Economia 2017-01-11T19:15:25-03:00 urn:syndication:c7f4bf9a1ca6494cba290ddf8d9760b8 https://www.redebrasilatual.com.br/@@googlenews-logo/rba-logo.png https://www.redebrasilatual.com.br/favicon.ico plone Em dois anos, país tem mais 5 milhões de 'subutilizados' e 1,6 milhão de desalentados urn:syndication:a06eebcc32a34ccda867303d8a4fd3e4 Segundo o IBGE, no segundo trimestre a subutilização da mão de obra chegou a 27,6 milhões: queriam trabalhar mais, mas não conseguiram. E 4,8 milhões desistiram de procurar trabalho
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desemprego

Retrato do Brasil: multidão procura emprego em mutirão do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, no início deste mês

São Paulo – O país fechou o segundo trimestre com 27,636 milhões de subutilizados, termo usado pelo IBGE para definir o conjunto de desempregados e aqueles que gostariam de trabalhar mais, mas não conseguem. Um número estável diante do primeiro trimestre, mas que subiu em relação a igual período de 2017, com a taxa passando de 23,8% para 24,6%. No segundo trimestre de 2016, eram 22,651 milhões. Assim, depois de dois anos, a partir do impeachment de Dilma Rousseff, esse contingente aumentou em quase 5 milhões.

Pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados nesta quinta-feira (16), isso acontece também com os desalentados, aquelas pessoas que desistiram de procurar emprego por diversas razões. Eram 4,833 milhões no final do segundo trimestre – a maior quantidade da série histórica, iniciada em 2012 –, ante 4,630 milhões no primeiro, 3,994 milhões há um ano e 3,242 milhões em 2016 – 1,6 milhão a mais em dois anos.

Os desalentados somam 4,4% da força de trabalho, também o maior percentual da série. Eram 3,7% um ano atrás. Mas chegam a 16,2% no Maranhão e a 16,6% em Alagoas. E se reduzem a 1,2% no Rio de Janeiro e a 0,7% em Santa Catarina. 

Segundo o IBGE, as maiores taxas de subutilização são as de Piauí (40,6%), Maranhão e Bahia (ambos com 39,7%). E as menores, de Santa Catarina (10,9%), Rio Grande do Sul (15,2%) e Rondônia (15,5%). Em São Paulo, a taxa é de 13,6%. 

Perfil do desemprego

Considerada apenas a taxa de desemprego, as maiores no segundo trimestre foram apuradas em Amapá (21,3), Alagoas (17,3%), Pernambuco (16,9%), Sergipe (16,8%) e Bahia (16,5%). As menores, em Santa Catarina (6,5%), Mato Grosso do Sul (7,6%), Rio Grande do Sul (8,3%) e Mato Grosso (8,5%). A taxa média brasileira foi de 12,4%. Entre as capitais, a maior é a de São Luís (19,6%) e a menor, de Florianópolis (6,3%).

A proporção diminuiu, mas as mulheres ainda são maioria (51%) entre os desempregados. A taxa de desemprego delas é de 14,2%, ante 11% dos homens. Quase 35% dos desempregados têm de 25 a 39 anos, 32% têm de 18 a 24 anos e 22,7%, de 40 a 59 anos. Pretos e pardos (classificação do IBGE) representam 64,1% dos desempregados e brancos, 35%. A taxa de desemprego dos pretos é de 15,5% e a dos brancos, de 9,9%.

No recorte por escolaridade, a maior taxa de desemprego segue sendo a do grupo com ensino médio incompleto (21,1%). Entre os que têm ensino superior completo, cai para 6,3%.

De acordo com a Pnad, 74,9% dos empregados no setor privado tinham carteira assinada no segundo trimestre, 0,9 ponto percentual a menos do que em igual período do ano passado. No trabalho doméstico, a proporção de registro em carteira caiu de 30,6% para 29,4%.

O país tinha 91,2 milhões de ocupados no final do segundo trimestre. Desse total, 67,6% eram empregados (incluindo domésticos), enquanto 25,3% trabalhavam por conta própria, percentuais que sobem para 34,3% no Pará, 33% no Maranhão e 32,2% no Amazonas.

vitornuzzi 2018-08-16T10:45:00-03:00 2018-08-16T11:10:32-03:00
Entusiasta da retomada, CNI agora não vê motivo 'para comemorações' urn:syndication:7c802dc684ba4cbbb41bbc8db0d7e99c Confiança de empresários e consumidores segue baixa, diz a entidade
Lula Marques/Agência PT
reformas

Robson Andrade, presidente da CNI, e Temer: entidade inspirou 'reforma' trabalhista

São Paulo – O boletim Fato Econômico, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta uma situação no segundo trimestre pior que a do primeiro e um cenário nebuloso em relação a perspectivas para a economia. "A confiança de empresários e consumidores continua baixa, o que dificulta os investimentos e o consumo. Isso impede uma recuperação mais forte da economia", analisa o gerente-executivo de Política Econômica da entidade empresarial, Flávio Castelo Branco. A incerteza eleitoral também é citada na análise.

Os dados da CNI – que em grande medida inspirou o modelo de "reforma" trabalhista aprovado em 2017 – apontam algum alento em junho, mas insuficiente, de acordo com a confederação, para recuperar perdas que teriam sido provocadas pelo movimento dos caminhoneiros. "A recuperação não levou a indústria para o ponto onde estava antes da paralisação", diz o boletim. "É preciso ter cautela com os dados que mostram a recuperação de junho. Na verdade, não há motivos para comemorações", afirma Castelo Branco.

De acordo com o Fato Econômico, de abril para junho houve queda no nível de emprego (-0,3%), nas horas trabalhadas na produção (-0,5%), na massa salarial (-1,8%) e no rendimento médio (-2%). A utilização da capacidade instalada recuou 1,4 ponto percentual. O que aumentou foi o faturamento: 5,4%.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) está em 50,2 pontos, "praticamente em cima da linha divisória dos 50 pontos, que separa a confiança da falta de confiança". Uma das razões, segundo a CNI, está na discussão sobre o frete mínimo.

