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Censo de 2020, transferido para este ano, ‘talvez’ saia em 2022

Sem recursos, recenseamento, feito a cada 10 anos pelo IBGE e considerado vital para formulação de políticas públicas, é adiado mais uma vez

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IBGE diz que vai rediscutir a data com o Ministério da Economia

São Paulo – Realizado obrigatoriamente a cada 10 anos, o Censo de 2020, que passou para este ano, talvez seja realizado em 2022. Responsável pelo processo, o IBGE informou na sexta-feira (23) que “retomará as tratativas” com o Ministério da Economia para promover o recenseamento no ano que vem. Isso aconteceu porque o Orçamento de 2021, sancionado na quinta (22) pelo presidente, confirmou o corte de recursos destinados ao Censo. Assim, o secretário especial de Fazenda, do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou ontem que não havia “previsão orçamentária” para a operação. Em março, quando se delineou o corte, a presidenta do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, pediu demissão, alegando questões pessoais.

Destruição institucional

De acordo com a direção do IBGE, um novo cronograma será definido em conjunto com a pasta da Economia. Em relação ao processo seletivo de agentes censitários e recenseador, o instituto “anunciará as orientações assim que for possível”. Após a confirmação do novo adiamento, as críticas vieram de todos os lados, ao lembrar que o Censo de 2020 é importante, entre outros fatores, para a definição das políticas públicas futuras. “O nível de destruição institucional do Brasil chega a níveis inacreditáveis”, afirmou, via Twitter, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). “Talvez só em 2022. Ou após o fim da atual gestão, quando a realidade voltar a ser considerado elemento relevante para balizar a vida cotidiana”, comentou o jornalista Leonardo Sakamoto, em seu blog.

É a segunda vez que o recenseamento é adiado: o de 1990 também passou para o ano seguinte. Era governo Fernando Collor, que ultimamente vem “assessorado” o atual mandatário.

Nos tempos do Império

O primeiro censo da história brasileira foi realizado em 1872: o Censo Geral do Império “correu tão regularmente quanto possível, em quase todo o território nacional, com exceção das províncias de Minas, São Paulo e Mato Grosso, onde motivos imprevistos e de força maior obstaram que os trabalhos fossem executados no tempo estabelecido”. Segundo o IBGE, nessa contagem foram recenseados 10.112.061 habitantes. O primeiro da República foi em 1890, um ano após a proclamação.

Já o primeiro realizado pelo IBGE, o quinto do país foi em 1940. O órgão surgiu em 1934, ainda como Instituto Nacional de Estatística, e ganhou o nome original quatro anos depois.