Futuro

‘Petrobras é um patrimônio. Destruí-la só interessa aos concorrentes’, diz Aldo Rebelo

Para ministro da Ciência e Tecnologia, o pessimismo presente em alguns setores da sociedade está em descompasso com a realidade

Beatriz Arruda/SEESP
Aldo Rebelo

Aldo Rebelo, em aula inaugural de curso de Engenharia: “A Petrobras pertence ao país e não a meia dúzia de dirigentes”

São Paulo – O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, criticou hoje (23) as tentativas da oposição ao governo de destruir a imagem da Petrobras após as denúncias de corrupção na estatal. O ministro proferiu a aula inaugural do curso de Engenharia da Inovação no Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), o primeiro curso do país formulado e estruturado por uma entidade sindical, no caso o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo.

“Queremos que toda a corrupção seja investigada e punida, mas não queremos que a história de grandes empresas seja confundida com o crime cometido por alguns diretores. A Petrobras pertence ao país e não a meia dúzia de dirigentes. Ela é um patrimônio nacional que tem que ser protegido para o interesse e para o desenvolvimento do país. Destruí-la só interessa aos nossos concorrentes estrangeiros”, disse, durante aula que reuniu os primeiros integrantes do curso, seus familiares e professores.

O ministro afirmou que existe um pessimismo que permeia setores importantes da sociedade, inclusive a imprensa, e que este sentimento está “em descompasso com a realidade”. “Quando os pessimistas diziam que não iríamos conseguir sediar a Copa, eu dizia que íamos conseguir, porque já fizemos coisas mais difíceis, como construir a sétima economia do mundo na periferia do capitalismo. Ninguém nos deu isso, nós construímos.”

Rebelo destacou ainda a urgência de o país avançar no setor de inovação, sobretudo para inverter o movimento que vem ocorrendo nos últimos anos, em que o Brasil reduziu a exportação de produtos de alta tecnologia e aumentou a de commodities e de equipamentos de baixa tecnologia. “Nosso desafio é melhorar a competitividade do Brasil, inovando em gestão, em marketing, em logística, em tecnologia, em todas as áreas.”

“Nos últimos dez anos, a Europa perdeu 60 milhões de empregos, e o Brasil foi no caminho contrário: criou 20 milhões de empregos entre 2003 e 2013, porém, na maioria são empregos que pagam até dois salários mínimos. Neste período perdemos pelo menos 4 milhões de empregos com remuneração maior do que dois salários mínimos. Perdemos empregos industriais. A classe média urbana, que é um fruto da indústria, percebe isso e reage. Temos que levar em conta essa reação”, disse. “O principal desafio é manter o Brasil entre as dez economias do mundo, sem nos apoiarmos tanto na agricultura e na indústria mineral.”

A graduação do Isitec é a primeira do país em Engenharia da Inovação. O curso será integral e terá duração de cinco anos. Os primeiros 57 alunos, aprovados em um processo de seleção com pelo menos 600 candidatos, terão bolsa de estudos integral e mais uma remuneração de R$ 500 mensais para se dedicarem aos estudos, tudo financiado por empresas parceiras. A ideia é preparar o aluno para identificar e solucionar problemas em inovação, em diferentes áreas.

O Isitec foi criado pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo e credenciado pelo Ministério da Educação em 2013. Desde agosto do ano passado, a instituição oferece uma pós-graduação em Gestão Ambiental. Neste ano, será aberto também um curso de especialização em Gestão de Energia.