Nesse cenário, a CNI já revisou para baixo sua projeção sobre o Produto Interno Bruto (PIB) industrial de 2018. Dos 3% previstos no início do ano foi para 1,8%.

vitornuzzi 2018-08-09T18:36:23-03:00 2018-08-09T18:36:23-03:00
Política fiscal de austeridade torna país mais desigual e compromete futuro urn:syndication:fdaf16d3322a42efabc8f825d0bed034 Documento detalha efeitos das medidas de redução dos gastos públicos, como a Emenda 95, "projeto absolutamente incompatível com a garantia de direitos sociais e com a Constituição"
Rovena Rosa/Agência Brasil
temer corte dos gastos

Durante tramitação da proposta de emenda no Congresso, população já antevia consequências nocivas do 'ajuste'

São Paulo – "A austeridade compromete o futuro das próximas gerações, aumenta a desigualdade social e destitui direitos dos cidadãos", diz trecho do documento Austeridade e retrocesso – impactos sociais da política fiscal no Brasil, divulgado terça-feira (7) na Comissão de Direitos Humanos do Senado. Resultado de meses de debates sobre temas diversos, o relatório afirma que abrir mão de políticas de transferência de renda "é optar por uma sociedade cada vez mais desigual e segregada, destituindo o acesso da população a direitos sociais básicos". Confira aqui a íntegra do documento.

A situação se agrava com a aprovação da Emenda Constitucional 95, de congelamento de gastos públicos por 20 anos. Uma "regressão social" que pode fazer o gasto passar de 19,8% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2017, para 12,4% em 2037. 

Segundo os autores do documento, a EC 95 (que começou a tramitar em 2016, como PEC 241) é "um projeto de Estado mínimo no Brasil, absolutamente incompatível com a garantia de direitos sociais e com a Constituição Federal de 1988". Um projeto "especialmente grave para o caso brasileiro, no qual o orçamento social é uma ferramenta fundamental de redução da já escandalosa desigualdade social brasileira em todas as comparações internacionais". Em resumo, "um passo à frente no 'abismo social'".

"O arrocho fiscal imposto pelas políticas de austeridade econômica tem promovido o desmonte de políticas públicas e permitido uma nova agenda do governo, com aumento da influência privada nas decisões estatais e um redirecionamento dos esforços do Estado", diz o documento. "Essa nova postura de política fiscal cumpre a perversa função de reverter os avanços conquistados nas últimas décadas no acesso a bens públicos e na redução da pobreza, assim como a melhora recente no mercado de trabalho e o aumento do poder de barganha dos trabalhadores."

No caso da saúde, por exemplo, políticas de austeridade tendem a piorar o quadro, na medida em que cortam recursos do sistema e reduzem a proteção social. "O resultado é, por exemplo, o aumento da mortalidade infantil, que voltou a crescer em 2017 depois de 26 anos de queda", diz o texto. A EC 95 acaba com as perspectivas de melhora da saúde pública. De acordo com simulação que integra o relatório, os recursos federais destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), até 2036, cairão de 1,7% para 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). E despesas do Ministério da Saúde transferidas a estados, municípios e Distrito Federal cairão em dois terços.

No caso da educação, a emenda "inviabiliza definitivamente o Plano Nacional de Educação", afirma o documento. "E vai contra a última recomendação do Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (CRC) ao Brasil (feita em 2015), que enfatizou a necessidade de 'garantir os recursos para a implementação do PNE, mesmo em tempos de crise'."

Com quase 30 colaboradores, o documento foi coordenado pelos economistas Esther Dweck (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Ana Luíza Matos de Oliveira (Universidade Federal de Minas Gerais) e Pedro Rossi (Universidade Estadual de Campinas). Além de saúde e educação, trata de áreas como seguridade social, meio ambiente, cultura, segurança, moradia, agricultura familiar, reforma agrária, gênero, raça e direitos humanos.

Eles argumentam que a EC 95 "é um projeto de desconstrução do pacto social de 1988 naquilo que ele tem de melhor: a cidadania social", além de um "equívoco macroeconômico". E receitam justamente o caminho oposto.

"O desenvolvimento brasileiro deve passar pela redução das desigualdades e pela ampliação do acesso aos bens e serviços públicos em contexto de aprofundamento democrático", afirmam os autores do documento. "Nesse projeto, a ampliação do gasto social é fundamental como ferramenta de desenvolvimento e para aumentar o impacto redistributivo da politica fiscal. Em um país tão desigual como o Brasil, a garantia de recursos do orçamento público para atender as demandas sociais é fundamental para viabilizar o exercício de direitos e da própria cidadania social." 

Longe de ser uma "necessidade técnica", afirmam, a austeridade é uma "opção política-ideológica". 

 

vitornuzzi 2018-08-09T07:31:35-03:00 2018-08-09T07:31:35-03:00
Inflação sobe menos, mas energia e transporte coletivo têm alta urn:syndication:db18d460cac7486c8df684ddc52372fa IPCA variou 0,33% no mês passado. Soma agora 2,94% no ano e 4,48% em 12 meses. Taxa é maior em São Paulo: 5,03%. Já o INPC está acumulado em 3,61%
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A tarifa de energia subiu menos, mas foi responsável por mais da metade da inflação. Em São Paulo, alta foi de 10%

São Paulo – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), taxa oficial de inflação no país, variou 0,33% em julho, segundo o IBGE, depois do pico do mês anterior (1,26%). Mas ficou acima de julho do ano passado (0,24%). Com isso, o índice soma 2,94% no ano (1,43% em 2017) e sobe para 4,48% em 12 meses. A inflação foi bem mais alta na região metropolitana de São Paulo: 0,63% no mês, acumulando 5,03%.

Apesar de subirem menos, itens importantes, como a energia elétrica e o transporte coletiva, registram alta. Energia, por exemplo, passou de 7,93% para 5,33%, mas foi responsável por mais da metade do índice mensal, com 0,20 ponto percentual. A taxa de água e esgoto subiu 0,69%, enquanto o gás de botijão registrou queda de 0,18%, apesar do reajuste nas refinarias. Com esses e outros resultados, o grupo Habitação teve variação de 1,54%.

