Reforma agrária

MST é produtor e distribuidor de riqueza, diz Eduardo Moreira

Em Jornada Universitária da Reforma Agrária da UnB, Moreira falou sobre a revolução econômica trazida pelos assentamentos

MST/Divulgação
Arroz produzido em assentamentos: 'MST é facilitador do milagre da terra'

São Paulo – O argumento conservador de que a reforma agrária e que o MST são tomadores de propriedades e de riqueza foi desconstruído pelo empresário Eduardo Moreira, em participação na 7ª Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária 2021, promovida pelo Núcleo de Estudos Agrários da Universidade de Brasília (UnB). Ele compartilhou seu aprendizado em economia no convívio em assentamentos em diversas partes do país. E garantiu: a terra faz o milagre econômico, o MST é apenas o facilitador.

Em live realizada na tarde desta quarta-feira (5), o ex-banqueiro contou que já passou por mais de 20 acampamentos e assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, nos quais teve “a melhor aula de economia” de sua vida. Esteve primeiro em acampamentos, com barracas de lona preta, com pessoas vivendo em condições mais difíceis, praticamente sem luz e água. E depois foi conhecendo assentamentos mais novos, até chegar aos mais antigos.

“Estive em assentamento com agroindústria, produção de diversos tipos de queijo, operando em três turnos, máquinas modernas, os trabalhadores vestidos como na Nasa. Fui às suas casas, com varanda, jardim lindo, quarto para cada filho, computador, carro na garagem. Tudo digno, nada de luxo ou ‘direitinho’, como defendem para os pobres muitos ‘ricos bacanas’, que falam em casinha, carrinho, tudo no diminutivo”, contou.

Economia do MST

Essas famílias que vivem em harmonia muito grande, segundo ele, enriqueceram. Mas não no sentido capitalista, de acúmulo de dinheiro por meio do lucro ou por meio da concentração de terra. “Enriqueceram acumulando recursos, plantando. Aqueles carros vieram da terra, da produção agrícola. E foram enriquecendo outros, inserindo na cadeia pequenos produtores, de longe, para estimular o seu crescimento também”.

Para avaliar o impacto que essa economia poderia causar nos municípios, Eduardo Moreira visitou prefeituras e conversou sobre a atuação do MST com prefeitos, dos mais diferentes partidos. “Antes dos acampamentos chegarem, havia cana largada, um deserto verde. Depois a cidade renasceu das cinzas, começou a receber impostos, a comprar o que não produziam, estimular serviços. Se forem embora, será um desastre”, ouviu desses gestores.

Segundo Moreira, ninguém tem essa noção de que o MST é gerador e distribuidor de riqueza e “facilitador do milagre produzido pela terra”. E não tomador. “Tomador de que? De terras paradas para fins especulativos? Ou que estão produzindo algo que nunca vamos ver no Brasil, tudo para exportação aproveitando o dólar alto e com o benefício de exportar sem pagar imposto”, questionou, lembrando que o Brasil é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, primeiro na produção de soja e laranja, e que o agronegócio não coloca comida na mesa.

“O agronegócio não distribui renda, não gera emprego e nem produz alimento. No ano passado, a insegurança alimentar afetava 125 milhões de pessoas no país”.

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Redação: Cida de Oliveira