Política errada

Petrobras anuncia aumento de 39% no gás natural para distribuidoras

Novos valores entram em vigor a partir do dia 1º de maio e são reflexo da política de preços imposta logo após o golpe de 2019 e mantida pelo atual governo

Arquivo/ANPr
Política de preços está por trás dos reajustes dos derivados de petróleo

São Paulo – A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (5) que a partir de 1º de maio vai aumentar em 39% o preço do gás natural para as distribuidoras, na comparação com o último trimestre . O reajuste é mais uma consequência da atual política de preços da empresa, atrelados ao mercado internacional, imposta pelo governo de Michel Temer logo após o golpe de 2016 e mantida por Jair Bolsonaro.

O gás natural é largamente usado por indústrias, termoelétricas e serve de matéria-prima, por exemplo, para produção de fertilizantes. Também é usado em residências com gás encanado e em parte da frota de veículos do país. O aumento no gás natural já era previsto. Diferentemente de outros combustíveis, como gasolina, diesel e o gás de cozinha (GLP), as atualizações dos preços desse produto especificamente ocorrem a cada três meses. Entre janeiro e março, período de referência, o valor do petróleo acumulou alta de 38% no mercado internacional, de acordo com comunicado feito pela própria empresa.

A alta lá fora, porém, não é a raiz do reajuste, e sim a forma como vêm sendo calculados os preços dos combustíveis no Brasil nos últimos cinco anos. “A direção da Petrobras utiliza o PPI, Preço de Paridade de Importação”, segundo Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros). “Três fatores influenciam no PPI. O primeiro é o preço do barril de petróleo no mercado internacional. O segundo é o dólar, então se houve qualquer flutuação do câmbio aqui no Brasil, isso atinge os derivados. E o terceiro é o custo de importação, mesmo que o produto não seja importado”, explica. “É pior que (a política) de Preço de Paridade Internacional, que ‘apenas’ atrela ao valor do mercado internacional. Sistema usado, por exemplo, nos Estados Unidos”, diz.

Política certa

O coordenador-geral da FUP defende que a política tem de ser outra, baseada nos custos internos que a estatal tem para produzir. “A que os países grandes produtores de petróleo já praticam”, diz. “Assim ocorre na Arábia, assim ocorre na Venezuela, no Canadá, Rússia, China e em outros países”, acrescenta Deyvid, lembrando que “o Brasil trabalhou dessa forma durante 13 anos. A gente lembra que entre 2003 e 2013 o preço do gás de cozinha, por exemplo, não variou”.

Ele afirma ainda que quem normalmente utiliza o PPI são países totalmente dependentes do mercado internacional, tanto de petróleo quanto de derivados. “Não faz sentido algum fazer isso aqui”, já que o Brasil é autossuficiente no produto.

Por fim, o dirigente sindical lembra que há projetos de lei tramitando no Congresso Nacional para a definição de uma política de estado sobre preços de combustíveis. “Ela influencia na ecomonia como um todo e como a Petrobras é controlada pelo estado brasileiro, precisa, sim, de uma política de estado como um todo”, conclui.

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