Já Transportes variou 0,49%, com deflação nos preços dos combustíveis (-1,80%): a gasolina caiu 1,01% e o etanol, 5,48%, depois de altas no mês anterior de 5% e 4,22%, respectivamente. O ônibus urbano subiu 1,46%, com reajustes de tarifas no Rio de Janeiro e em Rio Branco. O intermunicipal variou 0,38%, em média, depois de aumentos em Goiânia, Porto Alegre e São Paulo. E o interestadual aumentou 8,7%, com alta de 19,22% em Fortaleza. As passagens aéreas, que haviam caído 2,05% em junho, aumentaram 44,51% no tradicional mês de férias.

O grupo de maior peso na composição do IPCA, Alimentação e Bebidas, teve deflação (-0,12%), depois de subir 2,03% em junho, a maior alta em mais de dois anos. As variações foram de -1,72% (São Luís) a 1,07% (São Paulo). "A deflação desse grupo em julho refletiu, além do aumento da oferta de itens alimentícios, o realinhamento de preços após as altas decorrentes da paralisação dos caminhoneiros, no final de maio", diz o IBGE.

Alimentos para consumo no domicílio registraram queda de 0,59% – haviam subido 3,09% em junho. O instituto destaca produtos como cebola (de 1,42% para -33,50%), batata inglesa (de 17,16% para -28,14%), tomate (de 0,94% para -27,65%), frutas (de 1,61% para -5,55%) e carnes (de 4,60% para -1,27%). Entre as altas, o leite longa vida (11,99%) e o pão francês (2,22%).

Mas a alimentação fora de casa subiu mais: de 0,17%, no mês anterior, para 0,72%. Os destaques foram lanche (1,40%) e refeição (0,39%). 

O grupo Vestuário recuou 0,60%, com queda em todos os tipos de roupa: masculinas (-0,94%), femininas (-0,87%) e infantis (-0,91%). Os preços dos calçados também caíram (-0,44%). Saúde e Cuidados Pessoais  variou 0,07%, com alta de 0,30% no item plano de saúde. 

Entre as regiões, São Paulo teve o maior índice (0,63%), com altas de 10,08% nas energia elétrica, 11,46% no leite longa vida e 45,77% na passagem aérea. O menor foi registrado em Campo Grande, com quedas em alguns alimentos e na gasolina (-2,98%). Depois da região metropolitana paulista, vêm Rio de Janeiro (0,59%) Brasília (0,58%), Rio Branco (0,51%), Curitiba (0,28%), Salvador (0,24%), Vitória (0,19%), Belo Horizonte (0,18%), Porto Alegre (0,05%), Belém (0%), Goiânia (-0,05%), Aracaju (-0,06%), Recife (-0,06%), Fortaleza (-0,09% e São Luís (-0,28%).

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou 0,25%, ante 1,18% em junho e 0,17% em julho de 2017. Com esse resultado, soma 2,83% no ano e 3,61% em 12 meses.

 

vitornuzzi 2018-08-08T11:47:00-03:00 2018-08-08T13:22:40-03:00
Venda da Braskem pode levar à desindustrialização do setor químico urn:syndication:e71cb042ead2438085b4cec263a96e42 Empresa pode ser vendida para a holandesa LyondellBasell, que se tornaria a maior petroquímica do mundo, monopolizando a produção de resinas plásticas no Brasil
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Braskem

Polo de petroquímicos básicos da Braskem no ABC paulista

São Paulo – O Dieese alerta que a venda da Braskem para a transnacional holandesa LyondellBasell representa riscos para toda a cadeia petroquímica no Brasil, pois inviabiliza o planejamento estratégico de longo prazo para o setor com a saída da Petrobras. A estatal anunciou que deverá acompanhar a movimentação da Odebrecht, optando pela venda conjunta da sua parcela no negócio.

"Abrir mão de um setor tão estratégico e dinâmico pode aprofundar a desindustrialização no país, promover o fechamento de empresas e de postos de trabalho e, consequentemente, minar as possibilidades de construção de uma sociedade justa e igualitária", diz o Dieese, em nota técnica na qual avalia o novo cenário que se redesenha para o setor petroquímico a partir da eventual desnacionalização da Braskem.

Os técnicos lembram que a empresa detém o monopólio da produção de resinas no Brasil – matéria-prima utilizada na produção dos mais diversos tipos de materiais plásticos – e que os eventuais novos proprietários acabarão ditando o preço desses insumos. Nesse aspecto, os prejuízos seriam não apenas para a indústria brasileira, mas também atingiriam o consumidor final, já que o plástico está presente em inúmeros produtos, desde roupas a eletrodomésticos.

A Braskem é hoje a sexta maior companhia do mundo no setor petroquímico. Além do Brasil, tem plantas nos Estados Unidos, no México e na Alemanha. No Brasil, a companhia emprega cerca de 6 mil trabalhadores, com 2.500 só no polo petroquímico de Camaçari, na Bahia. Confirmada a fusão, a LyondellBasell deve se tornar a maior produtora de resinas termoplásticas do mundo. A expectativa do mercado é que o negócio seja firmado em até dois meses. 

"As decisões relativas ao setor petroquímico brasileiro não podem ser implementadas isoladamente, sem articulação com uma política de soberania nacional que promova efeitos positivos em toda a cadeia: da extração do petróleo até a produção do plástico (do poço ao plástico) e gere empregos decentes, contribuindo para a melhoria das condições  de vida e de trabalho  dos trabalhadores", diz trecho da nota técnica.

O Dieese avalia também que o controle da Braskem pelo grupo holandês deve aumentar ainda mais o déficit da indústria química na balança comercial brasileira que, nos últimos 17 anos, enviou mais de US$ 186 bilhões ao exterior em remessas de lucros e dividendos. De acordo com dados do IBGE de 2016, a cadeia petroquímica brasileira representa cerca de 14,3% do valor bruto da produção industrial do país e emprega 664 mil trabalhadores nos diversos setores que a compõem.

 

tiagop 2018-08-02T12:46:00-03:00 2018-08-02T13:27:48-03:00
Venda da Embraer é questionada no plenário da Câmara urn:syndication:73d0643f86974f62894b8ac26e26c1af Para especialistas e parlamentares, transação não tem transparência e ameaça a soberania e a segurança nacional
DIVULGAÇÃO/EMBRAER
Embraer

'Por R$ 3,8 bilhões, Embraer foi vendida ao preço de duas churrascarias', lamenta metalúrgico

São Paulo – A venda da Embraer, empresa brasileira do setor de aviação, para a norte-americana Boeing foi criticada em audiência pública no plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta feira (1º). Trabalhadores, parlamentares e especialistas querem acessar o processo e temem pelos empregos e pela segurança nacional.

