Efeito Bolsonaro

Debandada de multinacionais do Brasil chega à maior fabricante mundial de cimento

Após Ford, Mercedes, Audi, LG, Sony, Roche dentre outras, é a vez dos suíços da LafargeHolcim planejarem deixar o país sob gestão de Bolsonaro e Guedes

Rüdiger Nehmzow / LafargeHolcim Ltd.
São 12 fábricas no Brasil empregando 1,4 mil pessoas

São Paulo – A debandada de grandes multinacionais do Brasil sob gestão de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes deve ganhar mais um capítulo em breve. Desta vez é a suíça LafargeHolcim, maior fabricante de cimento do mundo, que está seguindo os passos de outras empresas de grande porte como Ford, Mercedes, Audi, LG, Sony, Roche, Walmart, dentre outras, que encerram total ou parcialmente operações no país. A LafargeHolcim, fabricante do Cimento Montes Claros, atua em nove estados no Brasil empregando cerca de 1,4 mil pessoas.

Segundo matéria veiculada na quarta-feira (21) pela Bloomberg, a companhia contratou o Itaú como consultoria para o processo de venda de ativos. A publicação cita que a LafargeHolcim pode vender tudo para um único comprador ou dividir em mais de um negócio. São 12 fábricas no país com valor estimado em torno de US$ 1,5 bilhão, cerca de R$ 8,1 bilhões. É a terceira maior por aqui, atrás da Votorantim e Intercement, e produz, além do Cimento Montes Claros, concreto, agregados, e produtos especiais como óleo e gás.

Economia em queda livre

A notícia vem em meio a previões de escalada no desemprego do país em relação ao resto do mundo. Segundo a agência de classificação de risco Austin Rating, o país deve subir da 22ª para a 14ª maior taxa do mundo na comparação entre o ano passado e 2021. O índice deve bater nos 14,5%, contrariando estimativas de queda na média global. A mesma Austin Rating prevê que a gestão Bolsonaro e Guedes deve derrubar o país em mais um posto no ranking de maiores economias do mundo. Sairá de 12º para 13º, após chegar a sexto lugar em 2011, período Lula e Dilma.

Bolsonaro mente

O setor automotivo, emblemático na história da industrialização do país, é um dos mais atingidos pela debandada de multinacionais. A Ford, no Brasil desde 1919, anunciou no início deste ano o fechamento das três fábricas. Primeiro Camaçari, na Bahia, e Taubaté, em São Paulo, e depois Horizonte, no Ceará. Em outubro, já havia encerrado as atividades em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Juntas, somavam cerca de 5 mil postos de trabalho.

No final do ano passado, a Mercedes-Benz anunciou o fechamento da fábrica em Iracemápolis, no interior de São Paulo. Com isso, deixará de montar carros no país, ficando apenas com a produção de caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo e Juiz de Fora, em Minas. Na ocasião, a empresa justificou a decisão alegando ambiente de negócios desfavorável.

A alegação da empresa alemã ilustra a falta de conexão entre a realidade dos fatos e o que diz Jair Bolsonaro. Em setembro de 2020, na abertura da 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ele disse que estava enxergando aumento no ingresso de investimentos no país. “Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo”, afirmou. Além de ser desmentido pela debandada de grandes empresas, foi também pelo Banco Central. Segundo o Valor Econômico, houve queda de 30% entre janeiro e julho de 2020 e 2019, de US$ 36,4 bilhões para US$ 25,5 bilhões.