Varejo

Vendas melhoram em junho, mas comércio tem pior semestre desde 2016

Setor reagiu nos dois últimos meses, mas ainda enfrenta dificuldades. Período mais crítico foi em março e abril

Reprodução/Montagem RBA
Vendas em supermercados se mantém em alta, enquanto o setor de vestuário sofreu com o isolamento e despencou no primeiro semestre

São Paulo – O comércio varejista cresceu 8% de maio para junho, na segunda alta seguida, de acordo com o o IBGE, que divulgou sua pesquisa mensal nesta quarta-feira (12). Mas isso não impediu o setor de fechar o semestre em queda de 3,1%, na comparação com igual período do ano passado. Foi o pior resultado semestral desde 2016, segundo o instituto. Em 12 meses, o volume de vendas fica praticamente estável (0,1%).

No chamado comércio varejista ampliado, que inclui dois setores (veículos, motos, partes e peças e material de construção), as venda subiram 12,6% sobre maio e caíram 0,9% em relação a junho de 2019. A atividade cai 7,4% no ano e 1,3% em 12 meses.

“Pelo segundo mês consecutivo, os resultados mostraram menor impacto no comércio do quadro de isolamento social diante da pandemia de Covid-19”, diz o IBGE. Assim, do total de empresas pesquisadas, 12,9% relataram impacto na receita em junho, ante 18,1% em maio e 28,1% em abril.

De maio para junho, houve alta em sete das oito atividades. Destaque para Livros, jornais, revistas e papelaria (69,1%), Tecidos, vestuário e calçados (53,2%) e Móveis e eletrodomésticos (31%). A única queda foi de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-2,7%). Enquanto isso, no ampliado, veículos/motos teve crescimento de 35,2%.

Altos e baixos do comércio

Já na comparação com junho do ano passado (alta de 0,5%, com dois dias úteis a mais), houve o mesmo número de resultados positivos e negativos. Hipermercados/supermercados cresceu 6,4% e móveis/eletrodomésticos, 25,6%. Atividade que mais sofreu os impactos econômicos da pandemia, Tecidos, vestuários e calçados caiu 44,5%. Por sua vez, o setor de combustíveis e lubrificantes recuou 16,3%.

“Assim como no caso dos resultados trimestrais, o impacto da pandemia, que levou ao fechamento de lojas físicas e redução no ritmo do comércio desde a segunda quinzena de março, fez com o primeiro semestre de 2020 registrasse resultados negativos recordes para o varejo”, informa o IBGE. Seis das oito atividades pesquisadas sofreram quedas. Destaque, mais uma vez, para Tecidos, vestuário e calçados (-38,9%).

Setores que não fecharam são os únicos com resultado semestral positivo: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (5,4%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (5,3%). No varejo ampliado, veículos/motos registrou retração de 21,8%.

“Em síntese, para o volume de vendas no varejo, o resultado para o mês de junho de 2020 fecha tanto o primeiro semestre quanto o segundo trimestre de 2020 com recordes históricos no campo negativo, para toda a série da Pesquisa Mensal de Comércio”, conclui o IBGE. “Na primeira metade do ano, devido ao período de isolamento social, as trajetórias dos indicadores, tanto do comércio varejista quanto do varejo ampliado, tiveram, nos meses de março e abril, seus pontos de maior intensidade negativa”, acrescenta.