O pedido de realização da audiência foi feito pelo deputado Flavinho (PSC-SP), que avalia existir falta transparência sobre o acordo. Ele entende que o Congresso Nacional, mesmo sem poder de veto, deve questionar e cobrar explicações. "A gente está tentando dar visibilidade ao tema, discutir e mostrar os pontos positivos, se é que eles existem, e os pontos negativos. Vamos tentar fazer uma pressão para os órgãos fiscalizarem esse processo", afirma em entrevista ao repórter Uelson Kalinovski, da TVT.

Pelo acordo firmado no começo de julho deste ano, a norte-americana Boeing vai pagar US$ 3,8 bilhões para ficar com 80% do controle da fusão, que terá atuação exclusiva na área de aviação comercial. Pelos termos anunciados, a Embraer manteria o controle do setor militar, mas a decisão é contestada. "Algumas versões dizem que a área militar estaria fora dessa negociação, mas não se sabe. É um problema de emprego e soberania, mas também de segurança nacional", critica o economista Paulo Kliass.

Herbert Claros, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, lembra que a empresa brasileira é líder no seu segmento. "A principal concorrente dela em aviões do tamanho dos que produz é a Bombardier. Recentemente, numa feira na Inglaterra, a Bombardier vendeu cinco aviões e a Embraer, 300", conta.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos foi coautor do pedido da audiência. Entre as preocupações estão os 18 mil empregos diretos e indiretos que estariam em risco. "Qual é a garantia de que os Estados Unidos farão um investimento no Brasil? O emprego e o futuro da Embraer no país são as principais preocupações", questiona Herbert.

O diretor do sindicato também questiona o valor do negócio, estimado em R$ 3,8 bilhões. "A churrascaria Fogo de Chão foi vendida por R$ 1,8 bilhão, enquanto um dos melhores corpos de engenharia do mundo, construído em 49 anos, foi vendido pelo dobro do preço uma churrascaria."

A Embraer foi notificada ainda nesta semana para se manifestar a respeito de uma outra ação movida pelo PT. O documento foi assinado pelos deputados Carlos Zarattini, Vicente Cândido, Paulo Pimenta e Nelson Pelegrino e exige a suspensão da fusão entre a empresa brasileira e a empresa norte-americana.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT

fmascari 2018-08-02T10:20:07-03:00 2018-08-02T10:20:07-03:00
Copom confirma expectativas e mantém juros em 6,50% urn:syndication:d5914a063b38485394a6eb30c3321874 Depois de vários cortes seguidos, Comitê do BC mantém a taxa desde maio, e analistas acreditam que continuará assim até o final do ano
Arte RBA

São Paulo – Sem surpresas, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (1º) manter pela terceira vez seguida a taxa básica de juros, a Selic, em 6,50% ao ano. Era essa a expectativa praticamente unânime dos observadores do mercado financeiro, que esperam, inclusive, manutenção desse patamar até o fim do ano, com possível alta no início de 2019.

A decisão foi unânime e sem viés. Depois de turbulência provocada pelo movimento dos caminhoneiros, a avaliação é de que a inflação voltará a uma certa "normalidade", sem saltos. "Indicadores recentes da atividade econômica refletem os efeitos da paralisação no setor de transporte de cargas, mas há evidências de recuperação subsequente", diz comunicado do Copom, que também aponta atividade econômica fraca.

"O cenário básico contempla continuidade do processo de recuperação da economia brasileira, em ritmo mais gradual do que aquele esperado antes da paralisação." Mais uma vez, o Comitê defende "reformas e ajustes" como fatores essenciais para manter inflação controlada e para uma "recuperação sustentável" da economia. 

Os juros básicos tiveram cortes seguidos de outubro de 2016 até março deste ano, passando nesse período de 14,25% para os atuais 6,5%. O movimento foi interrompido em maio. A próxima reunião do Copom está marcada para 18 e 19 de setembro.

Segundo cálculo da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros do cartão crédito chegam a 286,69% ao ano e os do cheque especial, a 288,35%.

 

vitornuzzi 2018-08-01T18:02:00-03:00 2018-08-01T18:26:22-03:00
País tem 13 milhões de desempregados e trabalho com carteira segue em queda urn:syndication:80b452acc46c4839b52e39ae2398cf03 Pesquisa do IBGE mostra taxa de desemprego de 12,4% no segundo trimestre. Apenas ocupação sem carteira e de autônomos têm alta
Marcos dos Santos/USP Imagens
desemprego

Cena urbana: emprego formal dá lugar ao trabalho informal e por conta própria, como o de vendedor ambulante

São Paulo  – A taxa média de desemprego no país ficou em 12,4% no trimestre encerrado em junho, abaixo de março (13,1%) e de igual período de 2017 (13%), segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE. Mas, a exemplo de levantamentos anteriores, o emprego formal não cresce, e o que traz alguma redução à taxa é, principalmente, o trabalho informal e por conta própria, além dos empregadores, já que o emprego com carteira assinada não avança.

De acordo com a pesquisa divulgada nesta terça-feira (31), o número de desempregados foi estimado em 12,966 milhões. São menos 723 mil em três meses (-5,3%) e menos 520 mil em um ano (-3,9%). O total de ocupados, 91,237 milhões, cresceu 0,7% (657 mil) e 1,1% (1,001 milhão), respectivamente.

Mas o total de empregados com carteira no setor privado (32,834 milhões) ficou estável no trimestre e caiu 1,5% em 12 meses: menos 497 mil vagas formais. Já o total de empregados sem carteira (10,989 milhões) aumentou 2,6% (276 mil) e 3,5% (367 mil).

O de autônomos (23,064 milhões) ficou estável na comparação com março e subiu 2,5% em relação a junho do ano passado, com acréscimo de 555 mil (2,5%), com destaque para os que têm CNPJ (7,5%). Já no setor público, o emprego sem carteira aumentou mais do que o formal. A pesquisa mostra ainda crescimento do número de empregadores em 12 meses (mais 176 mil, 4,2%), principalmente sem CNPJ (10,5%). Esse grupo soma 4,367 milhões.

