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Banco Central decide cortes na taxa básica de juros em reunião nesta quarta

Fixada em 10,5% ao ano, a Selic pode ser mantida ou cair 0,25 ponto percentual. A definição ocorrerá um dia após duras críticas do presidente Lula à condução da política econômica pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto

Antonio Cruz/Agência Brasil
Antonio Cruz/Agência Brasil
O Banco Central é presidido, até dezembro, por indicação no governo Bolsonaro

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide nesta quarta-feira (19) se corta ou mantém a taxa básica de juros, a Selic, que está em 10,5% ao ano. A recente alta do dólar, da inflação e os juros altos nos Estados Unidos apontam para uma possível pausa no ciclo de cortes, iniciado em agosto passado. Mas não está descartada uma nova redução de 0,25 ponto percentual.

Nas últimas sete reuniões, a autoridade monetária reduziu a Taxa Selic, com seis cortes de 0,5 ponto e um corte de 0,25 ponto, na última reunião, em maio. Mas não informou o que faria nos encontros seguintes. A edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve continuar em 10,5% ao ano até o fim de 2024. Há um mês, a estimativa era de que a Selic encerrasse o ano em 10%.

Essa defesa do mercado pelos juros altos levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a criticar a atuação do do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. Nesta terça-feira (18), Lula voltou a afirmar que o comportamento do BC é a única coisa “desajustada” no país atualmente. E que “não tem explicação” para a atual taxa de juros. Disse também que Campos Neto tem “lado político” e “trabalha para prejudicar o país”.

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Taxa de juros e índice de preços

Na ata da reunião mais recente, o Copom informou que via alta nas expectativas de inflação. O documento informou que a divisão entre os diretores do Banco Central não se deveu a motivações políticas, mas sobre o comprometimento com as indicações das reuniões anteriores. Até março, o BC indicava que pretendia cortar a Selic em 0,5 ponto percentual em maio.

Na última reunião, os diretores Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Otávio Ribeiro Damaso e Renato Dias de Brito Gomes, indicados pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), votaram por uma redução de 0,25 ponto percentual. Já Ailton de Aquino Santos, Gabriel Muricca Galípolo, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira, indicados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), votaram por 0,50 ponto percentual. Coube ao presidente do BC, Roberto Campos Neto, também indicado pelo governo anterior, desempatar a votação e decidir pelo corte de 0,25 ponto.

Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2024 subiu de 3,8% há quatro semanas para 3,96%. Isso representa inflação cada vez mais próxima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% para este ano. Pode chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Inflação dentro da meta, segundo IBGE

Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a  inflação oficial, subiu para 0,46%. Os alimentos puxaram o indicador após as enchentes no Rio Grande do Sul, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o indicador acumula alta de 3,93% em 12 meses, mas dentro da meta para 2024.

Para este ano, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%. Para 2025 e 2026, as metas também são de 3% para os dois anos, com o mesmo intervalo de tolerância.

No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2024 em 3,5%, mas a estimativa foi divulgada antes da alta do dólar e das enchentes no Rio Grande do Sul. O próximo relatório será divulgado no final deste mês.

Taxa Selic

A taxa básica de juros (Selic) é adotada em negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional. E é referência para as demais taxas da economia. É o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto. Compra e vende títulos públicos federais para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a Selic, para conter a demanda aquecida, há reflexos nos preços. Isso porque os juros encarecem o crédito e estimulam a poupança. Taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo. Isso reduz o controle da inflação e estimula a atividade econômica.

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Redação: Cida de Oliveira, com Agência Brasil