Você está aqui: Página Inicial / Educação / 2014 / 03 / Alunos da rede estadual de São Paulo ficam sem aula seis vezes no mês, aponta pesquisa

em média

Alunos da rede estadual de São Paulo ficam sem aula seis vezes no mês, aponta pesquisa

Mais da metade dos alunos (51%) disseram ter relatos de casos de discriminação contra colegas, em geral por orientação sexual, raça e origem. Entre os professores, o índice chega a 37%
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 24/03/2014 16h15, última modificação 24/03/2014 16h17
Mais da metade dos alunos (51%) disseram ter relatos de casos de discriminação contra colegas, em geral por orientação sexual, raça e origem. Entre os professores, o índice chega a 37%
A2 Fotografia/José Luis da Conceição
Escola

Apenas 5% dos alunos afirmaram que não têm tempo livre na escola

São Paulo – Os alunos do ensino fundamental e médio da rede estadual de São Paulo ficam sem aula em média seis vezes por mês devido à falta de professores, aponta a pesquisa Qualidade da Educação nas Escolas do Estado de São Paulo, divulgada hoje (24) pelo Instituto Data Popular. A maioria dos estudantes (64%) afirmou que na ausência dos docentes não há um profissional substituto para ministrar a aula.

Apenas 5% dos alunos afirmaram que não têm tempo livre na escola. “Caso isso ocorresse no colégio particular o que acharíamos? Se não aceitamos na escola privada não podemos aceitar na pública”, disse o diretor do Data Popular, Renato Meirelles, durante o lançamento da pesquisa. O levantamento foi encomendado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e ouviu 2.100 entrevistados, sendo 700 professores, 700 pais e 700 alunos.

“Faltam professores na rede estadual, sobretudo pela forma de contratação a que eles estão sujeitos. Se não corrigirmos essa questão não vamos conseguir avançar na qualidade da educação”, afirmou a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha. Foi consenso entre os ouvidos na pesquisa que a qualidade da educação depende da qualificação e do preparo dos docentes.

Com relação ao pessoal de apoio pedagógico, como supervisores e coordenadores, os entrevistados indicaram que a escola possui tais profissionais, porém, para 53% dos alunos, 44% dos pais e 68% dos professores, a equipe não possui o número ideal de profissionais.

Convivência

Outro problema identificado na pesquisa foi a discriminação nas instituições de ensino. Mais da metade dos alunos (51%) disseram ter relatos de casos de discriminação contra colegas na própria escola, em geral por orientação sexual, raça e origem. Em números absolutos, 798,7 mil alunos já presenciaram cenas de preconceito pelo menos uma vez nas escolas.

Leia também:

Entre os professores, 37% relataram casos de discriminação contra colegas, sobretudo por orientação sexual, raça e gênero, em principal contra as mulheres, maioria dos trabalhadores da educação.

“A realidade de muitas escolas está perpassada por problemas de violência e discriminação, que acaba prejudicando o aprendizado”, diz Meirelles. Segundo a pesquisa, a violência foi o principal problema das instituições de ensino apontado por pais, alunos e professores. Ao todo, 44% dos professores e 28% dos alunos disseram já ter sofrido algum tipo de violência nas escolas.

Sobre infraestrutura, 35% dos alunos disseram que suas escolas são equipadas para receber estudantes com deficiência e 32%, que os laboratórios de informática são efetivamente usados. Apenas 28% utilizam laboratório de ciências. A maioria dos estudantes (62%), no entanto, afirmou que gosta de frequentar as aulas.

Por que ir à escola?

O papel da escola está ligado, para a maioria dos entrevistados, à transmissão de valores e a preparação para a vida. Para quase metade dos pais (48%), a principal missão da escola é formar cidadãos. Já os alunos priorizam aprender o conteúdo das matérias (36%) e se qualificar para o mercado de trabalho (35%). Os dois grupos avaliam que a escola não cumpre bem esse papel.

“O jovem não poderá ser um cidadão se não tiver direito a acessar o conhecimento historicamente acumulado pela sociedade. Ele também não será cidadão se não tiver um trabalho”, disse Maria Izabel, da Apeoesp.

Ao todo, 45% dos pais dos alunos da rede estadual não têm ensino médio completo, segundo a pesquisa. “Muitas vezes o aluno estuda mais que o pai, sendo a primeira geração da família a concluir a educação básica. Isso gera um problema de como os pais vão acompanhar a os filhos e a qualidade da escola se não tiveram esse repertório?”, questionou Meirelles.