Entre os setores, a maioria ficou estável do primeiro para o segundo trimestre. Dois tiveram crescimento na ocupação: indústria e administração pública, que inclui saúde, seguridade e educação. Em relação a junho de 2017, a situação se repete, com pequenas variações na maior parte dos casos e altas em administração pública e algumas áreas de serviços, como cultura, esporte e reparação de equipamentos de informática.

Estimado em R$ 2.198, o rendimento médio ficou estável nas duas bases de comparação, com queda no trimestre para o trabalhador doméstico. O mesmo aconteceu com a massa de rendimentos, que somou R$ 195,7 bilhões.

 

vitornuzzi 2018-07-31T09:56:00-03:00 2018-07-31T11:57:32-03:00
Modelos econômicos desconsideram a vida das pessoas, diz Belluzzo urn:syndication:649c741966394e2184b1724cb4fd0268 Economistas insistem na "vira-latice fiscal": só cortando gastos é possível equilibrar contas. Mas não há mais de onde tirar, quando o desemprego aperta e as pessoas procuram alternativas para sobreviver
cc 2.0 wikimedia
desemprego

Com austeridade neoliberal, governo Temer aprofundou o desemprego e a precariedade das relações de trabalho

São Paulo – Aprisionados em "modelos econométricos" cada vez mais distantes da realidade social, economistas liberais continuam aferrados à ideia de cortar gastos como unica alternativa possível para garantir o equilíbrio das contas públicas, sem levar em consideração o impacto dessas políticas de austeridade no dia a dia das pessoas. Em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta segunda-feira (30), o economista Luiz Gonzaga Belluzzo critica o que chama de "viralatice fiscal" que não só não conserta como aprofunda os efeitos da crise, principalmente sobre os mais pobres, submetidos a empregos precários e obrigados a recorrerem a bicos para complementar a renda. 

"A economia – isso deveria ser banal – deve servir à vida das pessoas. É claro que há restrições, mas cada vez menos. A economia das novas tecnologias, se funcionassem direito, seria uma forma de superar a escassez. Só que essa possibilidade de garantir a oferta de bens para todos é bloqueada por relações sociais que fazem com que uns se apropriem dessa abundância toda, em detrimento de outros", diz Belluzzo, que na entrevista detalhou aspectos do artigo A desumanização da economia, publicado na revista CartaCapital.

"Estou falando em desumanização porque, na verdade, os modelos econômicos dizem que o Estado não pode gastar, o que é uma mentira deslavada. Nessa hora, deve-se arrumar um jeito de gastar, visando ao aumento do emprego, dos salários e da renda das empresas. O que estamos assistindo é uma ortodoxia um tanto burra, porque é desnecessária. A economia está com capacidade ociosa, as empresas querendo aumentar o seu faturamento e não podem", explica o economista.

"O caso do Meirelles (ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do MDB à Presidência), por exemplo, é patético. Eles todos são patéticos. Ficam dizendo que a economia vai crescer, enquanto fazem tudo errado. Isso é a desumanização da economia. Eles não pensam nas pessoas que estão sofrendo", critica Belluzzo.   

Em vez de insistir em cortar gastos que impactam na redução da renda e no aumento do desemprego para o conjunto da população, o economista defende a criação de um pacote de investimentos, principalmente em obras públicas, que tem "capacidade multiplicadora". Políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família e as aposentadorias, também têm o efeito de aumentar o consumo, criando empregos e reduzindo as desigualdade, afirma o economista. 

Belluzzo usa a construção de uma barragem para ilustrar como o investimento em obras públicas pode contribuir para destravar a economia, além de melhorar a vida das pessoas. Essa mudança de orientação na política econômica traria como resultado o aumento do emprego formal, e colabora inclusive para o equilíbrio fiscal, já que com a economia aquecida, aumenta também o pagamento de impostos. 

"Numa obra como essa, contratam-se trabalhadores, que vão gastar a renda que recebem. Ao mesmo tempo, fazem-se encomendas de equipamentos etc., o que também faz com que as empresas fornecedoras contratem mais trabalhadores. Isso é o chamado efeito multiplicador. Aumenta-se assim a capacidade de consumo como um todo, o que atrai investimentos. As empresas fornecedoras de máquinas, equipamentos e serviços vão alargando o espaço de circulação da renda."

tiagop 2018-07-30T12:33:00-03:00 2018-07-30T12:39:26-03:00
Apesar de avanços, concentração de terra continua, avalia MST urn:syndication:cf0cccb3144e485ebc0d82faab2858be Gilmar Mauro analisa o Censo Agropecuário 2017, que constata o maior uso de agrotóxicos, o crescimento dos latifúndios e a diminuição de moradores no campo
Roosewelt Pinheiro/EBC
Agronegócio

Propriedades com mil hectares ou mais aumentaram de 45%, em 2006, para 47,5% da área total em 2017

Brasil de Fato – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira (26), resultados preliminares do Censo Agropecuário de 2017. Com verba reduzida em relação às edições anteriores, o levantamento apresenta dados sobre a estrutura agrária, perfil dos produtores e proprietários rurais, arrendamento e uso de agrotóxicos, entre outras informações.

Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Gilmar Mauro, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), analisou os resultados do Censo Agropecuário.

Confira alguns trechos da entrevista:

Com base nos dados do censo, o que podemos concluir sobre a situação da concentração fundiária no Brasil?

Eu acho que o IBGE inclusive inovou, trazendo este dado novo, sobre as propriedades acima de 10 mil hectares no Brasil, o que caracteriza, de fato, essa abissal diferença socioeconômica na realidade brasileira. Apenas 2.400 fazendas acima de 10 mil hectares ocupam um tamanho de terra maior do que a maioria das terras na mão do povo que produz alimento e que emprega a maior parte da mão de obra no campo, que são as pequenas propriedades até 50 hectares.

É evidente que ainda é difícil, porque os dados foram lançados hoje, tirarmos conclusões, entretanto, nós podemos afirmar, com algum grau de certeza, que nós continuamos com concentração de terra. Um dos país com maior concentração de terra no mundo. E apesar de toda a luta pela terra, demarcação de terras indígenas, quilombolas, que evidentemente conseguimos avanços no último período, há um indicativo de maior concentração de terra.

