imposto pela polícia ao redor da Alep já na manhã da segunda-feira (27) será levantado hoje, nem se populares serão autorizados a acompanhar das galerias a votação.

Ontem, a polícia usou balas revestidas de borracha, canhões d'água, bombas de gás e spray de pimenta para deter uma marcha dos servidores. Num determinado momento, até a chave do caminhão de som da APP Sindicato sumiu.

O presidente da APP, Hermes Leão, acusa Beto Richa de ter instalado uma "ditadura" no Paraná. O deputado Lemos lembra que nem na época da ditadura civil-militar o acesso à Alep chegou a ser fechado. Já o governador tucano acusa a APP e a CUT de atuarem como "braços do PT" e exige a imediata retomada das aulas.

Hoje pela manhã, caravanas de professores oriundas de todos os cantos do Paraná começaram a chegar a Curitiba para uma concentração em frente à Alep. As entidades sindicais esperam pelo menos 20 mil no protesto. Como a PM concentrou cerca de 4 mil soldados no Centro Cívico de Curitiba, o clima promete ser de tensão.

O presidente da Alep, Ademar Traiano (PSDB), considera justificada a forte presença policial e as galerias vazias. Segundo ele, o fato de os servidores terem invadido a Alep em fevereiro durante protesto contra o ajuste fiscal de Beto Richa é base "mais que suficiente" para uma medida "preventiva".

Já o deputado Tadeu Veneri (PT), líder da oposição, é a favor não apenas da abertura da Alep para o povo como do fim do cordão de isolamento policial. "Dada essa situação, temo por um massacre", advertiu.

Posicionado na rampa da Alep para capturar imagens dos manifestantes, um cinegrafista ironizou: "A polícia tem que ficar pra proteger o povo desses caras que estão aqui dentro".