Também existe um outro lado interessante que é o aumento do arrendamento. E é um arrendamento do tipo capitalista, em várias regiões do país, e é, fundamentalmente, para a produção de monocultura.

E em relação a diminuição do número de produtores individuais, o que isso significa?

Concentração. Concentração do pólo capitalista. É o típico que nós falamos, agronegócio. São agrupamentos capitalistas que aumentaram a quantidade de terras. E são esses agrupamentos que dominam e jogaram para cima os dados sobre arrendamento no campo.

Por outro lado, no pólo oposto, os agricultores pequenos perderam terreno, perderam espaço. Seja por renda, seja pelas precárias condições que nós estamos assistindo no Brasil. Então, há uma diminuição em número e, principalmente, em terra. O que, evidentemente, nos mostra que o processo de concentração fundiária, ao longo dessa década, aumentou no Brasil, ao invés de diminuir.

Mesmo com as políticas públicas e algum pouco de reforma agrária que foi estabelecida. Agora, ainda não está contido nestes dados apresentados pelo Censo é que a pequena agricultura é que emprega e produz alimentos no Brasil. Grande parte da mão de obra paga no campo é, fundamentalmente, nas propriedades até 50 hectares, que são essas que estão diminuindo.

Por outro lado, as grandes propriedades que aumentam a quantidade de terra e a concentração de terra são quem empregam menos e são quem produz menos alimentos para o povo brasileiro, porque, estão voltadas, fundamentalmente, para a exportação. E são a produção de grandes monoculturas. Com maior tecnologia, aumento no número de tratores, mas voltadas para a exportação.

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Brasil rural: latifúndio, tratores e uso de agrotóxicos aumentam

 

luciano 2018-07-27T12:09:00-03:00 2018-07-27T12:23:23-03:00
Brasil rural: latifúndio, tratores e uso de agrotóxicos aumentam urn:syndication:97ef8541463f4faa9c490e4c0975ccae Segundo Censo do IBGE, caiu o número de estabelecimentos e aumentou a área. País perdeu 1,5 milhão de ocupados em 11 anos
reprodução
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As propriedades rurais com mil hectares ou mais representam quase metade da área total

São Paulo – Dados preliminares divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE mostram a existência de 5.072.152 estabelecimentos agropecuários no Brasil, em uma área total de 350.253.329 hectares, queda de 2% no primeiro caso e aumento de 5% no segundo em relação a 2006. O aumento na área equivale ao estado do Acre. As informações indicam aumento no número de estabelecimentos de grande porte: os estabelecimentos com mil hectares ou mais representam quase metade (47,5%) da área total, ante 45% naquele ano. E os de 100 a mil passaram de 33,8% para 32%. Assim, o país mostra avanço do latifúndio em relação a propriedades de médio porte.

Ainda segundo o IBGE, o número de pessoas ocupadas caiu em 1,5 milhão em 11 anos. Agora, somam 15.036.978. Um indicador que ajuda a entender o "inchaço" urbano e suas consequências sociais.

A média de ocupados por estabelecimento se reduziu de 3,2 para 3. No mesmo período, o total de tratores cresceu 49,7%, atingindo 1,22 milhão de unidades.

O censo mostra também que a quantidade de produtores utilizando agrotóxicos cresceu 20,4% de 2006 a 2017 – agora, são 1,681 milhão. O uso de irrigação aumentou 52%, tanto em estabelecimentos como em área, enquanto o acesso à internet aumentou 1.790%, de incipientes 75 mil para 1,425 milhão de produtores no ano passado.

Os estabelecimentos iguais ou maiores que mil hectares agora têm área média de 3.272,4 hectares. E aquele de 100 a menos de mil, de 266,7 hectares. Já os que têm menos de 100 representam 20,5%, com área média de 15,8 hectares.

O Nordeste registrou queda nos dois itens em relação a 2006, mas ainda é a região com maior quantidade de estabelecimentos: 2,3 milhões, para uma área de 70,6 milhões de hectares. O Centro-Oeste tem um número muito menor de estabelecimento, perto de 347 mil, mas concentra área de 110,6 milhões. Outro indicativo de maior presença de grandes propriedades rurais.

vitornuzzi 2018-07-26T19:30:00-03:00 2018-07-26T19:30:24-03:00
Em alguns estados, preço do gás de cozinha supera 50% da renda dos mais pobres urn:syndication:e457dc41a0fc460fb1fc598da869a8d5 Política de preço da Petrobras privilegia o lucro dos acionistas da empresa, enquanto sacrifica a população mais pobre do país
Pedro Ventura/Agência Brasília
Gás de cozinha

Em alguns estados, política de preço da Petrobras multiplicou por quatro o preço do botijão do gás de cozinha

São Paulo – Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, indicam que, em 2017, os rendimentos médios das famílias pertencentes aos 10% mais pobres da população variaram de R$ 117,04 (Maranhão) a R$ 773,97 (Santa Catarina). Considerando que uma família usa, em média, um botijão de gás de cozinha (chamado de gás liquefeito de petróleo, ou GLP) por mês, e tendo como referencial o preço do botijão no último mês de junho, é possível constatar que o custo do gás de cozinha na renda familiar representou 59% do orçamento entre os 10% mais pobres no Maranhão, 51,5% no Acre e 50,7% em Sergipe.

Já os menores percentuais foram registrados em São Paulo (10,8%), Distrito Federal (10,1%) e Santa Catarina (8,9%), conforme nota técnica divulgada pelo Dieese. “É bastante impactante, porque é um insumo fundamental para a produção de alimentos e, no caso do orçamento, as pessoas têm um dispêndio grande se o preço do combustível e do gás de cozinha é alterado”, explicou o diretor-técnico do instituto, Clemente Ganz Lúcio, em entrevista nesta quinta-feira (26), ao jornalista Glauco Faria na Rádio Brasil Atual.

Desde julho de 2017, a Petrobras mudou a política de preço do gás de cozinha, com reajustes frequentes para se equiparar ao preço do petróleo no mercado internacional. Assim, o valor do botijão residencial de 13 kg, que ficou congelado em R$ 13,51 nas refinarias da Petrobras entre janeiro de 2003 e agosto de 2015, em julho do ano passado subiu para R$ 17,81 e, em dezembro, atingiu R$ 24,38, um aumento de 37%.

“Temos levantamentos que mostram que o gás de cozinha, em algumas regiões do país, custa R$ 80 o botijão. Tínhamos há alguns anos um preço que era menos de um quarto desse valor, portanto, o preço foi multiplicado por quatro vezes em alguns casos”, afirma Clemente.

RBA preço do gás de cozinha
Preço do botijão de gás oscila entre os estados, mas população mais pobre é sempre a penalizada

Segundo ele, para fugir do preço exorbitante, as famílias mais pobres tem trocado o gás de cozinha por outros insumos, como o álcool, por exemplo, uma mudança que tem causado muitos acidentes. “E é evidente que o impacto mais geral é dos preços praticados especialmente hoje, com a política que a Petrobras adota com os derivados do petróleo. Os impactos são os mais diversos, do ponto de vista econômico, comprometendo muitas vezes a dinâmica econômica, o custo de vida e, no caso dos mais pobres, comprometendo o orçamento familiar”, diz Clemente.

Para o diretor-técnico do Dieese, a Petrobras deveria adotar estratégias específicas na formação dos preços dos derivados do petróleo, especialmente o gás de cozinha, considerando a importância do produto no orçamento familiar. “A desigualdade no Brasil pode e deve ser enfrentada com políticas que permitam às famílias mais pobres terem capacidade de renda e consumo adequadas à sua condição, e uma das formas de fazer isso é por meio de políticas que permitam acesso à eletricidade, ao gás de cozinha, ao transporte coletivo, ao saneamento, educação, creches. São todas políticas que podem e devem ajudar para que enfrentemos e superemos a desigualdade. Colocar toda a responsabilidade e o custo sobre as famílias mais pobres é uma política que vai na contramão do enfrentamento das desigualdades e da justiça social.”

Máquinas paradas

A nota técnica do Dieese mostra que, sob a gestão de Michel Temer, a capacidade de produção de gás de cozinha do Brasil tem diminuído. O motivo é a decisão da Petrobras de reduzir a participação da empresa no abastecimento do país e, consequentemente, a produção das refinarias. Enquanto nos primeiros meses de 2018 a produção nacional diminuiu de 800 mil m³/mês para 670 mil m³/mês, a importação do gás de cozinha aumentou. O Brasil consome, em média, 1,11 milhão de m³ de GLP por mês, quantidade que se mantém estável há anos.

“As importações de GLP, nos primeiros quatro meses de 2018, cresceram 67,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Assim, a dependência brasileira em relação à importação de GLP para abastecimento do consumo interno saltou de 24%, nos quatro primeiros meses de 2017, para 40%, no mesmo período de 2018”, destaca o documento do Dieese, ressaltando que a diminuição da produção nacional prejudica a criação de postos de trabalho no país, justamente num momento de altas taxas de desemprego.

Ouça na íntegra a entrevista com Clemente Ganz Lúcio:

luciano 2018-07-26T18:28:00-03:00 2018-07-26T19:16:56-03:00
Privatização da Cepisa deve causar demissões e precarização dos serviços urn:syndication:9c5457fa8d4d4161af1cdd35382ad02d Representantes dos trabalhadores também apontam indícios de que leilão teria sido "jogo de cartas marcadas" para transferir estatal a grupo ligado ao empresário Jorge Paulo Lemann
Divulgação/SEMSP
Distribuidora Energia

Como ocorre em todo processo de privatização, trabalhadores contratados deverão ser substituídos por terceirizados

São Paulo – Representantes dos empregados da Eletrobras e dos eletricitários piauienses consideram que a privatização da Companhia de Energia do Piauí (Cepisa) realizada nesta quinta-feira (26) vai resultar na demissão de trabalhadores e na precarização dos serviços de fornecimento de energia em áreas rurais e ribeirinhas afastadas dos principais centros de consumo. Eles também não acreditam que haverá redução no preço da tarifa de energia, como alegam o governo Temer e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). 

Ainda haveria indícios, segundo eles, de que o leilão se deu com "cartas marcadas" para beneficiar a empresa Equatorial Energia, único grupo a apresentar proposta oficial durante o pregão que efetivou a venda da distribuidora estatal. A Equatorial, que já controla a Companhia Energética do Maranhão (Cemar), teria por trás um grupo de investimentos ligado ao bilionário Jorge Paulo Lemann, empresário mais rico do país e dono da AmBev.

"Temos um quadro com 2.080 trabalhadores. A gente sabe que, ao privatizar, vai haver redução no quadro de pessoal, com a consequente precarização dos serviços. Ninguém divulga qual será a efetiva redução na tarifa porque é mentira, não existe isso. Agora que privatizou, vai aumentar", afirma o presidente do Sindicato dos Urbanitários do Piauí (Sintepi), Jose Paulo Sampaio Machado.

"Interessa para essas empresas privadas levar energia apenas para os grandes centros onde têm indústrias. Os prejudicados serão as populações rurais e ribeirinhas, com a precarização dos serviços em regiões mais afastadas. Ao contrário do que estão dizendo, vai haver reajuste na energia com certeza", diz o diretor da Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel) Emanuel Torres.

Os dois representantes chamam a atenção para a ausência de competidores no leilão, já que a Cepisa e a Companhia Energética de Alagoas (Ceal) são consideradas as melhores do conjunto das seis distribuidoras do norte e nordeste que o governo Temer ofereceu ao mercado.

"O próprio governo divulgou que a Cepisa estava entre as melhores, com quatro ou cinco interessadas. Na hora de abrir os envelopes, apareceu apenas uma", aponta Sampaio Machado. "Nós denunciávamos a Equatorial desde o ano passado, quando representantes da empresa não saíam de dentro da Eletrobras. A gente denunciava que estava havendo ali uma relação promíscua, um jogo de carta marcada", acrescenta Emanuel.

O diretor da Aeel acredita que ainda há tempo para fazer a disputa política, no Congresso Nacional, e jurídica para barrar a privatização das demais distribuidoras, e o presidente dos urbanitários piauienses diz que o sindicato também aposta na Justiça para tentar reverter a venda da Cepisa. Nesta quinta-feira (25) o presidente interino do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, discordou da urgência em pedido de liminar protocolado pelo Sintepi. "Perdemos na urgência da nossa argumentação, agora vamos para o mérito", diz Jose Paulo.

 

tiagop 2018-07-26T14:31:00-03:00 2018-07-26T16:14:58-03:00
Metade dos empregos criados em São Paulo em junho é sem carteira urn:syndication:e2ec212e10534a4aa6465d97463f5f7c Taxa de desemprego teve pequeno recuo no mês, para 17%, com estimativa de 1,883 milhão de desempregados. Tempo de procura por trabalho segue alto: 50 semanas
Sind. Comerciários SP
emprego

Mutirão promovido pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo: 10 mil em busca de 1.900 vagas

São Paulo – A taxa média de desemprego na região metropolitana de São Paulo teve ligeiro recuo de maio para junho, passando de 17,4% para 17%, segundo a pesquisa da Fundação Seade e do Dieese. Também está abaixo de junho do ano passado (18,6%). Mas exatamente metade dos postos de trabalho abertos refere-se a empregos sem carteira assinada. Um comportamento que pode estar associado ao "grau de incerteza que domina o cenário político e econômico pelo qual atravessa o país", diz o coordenador da pesquisa, Alexandre Loloian, do Seade.

O número de desempregados foi estimado em 1,883 milhão, 31 mil a menos do que em maio. Foram abertas 110 mil vagas (crescimento de 1,2%), enquanto 79 mil pessoas (mais 0,7%) entraram na população economicamente ativa (PEA). Dessas 110 mil, 55 mil foram empregos no setor privado sem carteira, uma expansão de 8,1%. Já o emprego com carteira praticamente não variou (13 mil, 0,3%). Também houve alta no emprego doméstico (1,2%), caracterizado por menor remuneração e maior informalidade, e no segmento "outros" (4,3%), que inclui empregadores, pequenos negócios e autônomos.

O tempo médio de procura por trabalho na Grande São Paulo segue alto: 50 semanas, praticamente um ano.

O comportamento do mercado de trabalho varia conforme a área analisada. No município de São Paulo, a taxa de desemprego diminuiu de 16,8% para 16,3%, enquanto na sub-região leste (Guarulhos, Mogi das Cruzes e outros municípios) passou de 20,6% para 19,7%. A pesquisa apontou alta na sub-região sudeste, que inclui o Grande ABC: de 16,3% para 17%.

Entre os setores, a indústria de transformação criou 81 mil postos de trabalho em junho, alta de 6%, e os serviços abriram 47 mil (0,9%). Mais 7 mil vieram da construção (1,1%). Comércio/reparação de veículos fechou 8 mil (-0,5%).

De abril para maio (nesse item, considera-se o mês anterior), o rendimento médio dos ocupados cresceu 0,7%, estimado em R$ 2.094. A massa de rendimento ficou praticamente estável.  

Na comparação com junho de 2017, a região metropolitana tem 194 mil desempregados a menos (-9,3%), resultado da criação de 105 mil vagas (1,2%) e da saída de 89 mil pessoas (-0,8% da PEA). Nessa base de comparação, crescem o emprego com carteira e o doméstico. E o rendimento médio dos ocupados sobe 1,9%.

Mutirão

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo marcou para 6 de agosto, das 8h às 17h, um novo mutirão de emprego. Na semana passada, mais de 10 mil pessoas estiveram no Vale do Anhangabaú, na região central da capital paulsita, em busca de 1.900 vagas. A entidade fica na Rua Formosa, 99. É preciso levar currículo, carteira profissional, CPF e comprovante de residência.

 

 

 

vitornuzzi 2018-07-26T13:56:54-03:00 2018-07-26T13:57:30-03:00
Governo Temer privatiza distribuidora de energia do Piauí com lance único urn:syndication:384f973fad8e456aaa8267e56092f1b7 Leilão dá início a desmonte do sistema de distribuição da Eletrobras. Outras quatro empresas podem ser vendidas até agosto. Avaliada em R$ 490 milhões, estatal vai render só R$ 95 milhões ao Tesouro
Divulgação/Cepisa
Cepisa

Distribuidora de energia do Piauí foi privatizada por R$ 95 milhões e pequeno desconto na tarifa

São Paulo – Comandada pelo governo Temer, a Eletrobras concluiu nesta quinta-feira (26) a privatização da Companhia de Energia do Piauí (Cepisa). Com lance único e sem concorrência, a vencedora do leilão, realizado na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, foi a empresa Equatorial. 

Segundo o secretário-geral da Presidência, Ronaldo Fonseca, o governo deve embolsar R$ 95 milhões pela privatização da empresa. Ainda assim, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, afirmou que a privatização teve resultado "extraordinário"

Com a justificativa de que as estatais acumulam dívidas, o governo Temer espera realizar, até 30 de agosto, leilões de quatro outras distribuidoras de energia do sistema Eletrobras – Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron), a distribuidora Boa Vista Energia, de Roraima, e a Amazonas Distribuidora de Energia (Amazonas Energia).

Disputa jurídica

Nesta quinta-feira (25) o presidente interino do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, negou o pedido de liminar do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Piauí para barrar a privatização da Cepisa e  discordou da urgência solicitada pelo governo do Piauí, que também pedia a imediata suspensão do leilão da distribuidora. 

Ainda na terça-feira (24), o governador do Piauí, Wellington Dias, declarou que não podia aceitar a venda da companhia, avaliada em R$ 490 milhões. "É um patrimônio do Piauí, uma empresa que pertence ao estado. A União está vendendo uma empresa sem a autorização do estado. O que diz o ministro Lewandowski é que não pode haver essa venda sem a autorização do ente (federativo). Se o estado não autorizar, como é que vai vender um bem que não é seu?", afirmou à TV Cidade Verde. 

A presidenta do STF, ministra Cármen Lúcia, havia decidido, ainda na segunda-feira (23), em outra liminar movida pela Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel), que o leilão não desrespeitava a decisão do ministro Ricardo Lewandowski. Ainda em junho, ele determinou a suspensão da privatização da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), no mesmo dia em que também concedeu liminar proibindo o governo federal de privatizar empresas públicas sem autorização do Legislativo.

 

tiagop 2018-07-26T12:15:00-03:00 2018-07-26T12:43:35-03:00